Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

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domingo, 24 de fevereiro de 2019

In Memoriam --- 19 - SEBASTIÃO JOSÉ TERRA FAGUNDES

No decurso da organização da Confraternização do corrente ano, fomos confrontados com a triste notícia do falecimento, no passado dia 22 de Novembro de 2018, do nosso Camarada Sebastião Fagundes.

O infausto acontecimento foi-nos comunicado pela Viúva, no seguimento da carta-convite da confraternização que, oportunamente, havíamos remetido. O autor do blogue  deu imediato conhecimento do triste facto a alguns camaradas mais íntimos, nomeadamente aos camaradas da CART 738 à qual o Fagundes pertenceu.

Conheci o Sebastião Fagundes, se a memória me não trai, no Centro Militar de Educação Física e Desportos (CMEFD), anexo à Escola Prática de Infantaria, de Mafra, onde um numeroso grupo de Aspirantes Milicianos prestava provas de selecção para os cursos de Minas e Armadilhas ou de Operações Especiais. Ambos previlegiámos as provas do Curso de Minas e Armadilhas, acabando por irmos frequentá-lo em Tancos, na Escola Prática de Engenharia, seguindo-se, no fim do Curso, a apresentação no RAL 1, por alturas de Setembro de 1964 e, obviamente, a colocação em CART's diferentes.

O relacionamento, quer no RAL 1, quer. mais tarde, em Angola foi diminuto, devido à dispersão das Companhias. Verdadeiramente, só após o início das Confraternizações é que nos fomos conhecendo melhor - acabei por saber, até que, o Fagundes, tal como o subscritor, era funcionário bancário e, ao que penso, até do mesmo Banco, trabalhando ele, em Lisboa e o subscritor no Porto.

Um camarada que o conheceu muito melhor do que o autor do blogue, escreveu AQUI, uma breve nota sobre o Sebastião Fagundes, realçando o seu entusiasmo pelo seu desporto de  eleição.

Descansa em Paz, Caríssimo Fagundes!  

VETERANO    

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Soldado Artur Dias dos Santos! PRESENTE!


Artur Dias dos Santos, o "Palhaço"
52º. Aniversário da sua morte em combate, no Leste de Angola

Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda!

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt einen Kameraden" (Eu tinha um camarada)

sexta-feira, 16 de março de 2018

Soldado Manuel Sousa Pinto! PRESENTE!


Faz hoje 53 anos que faleceu, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

Manuel Sousa Pinto

 que fazia parte do 4º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Soldado João Grilo Moreira! PRESENTE!

Faz hoje 53 anos que faleceu em combate, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

João Grilo Moreira

 que fazia parte do 1º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)


sábado, 18 de março de 2017

Soldado Manuel Sousa Pinto! PRESENTE!


Faz hoje 52 anos que faleceu, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

Manuel Sousa Pinto

 que fazia parte do 4º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Soldado João Grilo Moreira! PRESENTE!

Faz hoje 52 anos que faleceu em combate, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

João Grilo Moreira

 que fazia parte do 1º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

In Memoriam - José Arnaldo Martins Carneiro

Faleceu ontem de madrugada e foi hoje a inumar, o Arnaldo Carneiro, que fez parte do meu Grupo de Combate (o 4º Grupo da Companhia de Artilharia 739). A triste notícia fora-me comunicado pelo seu Neto, logo pela manhã de ontem.

Na pequena localidade onde vivia e onde toda a gente se conhece, uma pequena multidão juntou-se para o acompanhar à sua última morada. Eu próprio me desloquei do Porto, acompanhado do Gonçalo Almeida e da sua Mulher, a D. Piedade, bem como do Artur Pinto (o pequeno grupo organizador das confraternizações anuais do BArt 741) para assistir às exéquias e participar no seu funeral. Outros camaradas de armas lá se apresentaram também, o Pinheiro, o Oliveira, O Leão, o Cunha e o Espinheira (também acompanhado da sua Mulher) que era um amigo do Arnaldo desde, salvo erro, os tempos da recruta. A amizade, cimentada pelo perigo ( e só quem "fez" a guerra sabe o que isso é !), permaneceu sempre grande: ao longo destes cinquenta anos não limitaram a sua convivência às confraternizações anuais, antes, foram muitas as vezes em que as duas famílias se encontraram, ora na casa de um ou na do outro.    

Não me recordo quando o Arnaldo Carneiro chegou ao meu Pelotão no, então, Regimento de Artilharia Ligeira 1, a nossa Unidade mobilizadora. Não faz parte do grupo cuja fotografia se encontra na coluna da direita sob  o título "Por Onde Andará Esta Gente", mas admito que terá chegado num segundo grupo de recrutas, posteriormente redistribuído pelor Pelotões por razões operacionais.

De facto, naquele tempo, fui encarregado de instruir um numeroso grupo de recém-chegados recrutas no que respeitava ao armamento "pesado" de Infantaria: Metralhadora, Lança-Granadas-Foguete (vulgo, bazuca) e Morteiro. Muitos desses recrutas foram, mais tarde, completar os outros Pelotões como "especialistas" neste tipo de armamento. Alguns, como é evidente, permaneceram no meu próprio Grupo de Combate (agora sim, já se pode chamar assim), ficando a Companhia com quatro grupos homogénios em homens e equipamento.

Penso que o Arnaldo Carneiro terá sido integrado no grupo de instruendos de bazuca, pois, em Angola, pertencia à Secção do 2º Sargento Fernando Santa. Curiosamente, a arma nunca terá sido usada, nem mesmo em carreira de tiro. Era incómoda de transportar em missões apeadas, sobretudo em zonas densamente florestadas, e não demorei muito tempo para abandonar o seu uso, aumentando o número de granadas de-mão e de metralhadoras ligeiras - FN's de cano reforçado e bipé. 

Pelas razões apontadas, o Arnaldo Carneiro, tal como a maioria dos seus camaradas, acabou por se acomodar à sua FN, como se pode ver na fotografia acima.

A CArt 739 foi aquartelada no Tôto, tendo-se logo iniciado um vasto programa de apoio social à comunidade indígena que vivia nos arredores do quartel. Consistia ele na organização e exploração de uma grande lavra para o cultivo de frescos de que a tropa necessitava e cujo pagamento. o nosso Comandante de Companhia, o Capitão Fernando Mira, impunha que fosse destinado, pelo menos em parte, para a compra dos materiais de uma casa de tipo europeu. O trabalho da construção seria fornecido pela tropa, gratuitamente.

O Arnaldo Carneiro foi um dos escolhidos para colaborar no programa, pelos seus conhecimentos de marcenaria. Ele e uma meia-dúzia de outros militares, deslocaram-se, a determinada altura, para Carmona, lá ficando aquartelados, procedendo ao fabrico de janelas e portas. Mais tarde, foram recolhidos - foi, precisamente, o meu GC que os foi buscar e ao material - e regressaram ao quartel. Depois das portas e janelas terem sido colocadas, voltou a integrar a sua Secção.

Passámos cerca de um ano na localidade referida, findo o qual o Batalhão foi ocupar uma vasta área na Zona Centro, perfeitamente pacificada. O 4º GC foi colocado no Mussende distante da sua Companhia cerca de 150/200 Km. Tinha prometido ao pessoal uma situação repousante, de modo a que pudéssemos todos, descansar do enorme esforço desenvolvido no Norte. O serviço era simples: uma Secção de serviço e outra em patrulhamento, caso houvesse viatura em condições.

A situação durou menos de três meses. Recebemos, então, ordem de partir para a Zona Leste, devendo encontrarmo-nos  com a restante Companhia em Nova Lisboa. Seguiram duas Secções - uma delas incluía o Arnaldo - e parte do Comando, por necessidade de deixar o Quartel do Mussende ocupado. De Nova Lisboa seguimos para o Luso e, posteriormente, para o Lucusse, onde ficámos como tropa à disposição do Estado-Maior da Zona, vulgo, tropa de Intervenção.

No Lucusse construiu-se (talvez melhor dizendo, montou-se...) um aquartelamento JC pré-fabricado em madeira. Uma vez mais a habilidade do Arnaldo Carneiro foi posta à prova, juntamente com camaradas com outras qualificações (trolha e pedreiro, sobretudo). Como cada GC construía a sua caserna, terminadas estas intensificou-se a actividade operacional, na nossa zona próxima e, mais distantemente, isoladamente ou em coordenação com Comandos, Fuzileiros e Paraquedistas. Numa dessas muitas operações faleceu um especial amigo do Arnaldo Carneiro, o Soldado Artur Dias dos Santos, o "Palhaço".

Por alturas do Natal, fomos transferidos para Benguela, o que se processou através de uma viagem de comboio de cerca de dois dias e meio. o 4º GC, de Benguela partiu para o Cubal uma pequena e bonita cidade. Foi lá que passámos o Carnaval daquele ano de 1967. Um dia, chegaram os "Maçaricos" para nos renderem, regressámos a Benguela de onde partimos, pouco depois, para Luanda, a fim de regressarmos à Metrópole onde chegámos a 9 de Março de 1967.

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Passado algum tempo, não sei exactamente quanto, aproveitando uma pequena lista de endereços que possuía, acrescida com mais alguns que fui recolhendo, realizei, nos arredores do Porto um jantar de confraternização. O número de confraternizantes era reduzido (não sei se chegaria aos 20), e resumia-se a alguns residentes na cidade do Porto e uns quantos nos arredores de Paços de Ferreira e de Lousada, entre os quais o Arnaldo Carneiro.


Foi a partir daqui que o relacionamento com aquele pequeno grupo de camaradas se intensificou. Recordávamos os bons e os maus momentos passados e íamos transmitindo, uns aos outras, a nossa evolução pessoal. Quase todos, senão mesmo todos, haviam casado, entretanto. O Carneiro foi um deles. Ele e a excelente Esposa que teve a sorte de encontrar, inciaram, construíram e consolidaram uma Família que é modelar. Mas não só: profissionalmente progrediu e autonomizou-se criando, sem dúvida com grande esforço, uma indústria de marcenaria de elevado nível, reconhecida pela Autarquia que, oficialmente, lhe concedeu um distinção de Mérito.

Em 2014 a nossa confraternização anual realizou-se em Fátima e o Arnaldo não faltou como, julgo eu, nunca faltara antes. Terá seguido, segundo creio, na excursão do Pinheiro e, quando se despediu, findo o convívio, foi com um "até para o ano", como habitualmente fazia.

Pouco tempo depois tomei conhecimento que o Arnaldo havia sofrido um AVC  quase logo seguido de um outro que o afectaram profundamente, sobretudo pela paralisia superveniente. Toda a Família conjuga esforços e, durante cerca de dois anos e meio, rodeiam o Arnaldo de todos os cuidados necessários ao seu estado, 

Hoje, finda a Missa fúnebre, despedi-me do Arnaldo Carneiro com um "Até breve"! Deus tenha em Paz a sua Alma!

VETERANO
     

NOTA 1 - Este postal foi escrito em data posterior àquela em que consta como tal.
NOTA 2 - Este postal ainda é um esboço e irá ser, sem qualquer dúvida, várias vezes actualizado. Feliz ou infelizmente, as minhas muitas obrigações, sobretudo familiares, não me deixam grande tempo livre para me dedicar, com a necessária calma, à escrita. Para me sentir mais comprometido, aqui fica a minha promessa de dar ao blogue mais algum do meu tempo disponível. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Soldado Artur Dias dos Santos! PRESENTE!


Artur Dias dos Santos, o "Palhaço"
50º. Aniversário da sua morte em combate, no Leste de Angola

Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda!

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt einen Kameraden" (Eu tinha um camarada)

quarta-feira, 16 de março de 2016

Soldado Manuel Sousa Pinto! PRESENTE!


Faz hoje 51 anos que faleceu, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

Manuel Sousa Pinto

 que fazia parte do 4º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Soldado João Grilo Moreira! PRESENTE!

Faz hoje 51 anos que faleceu em combate, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

João Grilo Moreira

 que fazia parte do 1º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)

domingo, 18 de outubro de 2015

Soldado Artur Dias dos Santos! PRESENTE!


Artur Dias dos Santos, o "Palhaço"
49º. Aniversário da sua morte em combate, no Leste de Angola

Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda!

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt einen Kameraden" (Eu tinha um camarada)

segunda-feira, 16 de março de 2015

Soldado Manuel de Sousa Pinto! PRESENTE!


Faz hoje 50 anos que faleceu, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

Manuel Sousa Pinto

 que fazia parte do 4º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Soldado João Grilo Moreira! PRESENTE!


Faz hoje 50 anos que faleceu em combate, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

João Grilo Moreira

 que fazia parte do 1º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)

sábado, 18 de outubro de 2014

Soldado Artur Dias dos Santos! PRESENTE!


Artur Dias dos Santos, o "Palhaço"
48º. Aniversário da sua morte em combate, no Leste de Angola

Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda!

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt einen Kameraden" (Eu tinha um camarada)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

In Memoriam - António Ramalho Pedro Serrador

Faleceu, no passado dia 13 de Abril, o Serrador, que foi Furriel Miliciano Mecânico da CArt 739. A triste notícia foi-me comunicada pelo AlfMilSap António Relvas, ambos residentes no Distrito de Coimbra.

Somente conheci o Serrador quando cheguei ao Tôto. Como especialista que era, chegara ao Batalhão apenas aquando da I.A.O., juntamente com as praças que compunham a sua equipa (condutores, mecânicos, desempanadores, etc.). E, como já tenho referido, a I.A.O. decorreu no período em que estive internado no Hospital Militar do Porto.

Foi o Furriel especialista com quem melhor me relacionei. Não necessariamente por razões  que tivessem a ver com as respectivas actividades, mas pelo facto trivial de lhe ter sido distribuído um quarto, junto à Porta de Armas, onde, além dele e salvo erro, dormiam também mais dois Furriéis, um dos quais, o Ventura, que era do meu Grupo de Combate. O Ventura, de quem, aliás, o Serrador se tornou muito amigo. passou alguns meses em extrema depressão. Durante esse tempo, o Serrador suportou, com paciência única o constante mau-humor do Ventura, os seus achaques de desespero e de desesperança. Foi um grande e belo exemplo de amizade e de camaradagem!

Recordo que, quando nos deslocámos para o Centro, foi com o meu Pelotão ao Mussende receber o material auto, e isto depois de uma estafante viagem que culminou, ainda nesse dia - ou, melhor, noite e já adiantada... - com o regresso ao Calulo.

Desmobilizados, passaram-se muitos anos até voltar a vê-lo. Nas minhas andanças a estabelecer contactos para a organização das confraternizações, fui descobri-lo  num  pequena terra, ali, entre Coimbra e a Figueira da Foz. Consegui arrastá-lo para a confraternização do ano seguinte, com a promessa de fazê-lo encontrar-se com o seu velho amigo Ventura, que ele nunca mais vira desde que desembarcara. E assim aconteceu, num comovente encontro de velhos camaradas.

Após algumas presenças anuais, deixou de comparecer, apesar da omnipresente carta-convite que nunca deixei de enviar.

Deus lhe dê o Eterno Descanso!
VETERANO

sexta-feira, 1 de março de 2013

In Memoriam - Cap Art José do Lago Queirós

Fomos hoje surpreendidos com mais uma triste notícia: a do falecimento, no dia de ontem, 28 de Fevereiro, do Cap José do Lago Queirós, que pertenceu à CArt 740. A má nova foi-nos transmitida pelo Júlio Duarte, seu camarada da mesma Companhia e seu vizinho.

Que Deus lhe dê o eterno descanso!

Do CelArt. Nuno Anselmo recebemos o seguinte texto, que nos apressamos a publicar:

Esta notícia deixa-me muito triste, pois considero que o capitão Queirós, para além de fazer o favor de ser meu amigo, foi o meu primeiro e principal professor, na vida militar, na área administrativa.

Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje, das enormes dificuldades que na altura sentia quando me foi dada a missão, embora ainda Alferes, de ir comandar a CART 740. Coloquei essas enormes dificuldades, pessoalmente ao então Comandante da Região Militar de Angola, General José Eduardo Reverendo da Conceição, quando visitou a sede do Batalhão em Junho ou Julho de 1965 e na véspera de ir para a CART 740, ao Comandante do Batalhão. Ambos não só não me deram qualquer apoio como ainda me disseram que tinham outras preocupações e eu assim que fosse o Comandante da companhia era como se fosse um capitão…

Quando após a partida do capitão Amaro, fiquei a comandar a CART 740 a primeira conversa que tive com o então 1º Sargento Queirós foi mais ou menos nestes termos: 

         "Queirós quanto à parte operacional eu não tenho qualquer problema e como tal tudo irá decorrer como até então, agora quanto à parte administrativa eu não sei nada, pois nada me tinha sido ensinado até então e o Queirós terá que me ensinar e ambos iremos cumprir a nossa missão".

A receptividade do Queirós a este me pedido e desabafo, contrastou gritantemente com a frieza para não dizer desprezo dos meus superiores perante a situação. Não só se disponibilizou de imediato, como SEMPRE se empenhou em pleno na sua nova tarefa durante o resto da comissão e todos os problemas administrativos foram resolvidos sem qualquer problema. Para além disto ainda me ensinou (e muito bem) a interessar-me e gostar de saber o modo como daí em diante deveria começar a estudar os assuntos da área administrativa.

Ao longo da minha vida militar foram muitos os momentos em que me lembrei do meu grande amigo e professor Queirós e que o elogiei . Julgo que lhe mostrei pessoalmente durante os nossos convívios esta minha gratidão, mas sinto que lhe deveria ter dito mais vezes e com maior ênfase este incomensurável agradecimento. Deus sabe quanto lhe estou reconhecido e o muito que lhe agradeci e ainda agradeço.

Que descanse em paz pois deixou neste mundo muitos amigos!
Carnaxide 2MAR2013
Nuno G.C. Anselmo
Alf/Ten/ Cap CART 740

sábado, 4 de agosto de 2012

In Memoriam --- Cel. Fernando José de Almeida Mira


Regimento de Artilharia Ligeira 1

Numa manhã de Setembro de 1964, eventualmente uma segunda-feira, apresentei-me no Regimento de Artilharia Ligeira 1, na Encarnação, em Lisboa, mobilizado para servir no Ultramar. Julgo ter lá chegado cerca das 9 horas da manhã, depois de uma viagem de comboio até Santa Apolónia e de outra, de táxi, para o Regimento. Na Messe, encontrava-se apenas, um Oficial, salvo erro ainda vestido à civil, com quem entabulei uma conversa de circunstância, mas, poucos minutos depois chegou um outro que foi recebido pelo primeiro com um sonoro "Rúbi" de amizade e de camaradagem. Eram os Capitães de Artilharia, Fernando Mira, e Rubi Marques, ambos mobilizados para o mesmo Batalhão, velhos amigos do mesmo curso da Academia Militar.

Ao longo das horas foram chegando outros Oficiais e um número grande de Aspirantes, alguns dos quais já conhecia. Alojados e fardados, reunimo-nos, de novo, na Messe e, a determinada altura, um Major (era o Major José Francisco Soares, o 2º. Comandante) informou-nos da razão da nossa presença ali: iria ser constituído o Batalhão de Artilharia 741. Apresentou-nos, de seguida os Comandantes das três Companhias operacionais que o constituiriam e, contrariando o uso habitual, sugeriu que fossem os Aspirantes a escolher os respectivos Comandantes. A minha escolha recaiu no CapArt Fernando Mira, precisamente aquele mesmo Oficial que se encontrava na Messe quando cheguei, facto que, inequivocamente, pesou na decisão.

O CapArt Fernando Mira, mais idoso do que os seus Aspirantes uma boa dúzia de anos - éramos, então, uns "miúdos" de 20 e poucos anos - senhor de forte personalidade, com grande experiência militar - combatera no Estado Português da Índia, aquando da invasão, e lá ficara prisioneiro - assumiu, com naturalidade a liderança do seu grupo de oficiais, sempre preocupado com a disciplina e o treino da tropa. O programa de treino, certamente delineado minuciosamente pelo Comando , era, sempre que possível, discutido entre nós, sobretudo no que respeitava às características próprias da Infantaria, que ele, como artilheiro, conhecia menos bem. Nenhum de nós tinha qualquer experiência de luta anti-guerrilha, razão pela qual nos valíamos dos manuais existentes e de toda a sorte de artigos publicados no Jornal do Exército. A nossa (pequena) experiência de duas recrutas e de uma especialidade de atiradores foi a trave-mestra na orientação da tropa entretanto chegada.

Uma das primeiras medidas por ele determinadas foi a selecção do pessoal para cada um dos futuros Pelotões. Após a exclusão dos soldados que a Lei protegia de eventual mobilização, isto é, aqueles que eram amparo de mãe ou tinham irmão no Ultramar, seguiu-se a distribuição de 25 militares para cada um dos três primeiros Pelotões, ficando o restante pessoal sob a minha responsabilidade para os treinos de armamento pesado, e para as acções de "guerrilha" que eu exercia com grande independência na actividade de campo. Estes militares foram, mais tarde e no seguimento do plano delineado pelo Cap Mira, trocados por elementos dos outros Pelotões, de modo a constituir quatro grupos de combate com efectivos de capacidade semelhante. A procura da eficácia da sua tropa era uma das características mais marcantes do comando do Cap Mira.

A instrução prosseguiu sem sobressaltos. Terminado o tempo a ela destinada, durante o qual nos foi dado conhecer, cada vez melhor, o Comandante que escolhêramos, descobrindo, dia a dia, as elevadas qualidades que possuía, iniciou-se a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional, período durante o qual haveríamos de receber os "especialistas" isto é, os condutores, os enfermeiros, os cozinheiros, enfim, todos quantos, sendo necessários à actividade operacional, não estão ligados directamente a ela. Por meu mal não estive presente nesta fase por ter adoecido gravemente e ter sido internado no Hospital Militar do Porto, nele tendo permanecido, até à completa recuperação já depois do Batalhão ter chegado a Angola.

Durante o meu internamento, recebi algumas chamadas telefónicas do Cap Mira, preocupado com a minha saúde. A última vez que o fez foi já próximo da data do embarque, pois teria que decidir pela minha continuação na Companhia ou pela minha substituição. Reiterou o seu interesse em que eu me juntasse à Companhia, pois "reconhecia as minhas qualidades, sobretudo militares". Assegurei-lhe que, tão depressa tivesse alta, assim me prepararia para embarcar. Queria, não só reencontrar os soldados que, com tanto empenho, havia instruído, mas também continuar a servir sob o comando de quem eu aprendera a conhecer, a admirar, e, sobretudo, a respeitar.

Tôto

Regressei, de facto, à Companhia, mas apenas em Março de 1965, estava-se, então, no Tôto desde Janeiro. A Companhia tinha sofrido já duas baixas (uma das quais de um soldado do meu Grupo de Combate). O Cap Mira "proibiu-me" de ter mais baixas, tecendo todo um conjunto de recomendações nesse sentido. E, felizmente, assim sucedeu até Novembro do mesmo ano, altura em que, promovido a Major, se viu obrigado a deixar a Companhia. 

BAv aqui referida
A Base Avançada aqui referida

Todavia, o seu elevadíssimo sentido de Dever impunha-lhe a obrigação de manter uma actividade operacional intensíssima, tendo constantemente em acção pelo menos um Grupo de Combate, mas geralmente dois Grupos. Recordo-me de uma operação, cuja duração ultrapassou um mês - foi criada uma Base Avançada (BAv) com dois Grupos de Combate, de onde partiam pequenos grupos de soldados (5/6), sempre comandados por um oficial - de que ele próprio participou durante muitos dias. O seu exemplo era uma constante que nos incentivava a melhorar, cada vez mais, a nossa actuação. O seu amor à Pátria, o apurado sentido de Dever que lhe era quase inato, eram permanentemente afirmados, quer por palavras, quer pelos actos. Não dispensou o meu Juramento de Oficial que prestei, solenemente, no seu gabinete.

Nunca demonstrou qualquer receio perante o perigo. Sempre sereno, possuidor de um enorme auto-domínio em situações excepcionais, comandava com eficácia, no terreno. Constou - não estive nessa operação - que chamou à atenção do seu ordenança/guarda costas, que o tratara pelo nome, sob fogo inimigo, dizendo, para quem o quis ouvir, que preferia morrer como Capitão do que ser tratado por Mira.

Sempre que podia, chamava-nos à atenção para o desleixo de alguns soldados, com a frase que lhe era habitual: "a bandalheira começa no barrete". À semelhança de um personagem de um romance de H. H. Kirst para quem só havia soldados fardados ou não fardados, sendo inconcebível soldados mal fardados, queria dizer, na sua, que o desleixo da tropa tem um começo insignificante mas, se tal consentirmos, vai aumentando e progredindo até às situações mais impróprias.

A Nova Sanzala



Actuou junto das populações, de modo muito relevante, no âmbito da Acção Psico-Social. Decidiu construir uma nova Sanzala, com um mínimo de qualidade e de condições sanitárias. Com a colaboração entusiasta do AlfMil Palaio, criou-se uma enorme lavra de frescos, num local muito fértil devido, sobretudo, a um pequeno ribeiro que por lá passava. Nomeou, para a supervisão, dois soldados, com grande experiência naquele tipo de trabalho. Ambas as margens foram divididas em talhões que foram distribuídos pela população (a dimensão do talhão variava em função do número de mulheres que compunha a família). Os frescos eram, sobretudo, para consumo do quartel, mas pagos, de maneira justa, aos produtores. Parte da receita era guardada para liquidação dos custos da cobertura das novas casas, bem como das portas e janelas que, entretanto, uma equipa de soldados, que, na vida civil, eram carpinteiros, começara a fabricar em Carmona.

Entretanto, localmente, cada família ia preparando os seus adobes com os quais a equipa de trolhas iniciou a construção das paredes. Quando chegaram as portas e as janelas, bem como as chapas da cobertura, as casas estavam praticamente prontas.
Não chegou a assistir à festa da inauguração da sanzala, pois, entretanto, foi promovido e colocado em Nova Lisboa. A população inteira organizou-lhe uma festa de despedida como, certamente, nunca por lá se vira, antes!

A Festa de Despedida na Sanzala




E, no dia seguinte, a população voltou a manifestar o seu apreço indo despedir-se, em massa, ao aeródromo de manobra nº. 2, alguns ainda levando frangos e leitões para lhe oferecerem. Obviamente, teve que recusar tudo aquilo, mas foi comovedora aquela espontaneidade.


Última Formatura e Louvores

Ultimo dia na CArt 739 - 22 de Novembro de 1965 - falando à tropa, em parada antes de iniciar a entrega dos louvores
Passando revista à tropa em parada


No dia imediatamente anterior à sua partida, a tropa formou em parada, de farda amarela, para a despedida oficial. Louvou os Oficiais e alguns Sargentos e Praças, entregando, a cada um, durante a formatura, um documento que era a cópia cuidadosamente dactilografada dos louvores referidos. No dia seguinte, quase toda a tropa se deslocou ao A.M nº. 2 despedindo-se, com grande pena, do Comandante que todos respeitavam, como se respeita um Pai.

20 Anos Depois

Apenas voltei a vê-lo cerca de uns 20 anos depois quando o procurei, no Luso, numa tentativa de apressar a transferência do meu filho mais velho, de uma unidade para outra, na Região Militar onde ainda exercia funções. Voltei a revê-lo, salvo erro em 1988, quando me ofereci para o transportar para uma confraternização do Batalhão, em Santarém, o que se repetiria durante uns anos mais.

Um dia, tanto quanto sei, os organizadores da confraternização da altura, remeteram-lhe, pelo correio, os elementos necessários à organização dos convívios. Contactou-me no sentido de eu organizar a daquele ano, sugerindo mesmo um restaurante na barragem da Aguieira. Acedi, e, um belo dia, decidimos-nos a visitar o restaurante em questão e combinar o evento, que foi um êxito, reunindo um número de convivas nunca visto até então. Desde aí, assumi a responsabilidade da organização das confraternizações do BArt até ao presente.

Confraternização em 1996

Confraternização de 1999. Com o seu Amigo de sempre, Cel. Amaro (CArt 740)

Confraternização de 2004

 Confraternização de 2011
Confraternização de 2011
Confraternização de 2011
Confraternização de 2011

Sempre que lhe era possível - e quase sempre o foi - esteve presente nelas. À custa destas presenças anuais, acabámos por reforçar a amizade vinda dos tempos do Ultramar. Para ele, os convívios estavam sempre excelentes, nunca me criticou, bem antes pelo contrário, não poupava elogios que eu sei não serem sempre merecidos. Levava isso à conta da muita amizade com que me honrava. Pelo Natal, nunca era esquecido o telefonema de Boas-Festas, que justificava sempre uma boa meia hora de conversa.

No Verão de 2000 uma organização de antigos habitantes de Cubal - onde permaneci algum tempo, quase no fim da minha comissão - realizou um encontro-convívio no Parque do Luso, ao qual compareci. Sabendo do caso, saiu à nossa procura pelo Parque, acabou por nos encontrar e obrigou-nos a "picnicar" em sua casa, a pretexto da chuva que caía. Acabámos por ficar até à noite, e só partimos depois do jantar.

Realizámos a confraternização deste ano na Casa São Nuno, em Fátima, em Março passado. Vejam-se, AQUI, as fotos do evento. O Cel. Mira esteve bem disposto, alegre e satisfeito como sempre que confraternizava connosco. Despedimos-nos na esperança de nos voltarmos a encontrar em 2013.

Infelizmente, tal não vai ser possível! No passado dia 2 deste mês, cerca das 10 horas da manhã, recebi uma chamada de um dos seus Genros, comunicando-me o infausto acontecimento: O Cel Mira acabara de falecer! A amargura foi demasiado forte, só comparável à que se sente quando se perde um Pai!

O seu funeral realizou-se no dia seguinte, isto é, a 3 de Agosto. Estive presente, tal como o Alferes Augusto, o Furriel Martins e o Soldado Atirador Gonçalo Almeida, representando também todos os militares da CArt 739 que não puderam estar presentes ou que eu não pude contactar.

Depois da Missa de Corpo Presente, a urna, coberta com a Bandeira Nacional, seguiu para o Cemitério do Luso, onde foi inumado em jazigo de família. As honras militares foram prestadas por um Pelotão de Para-quedistas. Baixou à terra vestido com a farda que sempre honrou!

Deus tenha a sua alma em paz!

J. Silva Pereira

terça-feira, 21 de setembro de 2010

In Memoriam ---11 - Cel. José Francisco Soares

Faleceu, no passado dia 14, o nosso Comandante, o Coronel de Artilharia José Francisco Soares.
No dia 16, cerca da uma hora da tarde, recebi um sms do Cel Nuno Anselmo informando-me ter lido, no Diário de Notícias daquele dia a notícia do falecimento do nosso Comandante, o Coronel José Francisco Soares.

1965 - Vale do Loge

Fará, precisamente neste corrente mês de Setembro, 46 anos, que se constituiu, no RAL 1, o Batalhão de Artilharia 741. Mobilizado para servir no Ultramar por aquela Unidade, ali conheci o, então, Major Soares que substituía interinamente o Comandante TenCel. Cabrita Gil, que se encontrava em Angola.
Recordo, com grande precisão, o modo como foi sugerida a distribuição dos oficiais pelas diversas Companhias – os vários futuros Alferes escolheram o respectivo Capitão – modo este pouco usual, pelo menos até à altura, e, um pouco mais tarde, a sua insistência na instrução de tiro, bem como a imposição, praticamente diária, de treino de campo, reduzindo, ao mínimo imprescindível a actividade dentro dos muros do quartel.
Por razões de doença já aqui referidas, não acompanhei a parte final da instrução do Batalhão, nem a viagem para Angola, voltando, apenas, a revê-lo quando me apresentei no Vale do Loge, sede do BArt, vindo da Metrópole.
Durante o comissão o relacionamento com o Cel. Soares foi, obviamente, longínquo, tanto mais que, ao fim de cerca de um ano na Zona de Intervenção Norte, foram as Companhias espalhadas pela Zona Centro, todas elas muito distantes umas das outras. Apesar disso, foi, sobretudo, nesta última Zona, que o Cel. Soares desenvolveu intensa e notável actividade no sentido da fixação em Angola dos nossos soldados, muitos dos quais por lá ficaram a trabalhar nas mais variadas profissões.


1995 - Confraternização na Batalha

Uma maior proximidade verificou-se somente após o regresso do BArt por via das confraternizações que se seguiram. Sempre que lhe era possível – e quase sempre foi – nelas esteve presente. Teve sempre para comigo algumas frases de simpatia pelo trabalho e empenho na organização dos encontros anuais. E foi no fim de um desses encontros, que ouvi a frase que, quanto a mim, melhor define o Cel Soares: após se ter despedido de nós e afastando-se em direcção à saída, comentou, para mim, o Cel. Fernando Mira – ex-comandante da CArt 739 – ali vai um Homem Bom!
Recordo, com comoção, o dia em que, numa das conversas prolongadas que mantinha comigo naqueles dias de confraternização, se referiu a quanto lhe custara tomar a decisão de me castigar, em Angola. Por um lado, pelo bom trabalho que eu e os meus subordinados vínhamos desenvolvendo, e por outro, pela razão que me assistia na atitude tomada. Para quem não saiba, fui o único oficial que foi castigado no Bart 741 e a história conta-se em duas palavras.
Estando, um dia, de serviço ao quartel do Tôto, a um soldado, que não era do recrutamento inicial do BArt mas que lá havia sido colocado por castigo, recusei o pequeno almoço e expulsei-o do refeitório por atitudes incorrectas e indisciplinadas. O soldado queixou-se ao comandante da companhia e foi levantado o respectivo auto, até porque, como era meu dever, também participei a ocorrência. O inquérito concluiu, por um lado, pela indisciplina, sendo o soldado objecto de castigo e transferido para outra unidade e por outro, pelo excesso de autoridade, pois eu não poderia proibir quem quer que fosse de tomar a refeição a que tinha direito. Daí o castigo que me foi aplicado.
1999 - Confraternização na "Aldeia de Santo Antão"

2000 - Momento de recolhimento em homenagem aos camaradas falecidos

O Cel. Soares foi figura central nas nossas confraternizações, havendo sempre vários camaradas que me perguntavam, quando se inscreviam, se o Comandante estaria presente. Pelo meu lado, era sempre minha preocupação telefonar-lhe pelo Natal apresentando cumprimentos de Boas Festas. Compareceu, pela última vez em Viseu, no ano de 2007. Em 2008 telefonou-me, muito comovido, pedindo para transmitir a sua impossibilidade de presença, por razões de saúde.
E foi precisamente num desses contactos telefónicos natalícios que soube que o Cel. Soares havia caído de tal modo que batera fortemente com a cabeça. Fôra internado de urgência nunca, porém, recuperando totalmente as faculdades. Ultimamente, tanto quanto fui sabendo – telefonava com alguma frequência a saber do seu estado - vivia numa espécie de letargia, embora consciente.
2007 - Em Viseu. A sua última presença

Paz à sua alma!
VETERANO

quarta-feira, 30 de junho de 2010

In Memoriam --- 09 - João Francisco Miranda Dias


Conheci o Miranda Dias em 1958. Tínhamos 16 anos e disputávamos, representando clubes diferentes, o Campeonato de Lisboa de Andebol, na categoria de Juniores. Fomo-nos encontrando nos anos seguintes, quando os nossos clubes jogavam entre si, sem no entanto termos estabelecido um relacionamento especial, para além dos cumprimentos habituais no final de cada jogo.
Quis o acaso que voltássemos a encontrar-nos em Setembro de 1964, no RAL 1 (Regimento de Artilharia Ligeira nº 1), em Lisboa, aquando da formação do Batalhão que dá título a este blogue, acabando por integrar a CArt 738. Ele no quarto pelotão, eu no primeiro.
Começava aí uma amizade que, apesar de termos estado muitos anos sem nos encontrarmos, durou até à sua morte em 1994 (se a memória não me atraiçoa).
Em Lucunga ficámos alojados na mesma pequena moradia de três quartos, ocupada por sete furriéis-milicianos, tendo os serões de conversa na varanda conduzido a um conhecimento mais aprofundado e à revelação de vários gostos em comum.
Um deles o Andebol, que levou a que, conjuntamente com o alferes-miliciano Fagundes, também ele praticante da modalidade, viéssemos a “construir” um campo de Andebol, onde disputávamos partidas com outros camaradas a quem pegámos o gosto.
Tínhamos uma outra afinidade, que envolve uma “estória” de malandrice, que vou tentar resumir.
Três dos moradores da nossa casa – eu, o Miranda e o Mourão, a que se juntavam habitualmente os furriéis Vaz, Morais Soares e Almeida – quando íamos em serviço (ou em passeio se estávamos de folga e nos apetecia um almoço diferente, no hotel do Adão, no Toto), comprávamos camarão no Bembe, que depois comíamos, acompanhado por cerveja ou vinho verde.
Acontecia que só eu e o Miranda Dias gostávamos das cabeças do camarão. Os outros tiravam a cabeça que ia para o recipiente das cascas e só comiam o rabo. Depois da primeira experiência, chegámos à conclusão de que, enquanto comíamos a cabeça, os outros comiam um ou dois camarões a mais. Resolvemos, então, alterar o procedimento. Íamos comendo os camarões e colocávamos as cabeças num prato para as comermos no fim. A malandrice consistia no facto de deixarmos um bocado da carne do rabo agarrado à cabeça, acabando nós por comer mais camarão.

Depois do regresso nenhum de nós voltou a jogar Andebol, e estivemos mais de 20 anos sem notícias um do outro.
Até ao dia em que, num dos almoços realizados na Ponte da Asseca, numa daquelas conversas em que falamos dos camaradas de quem não temos notícias, veio à baila o Miranda Dias, e alguém disse que tinha ouvido dizer que ele estava doente, mas que não sabia pormenores, e que ninguém sabia onde morava.
Foi fácil encontrá-lo: bastou ir à lista telefónica de Lisboa. Liguei-lhe e ele confirmou que se encontrava doente há alguns anos. Uma doença degenerativa - esclerose de placas - tinha-o debilitado progressivamente, “atirando-o” para uma cadeira de rodas.
A partir dessa altura e até a morte o levar, três anos depois, passei a visitá-lo pelo menos dois sábados por mês. No ano seguinte ao nosso reencontro acompanhou-me ao almoço de confraternização do Batalhão, onde foi acarinhado por todos, tendo-me dito mais tarde que tinha sido das maiores alegrias que tinha tido nos últimos anos.
Nas conversas desses últimos anos lamentámos o tempo que, sem qualquer explicação, deixámos ir passando sem contactos. Como ele costumava dizer, éramos novos e pensávamos que o Mundo era nosso e que tínhamos uma vida inteira à nossa frente.
Afinal, nem éramos donos do Mundo, nem a “vida inteira” era assim tão longa.
Infelizmente, no seu caso, não só não foi longa, mas foi, também, injustamente cruel.
Carlos Fonseca
CArt 738

sexta-feira, 28 de maio de 2010

In Memoriam --- 08 - Carlos Alberto Couto Ramos


O Ramos era Furriel do 3º. Grupo de Combate, mas participou de algumas operações em que o 4º. Grupo esteve envolvido. A foto deste postal é, exactamente, de uma dessas ocasiões.
A determinada altura da nossa estadia no Norte, o meu Furriel Carlos Ventura atravessou um período de doença relativamente prolongado. Definhou a olhos vistos e mal se aguentava em pé. Tudo, cremos, fruto do excessivo trabalho a que o Grupo vinha sendo sujeito. O Ventura, não aguentou e foi, física e psicologicamente, abaixo.
Não sendo razoável a realização de operações militares com apenas um Sargento, pois, entretanto, já dispensara um outro, o Cap Art Fernando Mira entendeu transferir para o meu GC o Carlos Ramos, por algum tempo e na expectativa da recuperação do Ventura.
Não foi, pois, uma colaboração prolongada, mas foi uma colaboração leal, e eficaz. O Ramos comandava bem e ganhou rapidamente o respeito e a estima da sua (nova) Secção, o que, naquelas condições, é extremamente importante. Regressou, algum tempo depois, à sua anterior situação e nela permaneceu até ao fim da comissão.
Foi, porém, mais no Porto e após o regresso, que mantivemos contactos mais frequentes e se estreitou a amizade. O Ramos, que era professor, enquanto não foi novamente colocado, trabalhou como instrutor de condução, numa escola da “baixa” do Porto. Ele próprio me contactou, pois sabia do meu local de trabalho, passando a encontrarmo-nos, com frequência, nos cafés da “baixa”. Quando iniciei a organização de convívios, ele foi um dos primeiros aderentes e deles sempre participou até ao dia em que foi colocado no Algarve, deixando-me, aquando da despedida, uma morada de Tavira.
Nunca mais nos encontrámos e, há já alguns anos, recebi, devolvida, a carta-convite para uma das confraternizações, com a indicação do seu falecimento. Repeti, apesar de tudo, o envio da carta no ano seguinte, mas a informação, para tristeza nossa, foi a mesma.
VETERANO