Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

In Memoriam ---11 - Cel. José Francisco Soares

Faleceu, no passado dia 14, o nosso Comandante, o Coronel de Artilharia José Francisco Soares.
No dia 16, cerca da uma hora da tarde, recebi um sms do Cel Nuno Anselmo informando-me ter lido, no Diário de Notícias daquele dia a notícia do falecimento do nosso Comandante, o Coronel José Francisco Soares.

1965 - Vale do Loge

Fará, precisamente neste corrente mês de Setembro, 46 anos, que se constituiu, no RAL 1, o Batalhão de Artilharia 741. Mobilizado para servir no Ultramar por aquela Unidade, ali conheci o, então, Major Soares que substituía interinamente o Comandante TenCel. Cabrita Gil, que se encontrava em Angola.
Recordo, com grande precisão, o modo como foi sugerida a distribuição dos oficiais pelas diversas Companhias – os vários futuros Alferes escolheram o respectivo Capitão – modo este pouco usual, pelo menos até à altura, e, um pouco mais tarde, a sua insistência na instrução de tiro, bem como a imposição, praticamente diária, de treino de campo, reduzindo, ao mínimo imprescindível a actividade dentro dos muros do quartel.
Por razões de doença já aqui referidas, não acompanhei a parte final da instrução do Batalhão, nem a viagem para Angola, voltando, apenas, a revê-lo quando me apresentei no Vale do Loge, sede do BArt, vindo da Metrópole.
Durante o comissão o relacionamento com o Cel. Soares foi, obviamente, longínquo, tanto mais que, ao fim de cerca de um ano na Zona de Intervenção Norte, foram as Companhias espalhadas pela Zona Centro, todas elas muito distantes umas das outras. Apesar disso, foi, sobretudo, nesta última Zona, que o Cel. Soares desenvolveu intensa e notável actividade no sentido da fixação em Angola dos nossos soldados, muitos dos quais por lá ficaram a trabalhar nas mais variadas profissões.


1995 - Confraternização na Batalha

Uma maior proximidade verificou-se somente após o regresso do BArt por via das confraternizações que se seguiram. Sempre que lhe era possível – e quase sempre foi – nelas esteve presente. Teve sempre para comigo algumas frases de simpatia pelo trabalho e empenho na organização dos encontros anuais. E foi no fim de um desses encontros, que ouvi a frase que, quanto a mim, melhor define o Cel Soares: após se ter despedido de nós e afastando-se em direcção à saída, comentou, para mim, o Cel. Fernando Mira – ex-comandante da CArt 739 – ali vai um Homem Bom!
Recordo, com comoção, o dia em que, numa das conversas prolongadas que mantinha comigo naqueles dias de confraternização, se referiu a quanto lhe custara tomar a decisão de me castigar, em Angola. Por um lado, pelo bom trabalho que eu e os meus subordinados vínhamos desenvolvendo, e por outro, pela razão que me assistia na atitude tomada. Para quem não saiba, fui o único oficial que foi castigado no Bart 741 e a história conta-se em duas palavras.
Estando, um dia, de serviço ao quartel do Tôto, a um soldado, que não era do recrutamento inicial do BArt mas que lá havia sido colocado por castigo, recusei o pequeno almoço e expulsei-o do refeitório por atitudes incorrectas e indisciplinadas. O soldado queixou-se ao comandante da companhia e foi levantado o respectivo auto, até porque, como era meu dever, também participei a ocorrência. O inquérito concluiu, por um lado, pela indisciplina, sendo o soldado objecto de castigo e transferido para outra unidade e por outro, pelo excesso de autoridade, pois eu não poderia proibir quem quer que fosse de tomar a refeição a que tinha direito. Daí o castigo que me foi aplicado.
1999 - Confraternização na "Aldeia de Santo Antão"

2000 - Momento de recolhimento em homenagem aos camaradas falecidos

O Cel. Soares foi figura central nas nossas confraternizações, havendo sempre vários camaradas que me perguntavam, quando se inscreviam, se o Comandante estaria presente. Pelo meu lado, era sempre minha preocupação telefonar-lhe pelo Natal apresentando cumprimentos de Boas Festas. Compareceu, pela última vez em Viseu, no ano de 2007. Em 2008 telefonou-me, muito comovido, pedindo para transmitir a sua impossibilidade de presença, por razões de saúde.
E foi precisamente num desses contactos telefónicos natalícios que soube que o Cel. Soares havia caído de tal modo que batera fortemente com a cabeça. Fôra internado de urgência nunca, porém, recuperando totalmente as faculdades. Ultimamente, tanto quanto fui sabendo – telefonava com alguma frequência a saber do seu estado - vivia numa espécie de letargia, embora consciente.
2007 - Em Viseu. A sua última presença

Paz à sua alma!
VETERANO