Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Primeiro Natal Ultramarino

Votos de um Santo Natal

Na CArt 739 (e julgo que em todo o Bart741) predominava a gente do Norte. Minhotos, transmontanos, durienses, beirões… tudo gente de costumes enraizados, transmitidos ao longo de gerações, já que a televisão e, mais recentemente, a globalização das comunicações, ainda não abastardara a nossa cultura tradicional.

O Natal, à época, tinha um sentido que, hoje, já raramente se vai encontrando. O consumismo natalício chegou algum tempo mais tarde. As prendas, quando as havia, tinham subjacente uma ideia de utilidade e a festa propriamente dita tinha o cunho religioso do acontecimento que se comemorava. A ceia congregava a família – e quantos vinham de longe para estarem juntos… – e eram raros os locais onde se não terminava a noite sem a Missa do Galo. Era assim, então, pelo menos no Norte.

O Natal de 1965 foi, para muitos de nós, o primeiro passado longe da família. Um Natal diferente, pese embora não tivesse faltado o tradicional bacalhau cozido. Vivido entre camaradas de armas, em época de calor sufocante e com alguns receios à mistura (não fosse o inimigo aproveitar a data…). A saudade agudizava-se e, por vezes, verificava-se alguma “bebidazinha” a mais, geralmente sem consequências.

O Movimento Nacional Feminino enviou, a todos nós, um pequeno presente. Algum tempo antes, tinha passado pelo quartel uma equipa dos serviços de Informação do Exército que recolheu as mensagens destinadas às famílias dos soldados, que geralmente terminavam com o habitual “Adeus, até ao meu regresso”. Na CArt739 foi muito comentada uma de um dos nossos soldados - não nos recordamos de quem - que mandou saudades, não apenas para os seus familiares, mas também para os animais da casa, sobretudo para o seu burro!

Tivemos, porém, uma agradável surpresa. Havia, no local, uma enorme fazenda que pertencia a um tal Cid Adão, homem rico e um dos primeiros brancos – se não mesmo o primeiro – a estabelecerem-se por aquelas paragens. Por lá aparecia raramente, o que não impediu de recomendar ao seu feitor que nos fizesse chegar, se a memória me não falha, um abundante e variadíssimo cabaz de fruta que fez as delícias da tropa.

Quarenta e quatro anos depois queremos aqui deixar os nossos melhores votos, a todos quantos nos lêem, de um Santo e Feliz Natal gozado no seio amigo de suas Famílias.

VETERANO

P.S.

Daquele civil se contava uma pequena história. Um dia, em Luanda, alguém o apresentou a outra pessoa como “o Sr. Cid Adão, do Tôto”. O outro, interessado, perguntou-lhe imediatamente: Então o Sr. é que é o Cid Adão do Tôto? Ao que ele respondeu: Não, está enganado, o Tôto é que é do Cid Adão.

V.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Saudade e Folclore

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1965
Vista do Tôto

Havia quem dissesse que os períodos mais difíceis de suportar durante uma comissão no Ultramar eram os dois ou três meses iniciais e finais. Isto, obviamente, no que respeitava às saudades de casa, da terra e dos amigos e familiares que tínhamos deixado para trás quando embarcámos.

Hoje, tantos anos passados e por aquilo de que nos lembramos, reconhecemos que, efectivamente, tinha razão quem tal afirmava. Por vezes preferia-se estar fora, no mato, porque as preocupações da actividade operacional faziam, de algum modo, esquecer as saudades daqueles que nos eram queridos, saudades que regressavam em força quando, dentro do arame farpado, nos sentíamos mais tranquilos pela segurança que, geralmente, ele proporcionava. Como era o caso do Tôto.

Na messe de oficiais prestavam serviço, como ordenanças, dois soldados. Eram ambos minhotos de gema, um de Viana do Castelo – e que por isso, cremos, lhe chamavam o “Viana” - e um outro, ali dos lados de Guimarães, Horácio de seu nome. O “Viana”, tanto quanto nos constou, faleceu muito pouco tempo após o regresso, mas o Horácio felizmente vivo, é presença assídua nos nossos convívios anuais.

Sucedia, por vezes, reunirmo-nos na varanda que encimava as escadas exteriores de acesso à messe, aproveitando o fresco da noite, daquelas esplêndidas noites africanas onde miríades de estrelas, resplandecendo como diamantes, povoavam um céu infinito. Sem darmos por isso, a conversa, por vezes, esmorecia, porque a ela se sobrepunham as vozes daqueles dois, cantando em uníssono velhas canções do nosso folclore minhoto! No silêncio da escuta, o nosso pensamento rapidamente galgava a distância que nos separava de casa, trazendo-nos à memória, pais, namorada, mulher e, no meu caso até, o filho que ainda não conhecia. E a saudade recrudescia até o coração doer…

VETERANO

PS. Não queremos encerrar o postal sem deixar aqui a letra, tanto quanto dela nos recordamos, de uma das canções que o Horácio e o “Viana” cantavam. Julgamos tratar-se de uma canção popular bastante conhecida, mas foi, pela voz daqueles camaradas, que a ouvimos pela primeira vez. É que somos um citadino que só alguns anos depois descobriu o campo e toda a beleza que ele encerra (ou encerrava, já que a construção que por lá se vê não é, propriamente, paradigma do Belo. Enfim…).

Mas aqui vai o que nos recordamos:

Era meia-noite e cantava o cuquinho./Era meia-noite, no seu pinheirinho/Era meia-noite e cantava o cuquinho,/Cucu, cucu, cucu coitadinho!

Era meia-noite e cantava o grilinho./Era meia-noite, no seu buraquinho./Era meia-noite e cantava o grilinho,/Gri-gri, gri-gri, gri-gri coitadinho!

…E de mais não nos lembramos!

V.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"EM NOME DA PÁTRIA"

Tive, hoje, a honra de estar presente na sessão de apresentação do livro “EM NOME DA PÁTRIA” da autoria do Tenente-Coronel Piloto Aviador João José Brandão Ferreira, que se realizou no antigo Quartel-General da Região Militar do Porto, actualmente o Comando do Pessoal do Exército.

A apresentação do livro coube ao Dr. Miguel de Lucena e Corte Real, ilustre causídico e ex-combatente em Moçambique.

EM NOME DA PÁTRIA é um livro cuja leitura vivamente recomendo.

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