Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pelotão e Grupo de Combate

4º. Grupo de Combate da CArt 739
(É a foto do cabeçalho do blogue)
Por várias vezes tenho usado aqui, de maneira quase indistinta, a palavra Pelotão e a expressão Grupo de Combate, referindo-me ao conjunto de militares que comandei em Angola. Obviamente não se trata da mesma coisa, e isso foi muito evidente na minha Companhia.
Quando, em 1963, iniciei a minha vida militar recebi, à semelhança dos restantes camaradas, um pequeno livro intitulado "Manual do Oficial Miliciano", que muito útil me foi nos diversos Regimentos por onde passei. Desapareceu dos meus pertences quando estes foram recolhidos do quarto onde me encontrava alojado, quando adoeci e fui internado no Hospital Militar. Julgo que tentei arranjar um na Feira da Ladra, mas sem êxito.
Secção Ventura
Em pé: SoldApMet Dias, SoldAt Varandas, FurMil Ventura, AlfMilInf Silva Pereira, SoldAt "Mano"
SoldApMet A.D.Santos ("O Palhaço) e 1º. Cabo ???
Daquele "Manual" constava o modo como se encontrava organizado, à época, o Exército Português. Obedecia àquilo a que se chamava a "organização ternária", isto é, as unidades formavam-se por grupos de três unidades do escalão inferior. "Grosso modo" três soldados constituíam uma Esquadra, três Esquadras constituíam uma Secção, três Secções um Pelotão, três Pelotões uma Companhia e assim sucessivamente. A partir de determinado nível era acrescentado um grupo mais, geralmente de especialistas, pelo que a "organização ternária" não era exactamente "ternária". O BArt 741, por exemplo era constituído por três Companhias Operacionais e uma CCS (Companhia de Comando e Serviços). Por sua vez, cada CArt era formada por três Pelotões de Atiradores e um Pelotão de Acompanhamento (teoricamente especializado em armamento pesado de Infantaria e, geralmente, comandado pelo Oficial especializado em Minas e Armadilhas).

Secção Santa

1º.CabAt Manuel Pereira "o Bigodes", SoldAt Leite, SoldAt "o Maçarico", SoldAt Almeida, SoldAt Teixeira "o Arouca" e 2º.SargArt Santa

Ainda durante a instrução no RAL 1 constatámos que a organização clássica não era lá muito adequada à guerra do Ultramar justificando-se, portanto, mudá-la.Vi-me, repentinamente, a dar instrução a um grupo de cerca de 60 soldados, pois decidira-se criar três "Pelotões" com, apenas, 25 homens cada um, encaminhando-se o restante pessoal para o já referido Pelotão de Acompanhamento, onde receberiam instrução de diversas especialidades. Incluíram-se, no grupo, todos aqueles que se presumia não seguirem para o Ultramar por qualquer razão oficialmente aceite como, por exemplo, serem amparo de mãe ou já terem irmão mobilizado.

Secção Mouga

1º. CaboAt Sequeira, SoldAt Freitas, SoldAt Horta, SoldAt Santos, "o Porto", FurMilInf Mouga e SoldMecArmLig "o Braga"

Foi, apenas, durante a IAO - em que eu não estive presente - que se constituíram os chamados Grupos de Combate, pela transformação de cada um dos tais "Pelotões" num grupo formado por três Secções, cada uma das quais comandada por um Furriel (ou Sargento) e que integravam uns quantos elementos especializados em armamento pesado (metralhadora, morteiro e lança-granadas-foguete, vulgo, bazooka) que haviam sido treinados no meu Pelotão de Acompanhamento. Não foram atribuídos os restantes especialistas (escriturário, cifra, telefonistas, telegrafistas, enfermeiros, clarins, cozinheiros, condutores e mecânicos) que formaram equipas à parte e com escalas de serviço autónomas, bem como alguns militares atiradores que foram destinados a serviços do quartel (ordenanças, equipas de água e lenha, de caça e outras. Fruto deste conjunto de trocas, o Pelotão de Acompanhamento ficou estruturado de modo exactamente igual aos restantes, passando a designar-se por 4º. Grupo de Combate.

Algures, no Norte de Angola - 1965

Terreno limpo de capim, por queimada, e zona de floresta semi-tropical, coincidente com curso de água

Reconhecem-se: SolApMort David, 1º.CaboAt Manuel Pereira, SoldAt Horta, SoldAt Almeida e 1º.CaboAt Sequeira

Em resumo, a minha Companhia, a CArt 739, enquanto aquartelada no Tôto actuava com base em 4 Grupos de Combate, cada um dos quais constituído por três Secções com seis praças e um Sargento mais um Comando, que se compunha do Alferes comandante, e de um atirador especial, num total de vinte e três militares a que acresciam, nomeados por escala, um enfermeiro e um radiotelefonista, nas operações apeadas, perfazendo vinte e cinco homens. Os restantes especialistas eram atribuídos consoante as necessidades da operação em curso.

Mais tarde, instalando-me como Pelotão Independente (Mussende e Cubal) o Grupo de Combate foi reforçado com os necessários condutores, mecânico, telegrafista, cozinheiro, clarim, e demais pessoal, especializado ou não, retomando, então, a sua estrutura clássica de que tomara conhecimento no Manual atrás referido

VETERANO

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