Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março

sábado, 31 de dezembro de 2011

Votos de Ano Bom

Apesar da Esperança ser pouca, mesmo assim, ela é a última a morrer!

Votos de um Bom Ano de 2012

a todos quantos visitam este blogue

VETERANO

domingo, 25 de dezembro de 2011

Boas Festas!


Um Santo Natal

São os meus sinceros votos a todos quantos me honram com as suas visitas!

Saudações natalícias aos autores das "Outras Odisseias", aqui ao lado!

E, finalmente, um especial abraço para os meus Camaradas do Batalhão de Artilharia 741.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A Leste Algo de Novo...Parte 5 - A Última Operação

Posto Administrativo
As fotografias deste postal foram tiradas no decurso da última operação que realizei na Zona de Intervenção Leste. Não tenho a menor lembrança da missão atribuída nem me recordo dos objectivos que me foram fixados. Olhando as fotos, revejo, em memória, as pessoas, o local, mas muito poucos factos.

À medida que o tempo de comissão se aproximava do fim eram cada vez mais evidentes o cansaço e a saturação. O entusiasmo havia decrescido ao longo de todos aqueles meses. Dissera, uma vez, o Dr. Terrinha que estava já provado, serem os primeiros dois meses e os últimos três os mais "stressantes" das comissões, mesmo que a parte final fosse em zona de paz. Mas, ali no Leste, naquela imensidão quase deserta, era como se vivêssemos numa espécie de sonolência, em que a percepção da realidade envolvente se esbatia fortemente.
Um aspecto da localidade
Por qualquer razão que desconheço, o nome do local que me vem à memória é Alto Kuito. Procurei no Google Earth a localidade, mas não encontrei este nome. Recordo-me, apenas, que ficava para os lados de Nriquinha, bem lá nos confins do Leste angolano. Hoje, nem sequer posso garantir a certeza do nome.

Recebi, pois, uma ordem de operações, para fazer não sei já o quê. A ténue lembrança que tenho era de me deslocar àquela localidade e, a partir daí, irradiar. Com algum objectivo, certamente, mas, como disse, não recordo qual. Sei que partiram dois Grupos de Combate que, a avaliar pelo número de viaturas utilizadas (julgo que, somente, três Unimogs, um dos quais com atrelado e um Jeep), estariam bastante incompletos ( o meu, o 4º. GC e o 2º. GC, do AlfMilInf Palaio). O Alf Palaio não participou e o único graduado que me acompanhou terá sido o FurMilInf Pontes, que era do 2º. GC.
A prisão
Era suposto, tanto quanto ainda me recordo, interrogar uns presumíveis "turras" presos naquela localidade e explorar, seguidamente, as informações conseguidas.
Até à localidade nada sucedeu. Passámos por algumas povoações - a população não abandonara os quimbos, mesmo após o deflagrar das operações no Leste - sem nada acontecer de especial, salvo o constante atascamento, até aos eixos das viaturas, naquelas estradas de areia  e atingimos a localidade onde ainda se encontrava um Chefe de Posto Administrativo, com quatro ou cinco sipaios. Não me lembro do nome do Chefe de Posto que, como se pode ver nas fotos, tocava muito bem viola, tendo animado, desta forma, algumas daquelas noites em que, por lá, permanecemos.
O Chefe de Posto, tocando viola
Identifico: "Mano", Pinheiro, ?, Mendes (que cantava muito bem fados de Coimbra), ?, Martins, David, ? e Sequeira
Sentado, ostentando as famosas e alentejanas suíças, o FurMilInf Pontes 
"Mano", Pinheiro, Mendes  - a seguir 3 caras de que não recordo os nomes - David, Sequeira, Leite, Almeida e um último, que também não identifico.
Leite, Varandas, ?, Agostinho,?, e o SoldCondAuto "Sarilhos", quando cantava um fado
Não sei o que sucedeu depois, embora possa presumir ter recolhido a possível informação e desencadeado qualquer tipo de actividade. Não me lembro qual.

Apenas me recordo de ter sido avisado pelos condutores-auto da inexistência de gasolina na localidade - havia um posto que já não era abastecido há bastante tempo - os camiões-tanques da gasolineira não se atreviam a ir  ao local - restando-nos, a determinada altura, a gasolina estritamente necessária para o regresso (deixei alguma ao Chefe de Posto, recordo-me, para a única viatura que lá existia). A localidade havia sido praticamente abandonada pela população, quer de origem europeia, quer de origem africana, mas o Chefe de Posto, manteve-se nela, apesar do risco.
Coluna em ordem de marcha
Dadas as circunstâncias relativas ao combustível decidi terminar as operações que desencadeara - não me  recordo se com qualquer êxito - e regressar ao aquartelamento do Lucusse.

Quando cheguei ao quartel tive a curiosidade de verificar o número de quilómetros percorridos e registados no conta-quilómetros: foram cerca de 2000 Km o que, à primeira vista pode parecer excessivo, mas não é. Eram dias inteiros a andar de viatura por aquelas terras onde se não via vivalma.
Uma saída (ou, talvez, o regresso)
Com grande surpresa, mas com enorme alegria(1), verificámos já lá se encontrar a Companhia que nos viera render, encontrando-se já transferido todo o material com excepção daquele que vinha comigo. A minha tarimba já tinha outro ocupante e os meus objectos pessoais encontravam-se arrumadas num canto, graças aos cuidados dos dois soldados que ajudavam na Messe (o Horácio e o "Viana"). Assim, e tal como os meus soldados, dormi, mais uma noite, no chão. Feita a transferência em falta, salvo erro no dia seguinte partimos para o Luso - onde chegámos no Dia de Natal de 1966 e onde tomámos conhecimento do ataque à Vila de Teixeira de Sousa - para embarcar num comboio do Caminho de Ferro de Benguela, que, numa viagem de cerca dois dias e meio (se bem me lembro) nos levou até Benguela onde rendemos a tropa local.

Pouco tempo depois, fui destacado para a Vila do Cubal. 
VETERANO
(1) - Devo fazer uma confissão: recordo bem um estranho e dificilmente definível sentimento, misto de antecipada saudade e, também, de alguma pena, ao ver chegado o dia da partida. Deixava, para sempre, um lugar que, apesar de inóspito, havia ajudado a construir e onde, num pequeno obelisco, ficara a memória do "Palhaço".
V. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1 de Dezembro de 1640 - Restauração da Independência

PORTUGAL, SEMPRE !
VIVA PORTUGAL !

sábado, 19 de novembro de 2011

Bellum Dulce Inexpertis*

* A guerra só é doce para os que não combatem!  

Tôto - Porta de Armas
Uma das rotinas mais frequentes durante o tempo de comissão no Tôto era a escolta de protecção à coluna de abastecimentos que, regularmente, como aqui já referi, trazia de Luanda tudo quanto era necessário à tropa do Sector. No perímetro do Quartel do Tôto existia um Destacamento de Intendência (à época, inicialmente comandado pelo Alferes Lucena - irmão de outro Lucena, também Alferes que, vim a encontrar no Luso e que, mais tarde, foi figura mediática do programa do Raul Solnado, A Visita da Cornélia - e posteriormente, pelo Alferes Fronteira - amigo actualmente residente no Canadá e a quem devo resposta a alguns mails(1) que me dirigiu) e um Pelotão de Apoio Directo, inicialmente sob o comando do Alferes Braga, meu concidadão do Porto e, posteriormente, pelo Tenente Pesca).

As escoltas às colunas de reabastecimento tinham uma escala própria, independente da escala da actividade operacional e da actividade de serviço ao quartel. Em teoria, a "coisa" funcionava assim: partindo do principio de que estaria sempre fora, em operações, um dos Grupos de Combate(GC) - o que, nem sempre acontecia por ser frequente a saída de dois, em conjunto - os restantes GC que permaneciam alternavam o serviço de dia e de piquete. O GC de serviço ao quartel, na jornada diurna, mantinha uma Secção à porta de armas, distribuindo-se, o restante pessoal, por diversas actividades. Mal caía a noite, seguiam várias Esquadras (1 Cabo e 2 (ou 3 ?) Soldados) para as altas torres de vigia. O GC de piquete, assegurava, para além de outras tarefas, a água e a lenha, estando, porém, alerta para o que desse e viesse. Quando regressavam, os GC do mato entravam de serviço, nesta escala e os outros saiam para operações na área atribuída.
Quartel do Tôto
Vista do exterior: Torres de vigia, e, ao longo da cerca de arame farpado, uma sucessão de postes com lâmpadas eléctricas (a fazendo do Cid tinha um gerador e fornecia electricidade ao quartel )
Se, porém, no período acontecia chegar uma coluna de reabastecimento - julgo que vinha uma de quinze em quinze dias - 2 dos GC naquele momento em permanência no quartel eram destinados à escolta, escolhendo-se, tanto quanto possível, os que não tivessem feito a escolta anterior. A movimentada rotação operacional deveria alterar, com grande frequência, esta rotina, mas procurou-se sempre distribuir estas situações mais dificeis e perigosas com a maior justiça possível.

De qualquer modo, havia sempre a possibilidade de se fazer uma escolta, pelo menos uma vez por mês.

Como escrevi acima e em virtude da elevada periculosidade da operação, justificava-se o empenhamento de dois GC. Não tanto pela área de actuação em si, mas, sobretudo, pelo facto de se tratar de uma operação demasiado denunciada. Toda a gente tinha conhecimento da chegada da coluna - escoltada por GC de Quibala - e, obviamente, sabia-se que a mesma regressaria, ou no dia seguinte ou dois dias depois, já me não recordo bem.
Unimog de Escolta
Da Esq para a Dir: 1º.CabAt (?), SoldAt Varandas, FurMilInf Carlos Ventura, 1ºCabApMort David, SoldAt "o Mano", o autor do blogue e o SoldCondAut (?)
Geralmente o meu GC fazia a escolta em conjunto com o 2º. GC, do Alferes Palaio que era mais antigo do que eu e, portanto, a comandava. Sucedia, porém, que àquele meu camarada estava atribuída a Psico-Social que, ali no Tôto, havia abraçado um grande empreendimento - a construção da nova sanzala - o que o empenhava seriamente e lhe ocupava quase todo o seu tempo. Pelo meu lado, responsável que era pelo material de guerra, uma vez organizado e arrecadado o equipamento não usado, devidamente conferido, e construído um paiol que não existia, a minha tarefa tornou-se rotineira, quase limitada ao remuniciamento dos GC e à burocracia da justificação dos gastos. Várias vezes aconteceu ficar o Alferes Palaio às voltas com o seus afazeres psico-sociais, seguindo eu no comando dos dois GC.
A nova Sanzala
A deslocação não era dificil nem, podemos dizê-lo, arriscada em demasia. O risco advinha das circunstâncias da própria operação, resultante de factores intrinsecos: uma coluna muito "comprida", com as viaturas militares intercaladas nas civis, ausência de meios-rádio capazes de estabelecer contacto entre as diversas viaturas (tinhamos, apenas, um ANGRC9, que era montado numa das viaturas e servia para o contacto com os quarteis, e um ou dois THC (habitualmente usados para contactar com os meios aéreos). Uns tempos mais tarde recebemos uns pequenos rádios, mais parecidos com intercomunicadores, a pilhas, mas que tinham um alcance muito curto, incompatível com as distâncias a que as viaturas seguiam.
Regresso a Quibala da coluna de reabastecimentos
Comandar, nestas condições, era algo dificil, pelo que a nossa esperança era o bom treino da tropa e que ela fosse capaz de responder a um ataque localizado, por exemplo, à cauda da coluna, pois até à chegada de socorro eficaz, passaria, ainda, algum tempo. Depois, organizava-se, como melhor entendíamos dever ser, aquela extensa fila de viaturas, intercalando, aqui e acolá, os Unimogs (antes eram Jipões), deslocando-se o da "breda" para o meio da coluna, para, tanto quanto possível, cobrir o início e o fim dela, abriam-se os cunhetes das granadas de morteiro e, lá íamos nós, com fé em Deus e na sorte. A verdade é que, num ano de comissão, não fui (não fomos, melhor dizendo) atacados uma única vez, o que se atribuia, não tanto à protecção divina, mas mais ao excelente trabalho que se fazia no Tôto, com a dignificação e a promoção social da população.
A Breda
Aqui, como apontador, o SoldApMetPes Manuel Marques Santos que foi, durante a comissão, o encarregado da minha protecção pessoal(vulgo guarda-costas)
Havia, porém, ao longo do percurso, uns quantos quilometros antes de chegar a Quibala, uma zona fortemente arborizada e onde a estrada descia para, um pedaço adiante, voltar a subir. Era o sítío ideal para uma emboscada, que podia ser referido como o exemplo de uma boa escolha de terreno, num qualquer manual da luta de guerrilha. Claro que, antes de avançar naquele local, paravam-se as viaturas, promovia-se a aproximação das atrasadas e fazíamos aquelas centenas de metros com outra precaução (2).

Quibala era um aquartelamento JC e a impressão que sempre me ficou era a da soturnidade. Isolado nos meio de alguns montes, mais ou menos cobertos de capim e com a floresta tropical sobretudo nos vales. Chegados lá e após o abastecimento, tratávamos de regressar de modo a não apanhar a noite pelo caminho, sobretudo no lugar atrás referido.
Quibala Norte
(foto de: Carlos Fonseca, da CArt 738)
Sucedeu uma vez, por nos termos descuidado um pouco mais com a hora do regresso, que chegámos ao tal ponto mais perigoso precisamente à hora do rápido lusco-fusco ( nos trópicos, como se sabe, a noite cai bruscamento, não havendo, praticamente, crepúsculo) A viatura da frente parou para permitir a junção das restantes. Seguíamos já de farois acesos e, qual não é a nossa surpresa, quando, do lado direito da estrada, nos apercebemos de um grupo razoável de pessoas que se dirigiam, precisamente, para a estrada. Na realidade, não víamos as pessoas, mas, detectámos as luzes das lanternas que empunhavam. O grupo apercebeu-se da chegada das viaturas, parou, mas, curiosamente, ninguém apagou as luzes das lanternas Pelo nosso lado, decidimos avançar lentamente, com as viaturas distanciadas, embora não demasiado e, mantendo os faróis acesos. Dei instruções para ninguém disparar, mandei apontar a "breda" para o local das luzes e preparar o morteiro de 60". Percorremos aqueles metros em tensão máxima, sempre de olhos fixos no grupo, o qual, pelo seu lado, estaria a passar por momentos semelhantes (tinha, como disse, parado e mantinha-se na expectativa). Percorridas as centenas de metros da zona florestada, sem que nada acontecesse, regressámos à marcha normal e deixámos, quem quer que fosse, seguir ao seu destino. Uma espécie de tréguas locais.

Ainda hoje me interrogo se fiz bem ou se fiz mal! Seria minha obrigação tomar a iniciativa do combate, por razões de dever militar. Por outro lado, porém, tal atitude provocaria, quase certamente, mortes que, julgo eu, poderiam ser evitadas. A verdade é que o grupo IN terá pensado de forma semelhante e, depois de passarmos, terá prosseguido para o seu destino, não derivando, quer para atacar o quartel de Quibala, quer o do Tôto (3). Presumo que pretenderia alcançar o Congo - razão porque caminhava no sentido do Norte - Mesmo em combate, há necessidade de alguma preparação psicológica para proceder de determinada forma. Se tivessemos saído para uma operação de patrulhamento, teria, estou crente, agido de outra maneira. Mas como a missão era a simples escolta da coluna de abastecimentos e a preparação tinha sido nesse sentido, embora com dúvidas, estou convencido de ter agido correctamente.

(1) Caro Emanuel: Aqui vai, com um grande abraço, o meu pedido de desculpas.
(2) Nunca utilizei, porém, o processo de apear o pessoal e progredir, de ambos os lados da estrada, paralelamente às viaturas. Por qualquer razão entendia não haver vantagem nisso.
(3) Durante bastante tempo não me largou a ideia de que, por minha culpa, aquele grupo poderia ter atacado qualquer das nossas unidades aquarteladas na ZIN. Sem confessar o "pecado", lia os PERINTREP (se a memória me não atraiçoa, era assim que se chamavam uns documentos periódicos que a CArt recebia com um resumo da actividade, quer das nossas  Forças, quer do IN) a ver se constava qualquer acção que se pudesse relacionar com aquele grupo. Tal, porém, nunca sucedeu. Ficaria, em caso contrário, com remorsos para toda a vida.

VETERANO

domingo, 30 de outubro de 2011

Mussende Revisitado - Parte 5 - Procissão em Honra de Santo António

A Cidade e o Concelho onde exerço o meu dever de cidadania estiveram recentemente, nas "bocas do mundo" - que é como quem diz, nas páginas dos jornais - pelas piores razões possiveis: enriquecimentos ilícitos e elevadas suspeitas de corrupção, para além da circunstância da Câmara Municipal se encontrar em situação financeira tão ruim que o plano de saneamento financeiro anda em bolandas há quase um ano. Afora uma "virose" que me apanhou desprevenido, foi esta a principal razão da minha ausência deste blogue, durante o mês que amanhã termina.
Assim e para compor o Outubro, aqui vai mais uma "revisita" ao Mussende. Aproveitando a colocação de mais umas quantas fotografias da procissão por alturas das festas de Santo António, transcreverei alguns comentários que se encontram demasiado "escondidos" nos postais para onde foram enviados, pois considero que vale bem a pena, dar-lhes alguma notoriedade. 

Procissão em honra de Santo António
Saída da Capela
Procissão
Início
Procissão
Os Soldados Carregam o Andor
(Da esq. para a dir. identifico: SoldTeleg ?, SoldMecAut ? (à civil), SoldAtInf Santos"O Porto", SoldAtInf "O Mano", SoldAtInf Martins". Em primeiro plano, à civil, SoldAtInf Sabido.
Procissão
Uma fase do percurso
O Missionário Holandês, de venerandas barbas brancas!
Grupo de Belezas Locais
Selecção de Comentários
Os Comentários que se seguem foram retirados de vários postais colocados, ao longo do tempo, neste blogue. O critério de selecção foi, exclusivamente, o terem sido escritos por pessoas do Mussende ou que lá viveram ou que ainda lá vivem e que manifestaram satisfação pelas recordações despertadas.

Allmcn disse...
Caros veteranos
Ao visualizar vosso Blogue fiquei emocionado com as fotos antigas retratando aquilo que foi não só o Mussende nos anos 60 mas também vossa jornada.
Não sou veterano mas sim nascido em Mussende em 1975.
Gostaria que pudessem publicar mais fotos destas paragens para conhecermos melhor sobre o passado dessas terras.
Estive em Mussende no passado dia 11 de Novembro. Se me permitem farei upload de algumas fotos do Mussende hoje.
22 de Novembro de 2010


Luis Miguel disse...
Considero-me um sortudo por me ter sido dada, por contingências naturais da vida, a possibilidade de constatar a obra deixada neste imenso Território por homens que, na sua maioria de origem humilde cuja simplicidade e conhecimentos na arte de trabalhar a terra e transformar recursos naturais existentes em cidades e vilas que são hoje o orgulho deste País, conquistaram de forma indelével o coração deste Povo.
Escalei o Mussende (Vila), como tantas outras municipalidades do interior de Angola, na execução de trabalhos de renovação e requalificação urbana.
E resolvi ficar. Esta pequena povoação ainda é um cruzamento de estradas, mas é precisamente esta particularidade que a vai, num futuro próximo se houver vontade politica dos Órgãos do Poder Central e Local, transformar num forte pólo de desenvolvimento para esta região, pelo menos assim espero.
Confirmo a passagem esporádica pela Vila dos filhos do Leitão, o Zé e o Armindo. Este está estabelecido no Lobito, com uma empresa de obras públicas. Tenho conhecimento que recuperou a fazenda do pai localizada no Muxito, pequena povoação localizada na estrada (picada) que liga o Mussende ao Libolo, foi-lhe entregue também uma residência, no centro da Vila para os compensar da perda do estabelecimento do Pai, que entretanto já foi toda reabilitada pelo Armindo Leitão.
Este blogue foi e é de muita utilidade para mim porque me permitiu uma visão histórica do local, condição importante para a realização do meu trabalho.
A todos quantos calcorrearam as Terras do Mussende no cumprimento de uma obrigação ou destino os meus agradecimentos pelas imagens e conhecimentos transmitidos.
21 de Dezembro de 2010



Luciano Luís disse...
Regozijo-me em aceder a esse blogue e parabenizo sinceramente o seu dono por esta inédita iniciativa. É sim tempo de recordar o passado desta vila e sobre esse passado comçarmos a reconstruí-la bém como a construí-la, ela que é realmente linda e humilde vila assentada sobre o solo mais rico da província e celeiro da nação angolana,sendo nós, os seus filhos,a sua primeira riqueza. Para que ela se desenvolva, temos que ser nós a retirá-la do abandono em que se encontrava pelo menos até o fim da gurra. sigamos o exemplo da sua actual Administradora que tudo faz por ela e de Dom benedito Roberto que para o desenvolvimento integral de todo o município e não só, hoje mesmo, dia 28 de Agosto de 2011, fundou a sua Missão, passando de Centro Missionário de Santo António para Missão Católica de Santo António de Mussende, depois que reabriu o no domingo passado, a Missão Católica de São João de Brito-Chengue.Agradecendo-vos uma vez mais despeço-me respeitosamente;
31 de Agosto de 2011


Luciano Luís disse...
Tem boa memória do Mussende! Aquelas construções e as duas antenas que aí aparecem são recentes. Mas é exactamente a área do antigo posto administrtivo que como o quartel, deixou simplesmente de existir. Algumas paredes que aí se viam eram da escola no pátio da qual está até hoje o pequeno campo de futebol a que se referiu e as do hospital que ficava depois do posto administrativo,no sentido de quem vai para Malange. As árvores que se vêm no meio, são as que circundam a pequena piscina que estava em frente do posto administrativo.
31 de Agosto de 2011


L.K.Luís disse...
Gostariamos também, Sr.Veterano, para além da recordação, alguns extractos da história dessa vila e do seu povo, se aí tiver alguma matéria nesse sentido. A que se tem aqui é muito superficial e quase sem grande fundamento.
20 de Outubro de 2011
VETERANO

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Soldado Artur Dias dos Santos! PRESENTE!


Artur Dias dos Santos, o "Palhaço"

45º. Aniversário da sua morte em combate no Leste de Angola

"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

Um patrulhamento na área do Mussende
Mariano Machado (Haco)
Na foto, o "Palhaço" está na parte de trás do «jeep». Da esquerda para a direita: o SoldConAut "Compadre", o FurrMilInf Carlos Ventura, o seu Comandante de Secção, e,  junto à roda, o pequenito "Atraso de Vida".


"In Memoriam"
"Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Norte - Nomadização na AIL - Encontro Acidental

Local do encontro acidental
Ficou no ar, aquando do último postal, a descrição de uma operação de nomadização que o 4º. GC da CArt 739 realizou na AIL. Recordo-a com mais nitidez do que outras situações semelhantes, onde, por vezes, as lembranças se misturam.  
A AIL tornara-se, com o tempo, em uma zona de passagem assaz frequentada. Havia, pelo menos quatro anos, que por aqueles lados ninguém era incomodado pela nossa tropa e, creio bem, as acções da FAP não seriam assim tão frequentes que perturbassem o trânsito de pessoas. No terreno medrava o capim que, na época própria era objecto das características queimadas, deixando aqueles pequenos montes negros de cinza, e onde os trilhos se destacavam com enorme nitidez. De quando em quando, entre dois montes, uma zona de floresta cerrada e verdejante indicava a presença de água (1)
Chegada ao ponto de irradiação. Resolve-se um pequeno problema com o bipé de uma FN de cano reforçado
Na imagem, da esq. para a dir.: 2º. SargArt Santa, SoldAtInf Teixeira "O Arouca", FurMilInf Ramos, SoldAtInf Freitas, o autor do blogue, SoldAtInf Pinheiro, 1º.Cabo.ApMort David, SoldAtInf Felisberto(do 3º.GC) e SoldCondAut Fernandes "O Sarilhos"(2).
Não me recordo há quanto tempo vínhamos caminhando quando me decidi tirar a fotografia que abre o presente postal. Como se pode ver, subíamos uma encosta, não muito acentuada e, no preciso momento em que os soldados da frente atingiam o cume dão de caras com um indígena armado - um "turra", como era habitual alcunhá-los - que vinha, pelo trilho, em sentido contrário, acompanhado de um pequeno rapaz. A reacção à surpresa, em ambas as partes foi mais ou menos como segue: o "turra" fugiu imediatamente, encosta abaixo, na direcção da floresta, o rapaz ficou estático, absolutamente aterrorizado, os dois ou três soldados da frente desataram a correr atrás do "turra" - sem êxito, diga-se, desde já - e a tropa seguinte preocupou-se imediatamente com a possibilidade de vir mais gente e avançou a passo apressado, posicionando-se um pouco adiante. Ninguém disparou! Tentei tirar alguma informação do rapazito, mas ele estava incapaz de responder fosse ao que fosse. Todo ele tremia e se urinava! De tal modo estava assustado que me causou sincera pena. Chamei, entretanto, os soldados que perseguiram o "turra" e arrancámos a passo apressado na direcção de onde ele proviera. O miudo, preso, salvo erro, por um cinto, seguiu a reboque de um soldado. 
Transmite-se ao grupo a Ordem de Operações
Da esq. para a dir.: SoldAtInf "Mano", 1º.CaboInf ?, 1º.CabApMort David, SolInf Mendes "O Queijo", o autor do blogue, 2º.SargArt Santa, SoldAtInf Teixeira "O Arouca", SoldAtInf Freitas, SoldAtInf MMSantos, SoldEnf Manuel, 1º.CaboMecArmLig "Braga", SoldApMetPes Dias e 1º.CabInf Sequeira

Orientação
Não muito tempo depois e após uma deslocação silenciosa, começámos a ouvir vozes, tudo levando a crer estarmos a aproximarmo-nos de um acampamento/aldeamento qualquer. Subitamente, o espaço abriu-se à nossa frente e deparámos com um conjunto de cubatas e, muita gente entregue aos seus afazeres. Quem ia à frente - já não me recordo quem -  parou e pediu instruções. Dei ordem para avançar e entrámos, correndo, por lá dentro, em altos brados, abrindo-se o grupo em leque de maneira a ocupar o maior espaço possível, como, aliás, treináramos algumas vezes. A surpresa foi completa - temêramos que o fugitivo do encontro tivesse tentado alertar o aldeamento, mas não o fez. Quem estava mais afastado do local da nossa entrada reagiu fugindo e escondendo-se no meio do capim. Os mais próximos, nem se mexeram. Juntámos os que pudemos, prendêmo-los com algumas cordas que encontrámos, fizemos uma rápida revista às cubatas e regressámos rapidamente por onde viéramos, com um grupo razoável, embora não muito numeroso e algumas armas. Decidi abortar a nomadização e regressar ao quartel, visto estarmos referenciados. Não foi disparado um único tiro!
Um "alto" para a refeição. Da esq para dir: SoldAtInf Teixeira "O Arouca", o autor do blogue, 1ºCabMecArmLig "Braga", 1º.CabInf ?, SoldAtInf Freitas e SoldAtInf MMSantos
Um pequeno episódio sucedeu comigo. Enquanto parte da tropa perseguia os fugitivos e arranjava forma de prender quem apanhava, e outros revistavam as cubatas, iniciei o interrogatório de quem me parecia ser a personagem mais importante. Pouco ou nada adiantou o interrogatório. Todavia, desviando dele a atenção para decidir sobre qualquer coisa, o individuo em causa tentou apanhar uma espingarda que tinha perto de si, encostada a uma árvore e na qual não havíamos reparado, no meio de toda aquela confusão. Felizmente para mim, não conseguiu os seus intentos, pois o soldado encarregado da minha protecção apercebeu-se da tentativa e agrediu-o, aliás de maneira pouco violenta. Uma pequena coronhada ou um safanão, não me recordo já, foi quanto bastou para findar a veleidade. Em toda a operação, para além deste, não se registou mais qualquer outro caso de violência.
O "pequeno turra" fotografado no Vale do Loge
Tanto quanto me recordo, chegado ao quartel e feito o meu relatório, saiu para a zona um outro GC da CArt. Não tenho qualquer lembrança dos resultados dessa outra operação. Os presos foram encerrados numa espécie de prisão que existia junto à porta de armas, algumas mulheres que tinham vindo foram deixadas na Sanzala Velha e assumimos o sustento do miudo. Aliás, nunca se adaptou e, algum tempo depois, deixámo-lo também ir viver para a sanzala. Vinha todos os dias ao quartel, tal como muitos outros miudos, buscar as sobras do rancho, não manifestando, porém, qualquer empatia para com o pessoal do meu GC.
VETERANO       
Um "alto", em plena floresta, junto ao rio, para abastecimento de água
(1) A água era mais uma das muitas preocupações de quem comandava. Um dia ou dois de fome era coisa fácil de aguentar - havia sempre o recurso à fruta ou à mandioca - mas, a sede, essa era impossível. Um dia inteiro a andar, sob o sol ardente, obrigava a enorme consumo de água. E, uma vez mais, só a experiência me ensinou como proceder: seguindo pelos trilhos na direcção definida, de vez em quando abordava um dos vales onde a floresta vicejava, quase com a certeza de, lá bem no fundo, encontrar água. Não me recordo desta percepção ter, alguma vez, falhado embora, numa determinada ocasião, tivessemos passado uma horrorosa noite de sede, cuja história contarei qualquer dia (as recordações são como as cerejas...).     
V.
(2) Acrescentado o nome do SoldAntInf Felisberto Caetano Paulo(3º.GC), por indicação do camarada Luís Gonzaga, em 30.11.11.
Enchendo o cantil
PS - Desta vez julgo ter exagerado um pouco com várias fotografias onde eu me encontro. Por vezes sucedia emprestar a câmara fotográfica ao meu FurInf João Mouga a fim de eu próprio poder ficar retratado. Aliás, era melhor fotógrafo do que eu.
V.  

domingo, 11 de setembro de 2011

Norte - Nomadização Na Área De Intervenção Livre

Paisagem do Norte de Angola

Como qualquer outra actividade, a técnica das acções de contra-guerrilha aprende-se, sobretudo, com a prática. Por muita teoria – e mesmo alguma prática -  que pudéssemos trazer das unidades militares metropolitanas, a realidade, obviamente muito diferente, é que acaba, finalmente, por nos ir ensinando.

De início, há uma horrível sensação de medo que a tudo se sobrepõe. A pouco e pouco, porém, vamo-nos descontraindo, o que, se por um lado é bom e necessário, por outro, pode contribuir para um exagero de auto-confiança, origem de algumas atitudes descuidadas que, em não poucos casos, tiveram desfecho desagradável.

Com o tempo, vamos aprendendo pequenos truques, vamos moldando atitudes, apurando os sentidos e criando hábitos. Há uma constante melhoria da interacção com a Natureza – em termos militares: com o terreno – que vai permitindo cumprir a missão, com o menor risco possível.

Um dos grandes problemas iniciais com que me deparei foi o da progressão no terreno. Na qualidade de “maçarico”, levando como lição aprendida a orientação por bússola, tirava um azimute e ali íamos nós a direito, por montes e vales. Se o IN tivesse que fazer tanto esforço, como nós fazíamos para nomadizar, com certeza desistiria da guerrilha ao fim de um mês. Todavia, adaptado como estava ao seu terreno – nascera nele – tinha desenvolvido, ao longo de muitas gerações, algumas técnicas muito simples.

Lembrei-me, a determinada altura, de uma banda desenhada que tinha lido há já bastante tempo. Era sobre a vida de Baden-Powell o fundador do movimento escutista. Já não me recordo a que propósito explicara ele que “em África, o caminho mais curto entre dois pontos, contrariamente ao que se pensa não é uma linha recta, mas sim uma linha curva”. Tão estranha foi a declaração que a fixei, mas, agora que lá, por África, me encontrava, acabei por dar razão a Baden-Powell.

Na Zona de acção da minha Companhia e, julgo eu, que em todo o Norte de Angola  e quiçá ainda, na África de clima tropical, o terreno caracteriza-se por uma sucessão de pequenas colinas que se assemelham entre si, na altitude. Com frequência, todavia, surgem vales, por vezes profundos, onde há quase sempre um curso de água. Por vezes também, elevam-se montes rochosos, com vertentes quase a pique, de difícil acesso e que se destacam nitidamente da monotonia das colinas. Logo a seguir, porém, regressa a sucessão destas, até ao próximo monte ou ao próximo vale.

A experiência acumulado por gerações de indígenas ensinou-os a atingirem determinado destino, não em linha recta como, à primeira vista parece mais fácil, mas contornando as sucessivas colinas por linha de cota (curva de nível), geralmente a meia altura, encontrando-se sempre uma ligação entre as colinas sem ter que descer ou subir demasiado, que é, afinal, o que custa fisicamente, sobretudo quando se vai carregado. Não importa as voltas que se dão. 
Por vezes parece que andamos para trás, mas rapidamente se encontra uma ligação e logo outra a seguir, que nos levam na direcção pretendida. Julgo que foi a observação deste facto que esteve na origem da afirmação de Baden-Powell.

Progressão de um Grupo de Combate por trilho a meia encosta


Em tempo de guerra, porém, as coisas não são assim tão simples. O recurso ao trilho indígena arrastava consigo o perigo da mina anti-pessoal. Tirara a Curso de Minas e Armadilhas e ficara relativamente bem familiarizado com a eficácia daquela terrível e traiçoeira arma. A opção inicial do "corta-mato" tinha muito a ver com o receio de que, utilizando os trilhos, acabasse, alguém do meu grupo, por detonar alguma.

Como já referi noutro local, a CArt recebera uma AIL que deixara de o ser, alargando, para esses lados, a sua nomadização. O meu raciocínio, bom ou mau, foi o de entender que, se durante alguns anos - de 61 a 65 - nenhuma tropa apeada tinha passado por aqueles sítios, não seria natural a minagem dos itinerários, os quais, aliás, eram frequentemente utilizados pelo IN. Ciente disto, passei a usar os trilhos, normalmente bem vincados, frescos e bem batidos. Estava certo, pois em toda a comissão não tive uma única mina anti-pessoal (e também anti-carro), pensando eu  que se conjugaram diversas circunstâncias favoráveis – como as acima referidas – com alguma (muita) sorte. Ainda hoje, quando penso nisto, sinto um arrepio de apreensão.

A técnica era simples: as viaturas deixavam-nos no ponto previamente definido, analisava a fotografia aérea e definia a direcção pretendida. Iniciava-se a corta-mato, até encontrar um trilho. Com o capim alto, era mais difícil, mas, após as queimadas, os trilhos, de cor mais clara, distinguiam-se perfeitamente da cinza escura e, nessa circunstâncias, tudo era mais fácil. Encontrado o trilho, seguia-se, por ele, para os locais pretendidos.
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Era para referir, com este postal, uma das mais interessantes operações que realizei no Norte e que terá acontecido aí pelo fim da época das chuvas. Percorrido o álbum de fotografias, retirei a que encima este postal. Durante muitos anos estive convencido de que aquela foto havia sido obtida na operação que pretendia narrar. Observando-a com mais atenção, concluí, com pena, que assim não era. Por fim, o introito alongou-se demasiadamente, inviabilizando, pelo menos por agora, a narração. Mas a foto aqui fica porquanto, de algum modo, exemplifica - juntamento com a outra  -  o que atrás escrevi.

VETERANO

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma Viagem ao Calulo

Penso tratar-se da única fotografia tirada no Calulo, mas não tenho a certeza se, de facto, se trata do Calulo. Nela pode ver-se o "Mano" e o "Compadre" sentados à mesa e, atrás, um camarada, que não era do 4º. Pelotão, trajando à civil (e por isso penso que se trata efectivamente, da viagem aqui descrita). Será que alguém me poderá confirmar?

Quando o BART 741, findo o seu primeiro ano de comissão, trocou a Zona de Intervenção Norte pelo Centro de Angola (ver, AQUI uma excelente, embora breve, descrição dessa viagem), a minha Companhia, a CArt 739 aquartelou no Calulo e, quase sem parar, o Pelotão que eu comandava seguiu para o Mussende aonde chegou quase ao fim do dia. Fomos, como geralmente sucedia, recebidos com o entusiasmo próprio de quem vê, finalmente, quase cumprida a sua comissão e imagina já as alegrias do regresso próximo. Para nós, que chegávamos, era mais uma etapa mas, desta vez, sem grandes riscos.

O que para aqui agora interessa é referir que não cheguei a conhecer o Calulo.

O tempo foi passando com a lentidão aparente característica das pequenas localidades. Participava de um ou outro patrulhamento, correspondia ao convite de alguns dos fazendeiros dos arredores e ia caçando alguma coisa. Entretanto, o Comandante da Companhia, CapInf Ramiro M.Nascimento foi substituido pelo CapArt Tito Bouças (já General, comandou a Região Militar do Norte, em cujo QG cheguei a visitá-lo) que quis um dia, surpreender o Pelotão com uma visita não anunciada. Tanto quanto sei, pois encontrava-me ausente, terá manifestado o seu desencanto relativamente à localidade e, sem grande demora, regressou ao Calulo.

Por esse motivo, só conheci o novo Comandante algum tempo mais tarde. O Cap Tito Bouças era apenas um pouco mais velho do que nós e, tanto quanto me recordo, ainda solteiro, factos que, sem qualquer dúvida, terão contribuído para despertar a curiosidade feminina local, principalmente, de tudo quanto era menina casadoira. Verdade ou mentira, o certo é que, um belo dia, recebi uma mensagem no meu posto de rádio do Mussende, convidando-me para a festa de aniversário do Cap Tito, festa essa organizada pela sociedade civil do Calulo, mais propriamente, a ala feminina e casadoira já referida.

Vivia connosco um pequenito mulato, a quem alcunháramos de "Atraso de Vida". Padecia de ambliopia, mas era bastante querido por todo o grupo, grupo que se não privava de lhe ensinar toda a sorte de palavrões e de ditos menos próprios. Um dos vários que o rapaz tinha aprendido era a resposta à inevitavel pergunta "quem é o teu pai?". Imagine-se a hilaridade daquela tropa, quando ele, com a maior das inocências respondia: «é o c******». Enfim, brincadeiras. Nihil novum sub sole.

O "Atraso de Vida" foi encaixado no jeep e lá partimos para o Calulo, no dia aprazado. Pelo caminho, encontrei o Dr. Terrinha, tendo sido protagonista de mais um episódio com certa graça que deixarei para mais tarde. Já no Calulo, fui informado de que o Cap Tito deveria encontrar-se no local escolhido para a festa, ainda em fase de preparação. Para lá partimos e entrámos num pequeno salão, onde se dispunham sobre uma comprida mesa, as mais variadas iguarias, destacando-se, aos fracos olhos do miudo, o incontavel número de rebuçados e de pequenos doces espalhados sobre a toalha. O"Atraso de Vida" não viu mais nada, correu para a mesa e desatou a atestar os bolsos com tudo quanto podia apanhar, obviamente depois de ter enchido a boca com aquelas maravilhas que, jamais, havia visto.

As jóvens presentes acharam imensa graça, rodearam o "Atraso de Vida" e, enquanto o ajudavam a meter a doçaria para os bolsos fizeram-lhe as perguntas sacramentais: "Então, meu menino, como te chamas?" "Atraso de Vida", mal pôde responder o garoto, entretido a comer. "E, olha, quem é o teu pai?".
A resposta, inocente e dita com toda a naturalidade, foi a que se esperava, o que não diminuiu o interesse pelo pequenito que continuou muito acarinhado.

O "Atraso de Vida"
(O "Atraso de Vida" ficou na Casa do Gaiato de Benguela. Gostava bastante de saber o que terá sido feito dele)

Infelizmente para ele - e para nós também - naquele preciso momento fui chamado à presença do Cap Tito Bouças - que, só nessa altura conheci - o qual me ordenou o imediato regresso ao Mussende, a fim de, sem mais demoras, partir para Nova Lisboa, a caminho do Leste angolano. Por aquela mesma altura, acontecia o episódio AQUI narrado.

VETERANO

In Memoriam --- 12 - José Fernando da Silva Pereira Vaz

Não me recordo do Vaz, dos tempos da comissão. Como, aliás, de muitos outros camaradas, relativamente a quem, apenas após o regresso, as sucessivas confraternizações permitiram um relacionamento mais próximo. A triste notícia do seu falecimento é-nos dada aqui, no SPM 8146, por quem o conheceu bem. 

Regresso e Agradecimento

Não passei muito bem, nos últimos tempos. Terminada que foi a organização da última confraternização do BART 741, causas várias, umas de saúde, outras de carácter pessoal e familiar conjugaram-se de tal modo que me afastaram da escrita que vinha mantendo neste blogue. Cansaço e desânimo, sobretudo. Nada relacionado com este "hobby", mas foi nele onde tudo se reflectiu.

Julgo que a crise está ultrapassada e quero agradecer publicamente ao Carlos Fonseca o enorme contributo para tal. O Carlos Fonseca honra-me, sobremaneira, seguindo este blogue e estranhou a ausência. Levou a amabilidade ao ponto de me contactar telefonicamente para se informar da minha saúde. Seguiu-se uma conversa que, embora longa, nos pareceu curta, e que teve o mérito de reavivar o entusiasmo moribundo. Necessitei ainda de alguns dias para terminar uns assuntos com prazo marcado. Eis-me, de regresso!
VETERANO

sexta-feira, 10 de junho de 2011

DIA DE PORTUGAL


Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Os Lusíadas - Canto VII-Estância 3

"Poucos Quanto Fortes" era o lema do BART 741

sábado, 7 de maio de 2011

CONFRATERNIZAÇÃO 2011 - Fotos, Mais Umas Quantas...Para Acabar!

Manuel Pereira (CArt739) e elementos da organização (Pinto, Martins e o autor do blogue)
Os confraternizantes começam a chegar. De chapéu, reconhece-se o Sabido (CArt739)
O Cel Ramiro M Nascimento junto à mesa da organização
Mais camaradas da CArt 739: Rafael e Carlos, com os organizadores
Carlos, Rafael e Pinto
Mais presenças
Ex-AlfMilInf Amaro, Cap José Lago Queirós, Cel Nuno Anselmo, ?,? e ?
Vários camaradas cujos nomes não recordo
Entre outros, ex-AlfMilInf Fagundes e ex-AlfMilInf Casimiro, ambos da CArt 738
Grupos à conversa
Vários aspectos das mesas
O autor do blogue, na sua intervenção
Pinheiro, Benjamim e ex-FurMilInf José M. Catuna
Cel Fernando Mira e Cel Ramiro M Nascimento (ambos da CArt 739)

NOTA: À medida das possibilidades, procederei às identificações em falta
VETERANO