Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ainda a Operação Helitransportada. A descrição

Há quase um ano, em Abril de 2009, publicámos aqui a fotografia de uma operação helitransportada de que participou o 4º. Grupo de Combate, algures, no Norte de Angola.

Um dos nossos camaradas da escolta de viaturas tirou-a, a nosso pedido.

Muito recentemente, quando vasculhávamos os nossos arquivos, encontrámos umas quantas fotocópias que, há bastantes anos, nos foram remetidas pelo nosso querido amigo, o ex-Furriel Salema. Era o seu contributo para um livro, a escrever-se um dia, com a história da CArt 739, livro que nem iniciado foi e que este modesto blogue procura substituir.

Dentre as referidas fotocópias encontrámos umas quantas que foram extraídas do livro “Nas Três Frentes Durante Três Meses”, da autoria do jornalista do “Diário de Notícias” Martinho Simões. Relata, o autor, uma operação helitransportada, a que assistiu na companhia do, então, comandante-chefe das Forças Armadas em Angola, general Andrade e Silva.

Damos a palavra ao jornalista.

“As forças de assalto actuaram em perfeita segurança, beneficiando da acção do dispositivo da quadrícula, que organizara a contenção: um anel destinado a impedir a fuga dos terroristas; outro para evitar o seu reforço.

Viu, também, o jornalista a extraordinária eficácia dos helicópteros – instrumentos indispensáveis para este tipo de luta. A surpresa, a rapidez de colocação das tropas, a frescura dos combatentes são elementos essenciais para se alcançar o êxito, quando as dificuldades do terreno e as distâncias favorecem o inimigo. Eles são, na verdade, fundamentais para a obtenção de uma surpresa sem a qual esse êxito é muito aleatório e difícil de conseguir.

  • Chegada à base temporária

Muito cedo, um «Nord» descolou da Base Aérea de Luanda, rumo ao Norte.

A bordo, o general Andrade e Silva, os generais Soares Pereira e Almeida Viana, os brigadeiros José Vitoriano e Reis; o tenente-coronel Rangel de Lima; e o jornalista.

Algures, no Norte, o bimotor aterrou. Na placa de estacionamento, os helicópteros aguardavam.

Imediatamente, sem perda de um segundo, o general Andrade e Silva inteirou-se do modo como se iniciara a operação, para verificar se a execução estava de acordo com o planeamento antecipadamente aprovado.

Segundo o jornalista Martinho Simões, estão presentes, à direita, os generais Andrade e Silva, Soares Pereira e Almeida Viana. Também presentes os brigadeiros Vitoriano e Reis. Os oficiais do BART 741 estão, de frente, vendo-se: o Comandante, Ten-Cel Cabrita Gil estendendo a mão sobre as cartas (um caracteristico gesto seu), logo atrás encontra-se o 2º. Comandante, o Major José Soares e, ao fundo, de óculos, o Cap Fernando Mira, comandante da CArt 739.

Os helicópteros rolaram para a pista e subiram na vertical.

Por dois deles, visando razões de segurança, se distribuíram os oficiais generais. Acompanhei o comandante-chefe.

A rasar o solo, confundindo-se com a vegetação e os tons cinzento-acastanhados da superfície, os aparelhos dissimulavam-se através das linhas dos vales. Depois, flectiram, bruscamente, para a esquerda.

Poucos minutos volvidos, a base temporária estava a nossos pés, as viaturas alinhadas e as forças preparadas para a acção.

Poisámos.

  • O ataque principia

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As pás dos helicópteros giravam, na iminência da descolagem.

As equipas de combate correram para os aparelhos, vultos mal delineados na sombria agitação dos asfixiantes turbilhões de terra e plantas, que confundiam os contornos das coisas.

A primeira onda de ataque perdeu-se no horizonte. Ao ruído dos motores sucedeu a reconfortante acalmia do silêncio da espera.

Por escassos minutos, todavia, Os helicópteros regressavam e tornavam a partir. E outra e outra vez, até que, na base temporária, apenas ficassem as viaturas e os soldados que as guardavam.

  • Na «zona de morte»

Como os combatentes, também nós voávamos ao encontro do inimigo.

Entrámos na «zona de morte» e o general Andrade e Silva mandou que a altitude fosse diminuída para menos de vinte metros: queria que o jornalista se apercebesse, com nitidez, da acção, que se desenrolava lá em baixo.

Distingui os homens da primeira arrancada estendidos no solo, ao abrigo de pedras ou de simples arbustos, protegendo os camaradas que chegavam.

Os helicópteros nem tocavam no terreno. Vinham de súbito e os atacantes saltavam, de três ou quatro metros. Corriam agachados e tomavam posições.

Do ponto de desembarque, a manobra desenvolvia-se como uma estrela que vai alargando as pontas. Os soldados exploravam o terreno e, cuidadosamente, progrediam em pequenos lanços.

Saltando sobre o objectivo, na chamada «zona de morte»

A azáfama da guerra estava perante mim. Uma azáfama perfeitamente ordenada e controlada, cada oficial ou soldado consciente da sua missão, os mínimos gestos produto de um longo treino, qualquer movimento resultante da reflexão e do estudo.

A Arte de Combater apresentava-se na sua mais pura expressão e o quadro revestia-se de uma terrível beleza.

Circulámos demoradamente, antes de nos afastarmos em direcção às outras áreas da operação.

O planeamento cumpria-se em todos os pormenores. Não havia uma falha, uma hesitação. Os homens, as armas e as máquinas faziam um todo homogéneo, que significava, para o inimigo, a derrota inevitável."

(Com a devida vénia)

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