Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Viagem a Carmona - Parte 3

O resto da viagem a Carmona não teve história. Pelo menos não me recordo de qualquer incidente ou peripécia eventualmente acontecida na parte final do percurso.

Lá chegados, fiz seguir o pessoal para o local onde os nossos carpinteiros trabalhavam, com a indicação de prepararem o regresso, carregando o material acabado e demais pertences. Pela minha parte fui apresentar-me ao Comando dando conta da minha missão e solicitar a indicação de um local onde pernoitar, visto não ser possível ter tudo pronto ainda naquele dia.

Foi-nos atribuído alojamento numa espécie de loja, de chão cimentado, de um qualquer edifício ocupado pelo Exército. Não estranhámos as condições, visto estarmos habituados a dormir no chão (1) e como vínhamos providos de rações de combate, tomámos uma rápida refeição e saímos para conhecer a cidade, dispersando-nos, enquanto a noite caía rapidamente.

Por muito que me pese, não tenho qualquer lembrança de Carmona. A impressão com que fiquei, e que, ainda hoje permanece, é a de uma cidade de nítidas características coloniais, sobretudo no que respeita às suas edificações. Pude, porém, aperceber-me do grande surto de desenvolvimento, à época, resultante, creio eu, da economia em período de guerra. Talvez por não ter levado comigo a máquina fotográfica, não possuo quaisquer fotografias de Carmona.

Deixo ficar aqui um vídeo, retirado do “youTube”, que já visionei várias vezes sem encontrar o que quer que fosse que despertasse a minha memória.



Deambulando pela cidade, eu e os dois ou três camaradas que me acompanhavam, acabámos por ir parar a um pequeno bar, onde, para surpresa e satisfação nossa, encontrámos uma das visitantes regulares do Tôto. Era uma das mais gentis, mas, permita-me quem me lê que me não demore na descrição das horas subsequentes. A sua alegria foi tal que insistiu em viajar connosco, no dia seguinte, de regresso ao Tôto. Assim sucedeu, disfarçada com um camuflado que alguém lhe arranjou. Os seus pertences vieram misturados com o diverso material carregado e a passagem pelo Vale do Loge – nova apresentação ao Comando – foi feita com o devido cuidado de se deixar longe das vistas o jeep em que viajava. Logo depois chegámos ao Tôto, mas o jeep só parou junto ao habitual alojamento, na fazenda do Sr. Cid Adão.

VETERANO

(1) Penso que dormi, durante a minha comissão, muitas mais vezes no chão do que, propriamente, numa cama. Uma ocasião, no Leste de Angola, em plena cidade do Luso onde nos encontrávamos em operações à ordem do Comando da ZIL (cujo estado-maior era, à época, chefiado pelo TenCel Craveiro Lopes, filho do ex-Presidente da República) foi-nos autorizado pernoitar no Grande Hotel. Pura e simplesmente não consegui adormecer naquele colchão, demasiado mole. Deitei-me no chão, ao lado da cama, onde dormi profundamente até à manhã seguinte.

V.

domingo, 26 de dezembro de 2010

CArt 3451 - Votos do Camarada Luis Cabral

COM VOTOS DE
E UM 2011 CHEIO DE SAÚDE.

AQUELE ABRAÇO DO LUÍS CABRAL - http://cart3451lucunga.blogspot.com/


Caro camarada Luis Cabral:
Em nome do pessoal do BArt 741 agradeço e retribuo os seus bons votos.

VETERANO

sábado, 25 de dezembro de 2010

Bom Natal 2010


Para todos

UM SANTO NATAL

Na impossibilidade de encontrar na net, para publicação, uma canção de Natal tradicional portuguesa, aqui fica um belíssima interpretação da mezzo-soprano Anne-Sophie Von Otter:
"Manhã de Natal"

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Votos dos Camaradas do BArt 2883

Do camarada Fernando David, do BArt 2883 (que também foi comandado pelo saudoso Coronel José Francisco Soares) recebemos a seguinte mensagem de Boas Festas:

Na pessoa do Autor do Blogue
desejo a todos os ex-militares do Bart.741
votos de Um Santo Natal e Feliz Ano 2011

Fernando David/Bart.2883

Por aselhice nossa, não fomos capazes de transferir, em tamanho adequado, a curiosa árvore de Natal, carregada de luminosos presentes, que anexou à sua mensagem.

Caro camarada Fernando David:
Em nome do pessoal do BArt 741 agradeço e retribuo os seus bons votos.

VETERANO

sábado, 18 de dezembro de 2010

Amores Rápidos

Um aspecto da "Sanzala Velha", o passeio da tropa, aos Domingos

A História de Humanidade é uma cronologia de conflitos. De início, pequenos grupos e, mais tarde, grandes exércitos, normalmente liderados por gente sedenta de poder e de riqueza, procuravam dominar-se uns aos outros. Multidões movimentavam-se de um lado para o outro, transformando-se, pela necessidade da conquista, em exércitos, não somente compostos por combatentes mas por um conjunto de heterogéneo de pessoas, onde as suas próprias famílias estavam incluídas.

À medida que estas multidões se foram especializando em exércitos de mercenários, nem por isso deixaram de ser acompanhados por um número importante de negociantes, artificies e vivandeiras (muitas vezes as próprias familiares dos comerciantes) que, entre outros negócios, exerciam também o da prostituição.

A prostituição, que sempre acompanhou os exércitos, criava problemas às altas chefias, devido, sobretudo, às numerosas doenças que propagava, a ponto de, muitas vezes, tornar inoperacionais unidades inteiras. Se, por um lado, a acalmia sexual proporcionada era benéfica para a moral do grupo, por outro, o inconveniente atrás referido tinha efeitos negativos sobre a capacidade bélica.

Muitos exércitos criaram, recorrendo sobretudo – mas nem sempre - às habitantes das regiões ocupadas, bordeis para militares, procurando gerir da melhor maneira aqueles aspectos. De qualquer modo, como é timbre da tropa, a iniciativa individual com mais ou menos risco e com mais ou menos êxito, lá ia resolvendo a questão.

Helena, a "amiga" dos militares, aqui numa festa tradicional!

A nossa Guerra do Ultramar não foi excepção. No Norte, onde as populações regressadas reorganizaram a sua vida junto dos aquartelamentos, não era para admirar que se estabelecessem relações de maior proximidade entre a tropa e a população. No Tôto, por exemplo, era ver, ao Domingo, toda aquela tropa de “ponto-em-branco” a passear pela sanzala velha…

O Tôto tinha, porém, uma particularidade que era a de receber, com determinada periodicidade, um grupo de mulheres, umas naturais da Província e outras, metropolitanas, que se instalava num alojamento alugado ao feitor do Sr. Cid Adão, proprietário da fazenda local. Depois…era o corrupio daqueles militares que, à custa de algum sacrifício nas “cucas” e “nocais”, tinham juntado o suficiente para o “affair”.

Algumas das visitantes eram particularmente bonitas e deixaram marcas no coração de alguns militares. Elas, pelo seu lado e em muitos casos, também não foram insensíveis à juventude daquela tropa!

Enfim! Embora rápidos, foram…amores!
Outro aspecto da "Sanzala Velha"

VETERANO

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010