Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tôto - Ainda a Despedida do Cap Art Fernando Mira

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Tôto - 1965
O Cap Art Fernando Mira passa revista ao 4º G.C.

As fotografias deste postal referem-se, ainda, à despedida do Cap Fernando Mira, que foi o primeiro Comandante da C.Art 739. Como já contei anteriormente, tendo sido promovido a Major, foi colocado em Nova Lisboa, e substituído pelo Cap Inf Ramiro M Nascimento.

O Cap Mira não quis partir sem distinguir alguns militares que com ele serviram no Tôto. Não dispensou, por esse motivo, uma formatura geral – se bem me lembro na véspera da sua partida – durante a qual procedeu à entrega de louvores a diversos militares que, no entender dos respectivos superiores mereciam tal distinção.

O autor deste blogue foi um dos distinguidos. Afirmo-o aqui com muito orgulho, porque penso que o mereci. Tal-qualmente os outros camaradas.



Tôto - 1965
Após a formatura, com alguns elementos do 4º. G.C.

Todavia, o meu louvor teve uma particularidade que não resisto a referir. Por força da minha actividade como bancário na vida civil, era um bom dactilógrafo. Conhecedor do facto, o Cap Mira pediu-me que dactilografasse os louvores à medida que os ia ditando – assim, ninguém ficaria a saber o nome dos distinguidos que era, quase, um “segredo de estado”. Foi um serão não previsto, por sinal trabalhoso e de alguma maneira, aborrecido. Não foi com muita satisfação que nos deslocámos para a Secretaria, para este trabalho – o capitão aborrecido por se ir embora e eu aborrecido pelo “frete” imprevisto. A má disposição mútua gerou um pequeno desentendimento que, por sua vez, teve o condão de alterar o texto do meu louvor – em vez do habitual “oficial de sólida educação cívica e militar”, passei a ser “oficial de razoável educação cívica e de sólida formação militar”. Obviamente nada que me fizesse diferente daquilo que eu fora e continuaria a ser pela vida fora.

Muitos anos mais tarde, numa das nossas confraternizações anuais, referi o facto ao Cap (actualmente Coronel reformado) Mira e rimo-nos da questiúncula. Já se não se recordava do assunto, o que é compreensível. E se refiro, aqui a questão é, apenas, por mera curiosidade, pois a elevadíssima consideração e particular estima que tive e tenho pelo Cap Mira em nada se alterou.

Tôto - 1965
Último aceno


VETERANO

domingo, 20 de setembro de 2009

Tôto - Despedida do Cap Art Fernando Mira

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Tôto - 1965
Cap Fernando Mira e os Oficiais da CArt 739

Alf Silva Pereira, Alf António Augusto, Cap Fernando Mira, Alf Med Dr. António Terrinha e Alf EduardoPalaio
Não está presente o Alf Guilherme Barreira, eventualmente em férias na Metrópole



Como já escrevi, por mais do que uma vez, não cheguei ao Tôto em conjunto com a Companhia. Não me é possível, portanto, referir a maneira como a população nativa recebeu a tropa. A CArt 739 foi render, naquela localidade, uma Companhia de Infantaria que cumprira já o seu tempo na ZIN (Zona de Intervenção Norte) e era provável que os habitantes do Tôto olhassem para a nova tropa com os mesmos olhos com que viam aquela que partia.

Fosse como fosse, a verdade é que, muito rapidamente, a tropa ganhou a simpatia da população. Por um lado, pelo comportamento correctíssimo – não tenho lembrança de qualquer incidente – dos militares. Por outro lado, pela maneira como foi desenvolvido todo um programa de apoio social, junto das populações. Prestava-se assistência médica e medicamentosa, fornecia-se alguma alimentação propositadamente preparada para além das necessidades dos soldados, pagava-se, de forma pronta e exacta os géneros comprados, distribuíram-se áreas de terreno para cultivo, prestando-se apoio na área agrícola e, finalmente, levou-se a cabo a construção de uma nova sanzala. A duas pessoas se deve tudo isto: Ao Cap Art Fernando Mira, Comandante da Companhia, como primeiro responsável, e ao Alf Mil Inf Eduardo Palaio, pelo empenho e dedicação, enquanto responsável directo pela Acção Psico-Social.

Não se estranhará, portanto, que, quando o Cap Mira, promovido a Major e, por esse motivo, colocado em Nova Lisboa, se viu obrigado a deixar o Tôto, tenha sido alvo de manifestações de apreço e de agradecimento espontâneo, de que as fotografias que acompanham esta nota são elucidativo testemunho. Praticamente toda a população do Tôto se deslocou ao Aeródromo de Manobra para se despedir, muitos levando-lhe os mais variados objectos – desde o frango ao leitão, que ele, obviamente, não pôde levar – como agradecimento por tudo quanto havia feito por eles.

Algumas mulheres da Sanzala fizeram questão de posar com o Cap Mira e insistem em que o Alf Palaio também fique na fotografia!!

Já no Aeródromo de Manobra do Tôto, rodeado de populares, um pouco antes de embarcar

VETERANO