Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março

terça-feira, 8 de junho de 2010

Passeio De Avião A Preço De Cerveja!

Como aqui já referiu o Cel Nuno Anselmo, o nosso Comandante, TenCel Cabrita Gil “pelava-se” por fazer reconhecimentos aéreos.

Um belo dia, apareceu no quartel do Tôto, vindo do aeródromo de manobra lá existente, onde aterrara após uma manhã em que andara a sobrevoar as áreas das diversas Companhias do Sector que comandava.

Obviamente, foi convidado para almoçar na nossa messe, após o que se decidiu a efectuar um “revis” (a sigla que se usava para designar os tais reconhecimentos aéreos) sobre a AIL que havia sido atribuída à CArt 739, aquando da sua chegada ao Tôto, área essa ainda mal esquadrinhada pela tropa e onde efectuávamos a maioria das operações apeadas.

O “revis” era, geralmente, feito em pequenos aviões Dornier DO 27, julgo eu que muito manobráveis e, por isso mesmo, utilizados nestes reconhecimentos. As voltas, as subidas, as descidas, as passagens a rasar o solo, tudo era facilmente executado, permitindo observações bastante pormenorizadas.












Dornier DO 27 (Imagem retirada da Wikipedia)

Os DO tinham dois lugares voltados para a frente (um para o piloto e outro para um acompanhante) e mais dois atrás, todavia não lado a lado, mas virados um para o outro, resultando disso que um dos passageiros viajava de costas voltadas para o sentido do voo.

Atrevi-me a pedir ao TenCel Cabrita Gil que me levasse no “revis”, no que fui secundado por um outro camarada. O nosso Comandante acedeu sem relutância e dirigimo-nos para o aeródromo onde já nos esperava o piloto, que lá almoçara com os seus camaradas da Força Aérea. Iniciado o voo e indicada a área que pretendia observar, o TenCel Cabrita Gil abriu, o melhor que pôde, um mapa e foi dialogando com o piloto através da rádio interna (o barulho do motor era impeditivo de qualquer conversa sem aqueles meios). Concentrado no que fazia, ordenava voltas sucessivas sobre determinados locais, umas vezes à esquerda, outras à direita, as subidas e descidas que entendia convenientes, ora rasando a copa das árvores, ora, muito lá em cima, para uma observação de conjunto.

Cá atrás, nós os dois, íamos olhando o terreno pelas janelas laterais, tentando reconhecer locais por onde, eventualmente, havíamos já passado a pé. Distraído nessa observação, não dei pela indisposição do meu camarada (ficara com o lugar em que se viajava de costas) que, aflito, me tocou no ombro pedindo ajuda, fazendo sinal de que estava prestes a vomitar. Indiquei-lhe o escaparate onde se encontravam os sacos do enjoo, mas já não foi a tempo e o vómito espalhou-se pelo chão do aparelho.

Ou porque o nosso Comandante já tivesse visto tudo o que queria, ou por virtude do sucedido, regressou-se à base, onde o aparelho teve que ser devidamente lavado. Ora, mandava a tradição da Força Aérea que o “castigo” dos enjoados era o pagamento de uma grade de cerveja, circunstância a que o meu camarada não conseguiu furtar-se. Nem ao pagamento da cerveja, nem aos inúmeros comentários sarcásticos de que foi objecto!

Voar nestes pequenos aparelhos era uma experiência única e interessantíssima – obviamente para quem não enjoasse – pois dir-se-ia, sobrevoando uma picada a baixa altitude, que seguíamos num jeep! A aterragem era outra aventura. Este piloto, de quem não recordo o nome, fazia-a, por norma, junto ao desvio da pista para o hangar, travando imediatamente e derrapando para virar para o estacionamento. Era uma sensação, como agora se diz, espectacular e que recordo com muita saudade!

A Pista do Tôto
VETERANO

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