Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Batalhão e as Flâmulas. O Museu da Escola Prática de Artilharia

 
No passado dia 12 de Outubro de 2012, o actual Comandante da EPA ( Escola Pratica de Artilharia ), em Vendas Novas, em boa hora resolveu juntar os Oficiais que há 50 anos iniciaram o tirocínio para oficial de artilharia ( 1962-1963 ), no qual eu me incluía , com os que iniciaram o mesmo tirocínio este ano ( 2012- 2013 ). Passámos como era de esperar uns momentos muito agradáveis, recordando a nossa juventude ( o que sofremos na preparação para a guerra e também os momentos agradáveis que então vivemos pois ainda éramos uns jovens cheios de ideais ) e confraternizando com os actuais tirocinantes (homens e mulheres ), que julgo que também ainda mantêm alguns ideais... (mau era se não os tivessem).

Constava do programa uma visita às actuais instalações da EPA, onde há 50 anos iniciáramos o nosso ingresso como oficiais do Exercito Português. Um dos locais visitados foi o Museu actualmente existente ( na época o local tinha outro aproveitamento ). Qual não foi o meu espanto quando verifiquei que entre os vários objectos expostos estavam materiais, que para a mim e também para todo o pessoal que fez parte, do nosso do B ART 741, nos dizem algo, para além de se manterem muito bem conservados e já lá vão uns 45 anos que regressámos. Os materiais a que me refiro são as Flâmulas das 4 Companhias do Batalhão e o molde da insígnia da CART 740 ( a CART que comandei a seguir ao Cap. Amaro), que nós na companhia fizemos várias cópias em cimento e que fomos espalhando na 2ª parte da comissão, na nossa Zona de Acção ( Cela, Quibala, Mussende e na parte final também Calulo ).

Lembrei-me, entretanto, que não me apercebi da existência, lá no museu, do Guião (fundo em preto ) do Batalhão – B ART 741 – que eu fui em várias cerimónias o porta guião, como Alferes que era do Quadro Permanente. Vou tentar saber algo sobre isso e logo que saiba faço chegar-te notícias.

Agora uma explicação para a presença de tais objectos do BART 741 na EPA em Vendas Novas. Como todos sabem a unidade mobilizadora do BART 741, foi o RAL Nº 1 , que depois se transformou em RALIS, voltou a RAL Nº1 e que numa das últimas reorganizações do Exercito Português, acabou por ser extinto. Isto, apesar de ser umas das primeiras unidades a serem criadas em Portugal, na sequência da organização inicial do exército em Portugal, no reinado de D. José e realizada pelo famoso Frederico Guilherme Ernesto de Schaumburg-Lippe) e conhecido em Portugal como Conde de Lippe (em virtude de ser conde reinante de Schaumburg-Lippe), que aceitou, em Julho de 1762, o encargo de reorganizador das forças portuguesas e de as preparar para a guerra.
 

Sempre que uma unidade militar é extinta é nomeada outra para assumir o encargo de ser herdeira de toda a sua história. A EPA foi a unidade nomeada para ser herdeira do RALIS, razão pela qual os guiões, flâmulas e insígnias se encontram naquela unidade. Quando nós desembarcámos em Lisboa a 9 de Março de 1967, desmobilizámos no RAL Nº 1 e lá deixámos diversos materiais e documentos e também o Guião e as Flâmulas. A insígnia da CART 740, guardei-a para recordação para o resto da minha vida. Como era ainda muito jovem e essa temática da história ainda me dizia pouco e porque mais ninguém da Companhia mostrou interesse, guardei-a ( em boa hora digo agora ).

Há cerca de pouco mais de 20 anos e ainda estava no activo, fui ao RALIS em serviço e vi que a Unidade tinha criado um museu, onde lá se encontravam vários objectos de algumas das Unidades ( Batalhões, Companhias etc) que tinham sido mobilizadas pelo RAL Nº 1. Como gostei do museu que vi, já era menos jovem, já estava mais sensibilizado para a história e porque era amigo pessoal do então Comandante, resolvi, em boa hora, entregar a insígnia da CART 740, que tinha em meu poder, à unidade para que pudesse fazer parte, também, do acervo do museu. Como eu e o RALIS conservámos em boas condições, a insígnia da CART 740 a EPA achou que a mesma era digna de ser exposta em local nobre , na antecâmara da sua Sala de Oficiais, rodeada pelas insígnias de 2 Unidades de Artilharia Estrangeiras com as quais manteve ou mantém contactos. Pelo aspecto da foto anexa pode ser constatado o seu estado de conservação.
Nuno Anselmo (Coronel de Artilharia)

Post Scriptum - Acabei, há poucos momentos, de receber um mail do Cel. Nuno Anselmo que foi, como se sabe, um dos Comandantes que passaram pela CArt 740 (depois de ter sido Comandante do Pelotão de Reconhecimento de Infantaria, da CCS). Tão interessante o achei que resolvi "transformá-lo" num postal e publicá-lo no nosso Blogue.
O Anselmo, com certeza, não deixará de me perdoar por um ou dois cortes feitos no seu mail, que tiveram a única finalidade de dar ao texto as características de postal.
VETERANO 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bom Ano


2013
Votos de que o ano de 2013 seja, de facto, melhor do que foi o de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

Boas Festas

SANTO NATAL
Aqui deixo ficar, aos meus visitantes, os meus melhores votos de um Santo Natal especialmente a todos quantos serviram no Batalhão de Artilharia 741 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Soldado Artur Dias dos Santos! Presente!


Artur Dias dos Santos, o "Palhaço"
46º. Aniversário da sua morte em combate, no Leste de Angola

Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda!

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt einen Kameraden" (Eu tinha um camarada)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cel. Cmd. Jaime Rodolfo Abreu Cardoso


Num acidente aéreo ocorrido no passado dia 18 deste mês, faleceu o Coronel Comando Jaime Rodolfo Abreu Cardoso, que conheci em 1964 no Regimento de Infantaria 8, em Braga. Soube da notícia ao visitar este sítio, já próximo do fim do mês.

No início daquele ano de 1964 fui colocado, tal como outros camaradas do meu curso de 1963, como Aspirante a Oficial Miliciano de Infantaria, no RI 8 (ver, aqui, algumas fotos). Algum tempo depois apresentou-se na Unidade o Ten Cardoso, Miliciano como nós, recém-chegado de Angola, que, rapidamente conquistou a nossa consideração e amizade.

As lembranças que tenho não são muito nítidas, mas recordo, as variadas conversas – diria quase palestras - que tinha connosco, procurando transmitir-nos a sua experiência adquirida em combate. Foram conselhos preciosos que, mais tarde, muito nos serviram.

Terminada a segunda recruta de 1964, fui colocado no RI 2, de Abrantes, e nunca mais voltei a encontrá-lo. Mas, enquanto militar, o Ten Cardoso foi sempre, para mim, uma referência.

O Coronel Comando Jaime Cardoso foi condecorado, ainda em 1964, com a Medalha de Prata de Valor Militar, com palma, em 1969 foi-lhe conferido o grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e, em 1973, foi condecorado com a Medalha de Cruz de Guerra de 1ª. Classe. Pode ler-se AQUI, uma breve resenha biográfica.

Foi uma honra tê-lo conhecido.

Deus tenha a sua alma em paz.

sábado, 4 de agosto de 2012

In Memoriam --- Cel. Fernando José de Almeida Mira


Regimento de Artilharia Ligeira 1

Numa manhã de Setembro de 1964, eventualmente uma segunda-feira, apresentei-me no Regimento de Artilharia Ligeira 1, na Encarnação, em Lisboa, mobilizado para servir no Ultramar. Julgo ter lá chegado cerca das 9 horas da manhã, depois de uma viagem de comboio até Santa Apolónia e de outra, de táxi, para o Regimento. Na Messe, encontrava-se apenas, um Oficial, salvo erro ainda vestido à civil, com quem entabulei uma conversa de circunstância, mas, poucos minutos depois chegou um outro que foi recebido pelo primeiro com um sonoro "Rúbi" de amizade e de camaradagem. Eram os Capitães de Artilharia, Fernando Mira, e Rubi Marques, ambos mobilizados para o mesmo Batalhão, velhos amigos do mesmo curso da Academia Militar.

Ao longo das horas foram chegando outros Oficiais e um número grande de Aspirantes, alguns dos quais já conhecia. Alojados e fardados, reunimo-nos, de novo, na Messe e, a determinada altura, um Major (era o Major José Francisco Soares, o 2º. Comandante) informou-nos da razão da nossa presença ali: iria ser constituído o Batalhão de Artilharia 741. Apresentou-nos, de seguida os Comandantes das três Companhias operacionais que o constituiriam e, contrariando o uso habitual, sugeriu que fossem os Aspirantes a escolher os respectivos Comandantes. A minha escolha recaiu no CapArt Fernando Mira, precisamente aquele mesmo Oficial que se encontrava na Messe quando cheguei, facto que, inequivocamente, pesou na decisão.

O CapArt Fernando Mira, mais idoso do que os seus Aspirantes uma boa dúzia de anos - éramos, então, uns "miúdos" de 20 e poucos anos - senhor de forte personalidade, com grande experiência militar - combatera no Estado Português da Índia, aquando da invasão, e lá ficara prisioneiro - assumiu, com naturalidade a liderança do seu grupo de oficiais, sempre preocupado com a disciplina e o treino da tropa. O programa de treino, certamente delineado minuciosamente pelo Comando , era, sempre que possível, discutido entre nós, sobretudo no que respeitava às características próprias da Infantaria, que ele, como artilheiro, conhecia menos bem. Nenhum de nós tinha qualquer experiência de luta anti-guerrilha, razão pela qual nos valíamos dos manuais existentes e de toda a sorte de artigos publicados no Jornal do Exército. A nossa (pequena) experiência de duas recrutas e de uma especialidade de atiradores foi a trave-mestra na orientação da tropa entretanto chegada.

Uma das primeiras medidas por ele determinadas foi a selecção do pessoal para cada um dos futuros Pelotões. Após a exclusão dos soldados que a Lei protegia de eventual mobilização, isto é, aqueles que eram amparo de mãe ou tinham irmão no Ultramar, seguiu-se a distribuição de 25 militares para cada um dos três primeiros Pelotões, ficando o restante pessoal sob a minha responsabilidade para os treinos de armamento pesado, e para as acções de "guerrilha" que eu exercia com grande independência na actividade de campo. Estes militares foram, mais tarde e no seguimento do plano delineado pelo Cap Mira, trocados por elementos dos outros Pelotões, de modo a constituir quatro grupos de combate com efectivos de capacidade semelhante. A procura da eficácia da sua tropa era uma das características mais marcantes do comando do Cap Mira.

A instrução prosseguiu sem sobressaltos. Terminado o tempo a ela destinada, durante o qual nos foi dado conhecer, cada vez melhor, o Comandante que escolhêramos, descobrindo, dia a dia, as elevadas qualidades que possuía, iniciou-se a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional, período durante o qual haveríamos de receber os "especialistas" isto é, os condutores, os enfermeiros, os cozinheiros, enfim, todos quantos, sendo necessários à actividade operacional, não estão ligados directamente a ela. Por meu mal não estive presente nesta fase por ter adoecido gravemente e ter sido internado no Hospital Militar do Porto, nele tendo permanecido, até à completa recuperação já depois do Batalhão ter chegado a Angola.

Durante o meu internamento, recebi algumas chamadas telefónicas do Cap Mira, preocupado com a minha saúde. A última vez que o fez foi já próximo da data do embarque, pois teria que decidir pela minha continuação na Companhia ou pela minha substituição. Reiterou o seu interesse em que eu me juntasse à Companhia, pois "reconhecia as minhas qualidades, sobretudo militares". Assegurei-lhe que, tão depressa tivesse alta, assim me prepararia para embarcar. Queria, não só reencontrar os soldados que, com tanto empenho, havia instruído, mas também continuar a servir sob o comando de quem eu aprendera a conhecer, a admirar, e, sobretudo, a respeitar.

Tôto

Regressei, de facto, à Companhia, mas apenas em Março de 1965, estava-se, então, no Tôto desde Janeiro. A Companhia tinha sofrido já duas baixas (uma das quais de um soldado do meu Grupo de Combate). O Cap Mira "proibiu-me" de ter mais baixas, tecendo todo um conjunto de recomendações nesse sentido. E, felizmente, assim sucedeu até Novembro do mesmo ano, altura em que, promovido a Major, se viu obrigado a deixar a Companhia. 

BAv aqui referida
A Base Avançada aqui referida

Todavia, o seu elevadíssimo sentido de Dever impunha-lhe a obrigação de manter uma actividade operacional intensíssima, tendo constantemente em acção pelo menos um Grupo de Combate, mas geralmente dois Grupos. Recordo-me de uma operação, cuja duração ultrapassou um mês - foi criada uma Base Avançada (BAv) com dois Grupos de Combate, de onde partiam pequenos grupos de soldados (5/6), sempre comandados por um oficial - de que ele próprio participou durante muitos dias. O seu exemplo era uma constante que nos incentivava a melhorar, cada vez mais, a nossa actuação. O seu amor à Pátria, o apurado sentido de Dever que lhe era quase inato, eram permanentemente afirmados, quer por palavras, quer pelos actos. Não dispensou o meu Juramento de Oficial que prestei, solenemente, no seu gabinete.

Nunca demonstrou qualquer receio perante o perigo. Sempre sereno, possuidor de um enorme auto-domínio em situações excepcionais, comandava com eficácia, no terreno. Constou - não estive nessa operação - que chamou à atenção do seu ordenança/guarda costas, que o tratara pelo nome, sob fogo inimigo, dizendo, para quem o quis ouvir, que preferia morrer como Capitão do que ser tratado por Mira.

Sempre que podia, chamava-nos à atenção para o desleixo de alguns soldados, com a frase que lhe era habitual: "a bandalheira começa no barrete". À semelhança de um personagem de um romance de H. H. Kirst para quem só havia soldados fardados ou não fardados, sendo inconcebível soldados mal fardados, queria dizer, na sua, que o desleixo da tropa tem um começo insignificante mas, se tal consentirmos, vai aumentando e progredindo até às situações mais impróprias.

A Nova Sanzala



Actuou junto das populações, de modo muito relevante, no âmbito da Acção Psico-Social. Decidiu construir uma nova Sanzala, com um mínimo de qualidade e de condições sanitárias. Com a colaboração entusiasta do AlfMil Palaio, criou-se uma enorme lavra de frescos, num local muito fértil devido, sobretudo, a um pequeno ribeiro que por lá passava. Nomeou, para a supervisão, dois soldados, com grande experiência naquele tipo de trabalho. Ambas as margens foram divididas em talhões que foram distribuídos pela população (a dimensão do talhão variava em função do número de mulheres que compunha a família). Os frescos eram, sobretudo, para consumo do quartel, mas pagos, de maneira justa, aos produtores. Parte da receita era guardada para liquidação dos custos da cobertura das novas casas, bem como das portas e janelas que, entretanto, uma equipa de soldados, que, na vida civil, eram carpinteiros, começara a fabricar em Carmona.

Entretanto, localmente, cada família ia preparando os seus adobes com os quais a equipa de trolhas iniciou a construção das paredes. Quando chegaram as portas e as janelas, bem como as chapas da cobertura, as casas estavam praticamente prontas.
Não chegou a assistir à festa da inauguração da sanzala, pois, entretanto, foi promovido e colocado em Nova Lisboa. A população inteira organizou-lhe uma festa de despedida como, certamente, nunca por lá se vira, antes!

A Festa de Despedida na Sanzala




E, no dia seguinte, a população voltou a manifestar o seu apreço indo despedir-se, em massa, ao aeródromo de manobra nº. 2, alguns ainda levando frangos e leitões para lhe oferecerem. Obviamente, teve que recusar tudo aquilo, mas foi comovedora aquela espontaneidade.


Última Formatura e Louvores

Ultimo dia na CArt 739 - 22 de Novembro de 1965 - falando à tropa, em parada antes de iniciar a entrega dos louvores
Passando revista à tropa em parada


No dia imediatamente anterior à sua partida, a tropa formou em parada, de farda amarela, para a despedida oficial. Louvou os Oficiais e alguns Sargentos e Praças, entregando, a cada um, durante a formatura, um documento que era a cópia cuidadosamente dactilografada dos louvores referidos. No dia seguinte, quase toda a tropa se deslocou ao A.M nº. 2 despedindo-se, com grande pena, do Comandante que todos respeitavam, como se respeita um Pai.

20 Anos Depois

Apenas voltei a vê-lo cerca de uns 20 anos depois quando o procurei, no Luso, numa tentativa de apressar a transferência do meu filho mais velho, de uma unidade para outra, na Região Militar onde ainda exercia funções. Voltei a revê-lo, salvo erro em 1988, quando me ofereci para o transportar para uma confraternização do Batalhão, em Santarém, o que se repetiria durante uns anos mais.

Um dia, tanto quanto sei, os organizadores da confraternização da altura, remeteram-lhe, pelo correio, os elementos necessários à organização dos convívios. Contactou-me no sentido de eu organizar a daquele ano, sugerindo mesmo um restaurante na barragem da Aguieira. Acedi, e, um belo dia, decidimos-nos a visitar o restaurante em questão e combinar o evento, que foi um êxito, reunindo um número de convivas nunca visto até então. Desde aí, assumi a responsabilidade da organização das confraternizações do BArt até ao presente.

Confraternização em 1996

Confraternização de 1999. Com o seu Amigo de sempre, Cel. Amaro (CArt 740)

Confraternização de 2004

 Confraternização de 2011
Confraternização de 2011
Confraternização de 2011
Confraternização de 2011

Sempre que lhe era possível - e quase sempre o foi - esteve presente nelas. À custa destas presenças anuais, acabámos por reforçar a amizade vinda dos tempos do Ultramar. Para ele, os convívios estavam sempre excelentes, nunca me criticou, bem antes pelo contrário, não poupava elogios que eu sei não serem sempre merecidos. Levava isso à conta da muita amizade com que me honrava. Pelo Natal, nunca era esquecido o telefonema de Boas-Festas, que justificava sempre uma boa meia hora de conversa.

No Verão de 2000 uma organização de antigos habitantes de Cubal - onde permaneci algum tempo, quase no fim da minha comissão - realizou um encontro-convívio no Parque do Luso, ao qual compareci. Sabendo do caso, saiu à nossa procura pelo Parque, acabou por nos encontrar e obrigou-nos a "picnicar" em sua casa, a pretexto da chuva que caía. Acabámos por ficar até à noite, e só partimos depois do jantar.

Realizámos a confraternização deste ano na Casa São Nuno, em Fátima, em Março passado. Vejam-se, AQUI, as fotos do evento. O Cel. Mira esteve bem disposto, alegre e satisfeito como sempre que confraternizava connosco. Despedimos-nos na esperança de nos voltarmos a encontrar em 2013.

Infelizmente, tal não vai ser possível! No passado dia 2 deste mês, cerca das 10 horas da manhã, recebi uma chamada de um dos seus Genros, comunicando-me o infausto acontecimento: O Cel Mira acabara de falecer! A amargura foi demasiado forte, só comparável à que se sente quando se perde um Pai!

O seu funeral realizou-se no dia seguinte, isto é, a 3 de Agosto. Estive presente, tal como o Alferes Augusto, o Furriel Martins e o Soldado Atirador Gonçalo Almeida, representando também todos os militares da CArt 739 que não puderam estar presentes ou que eu não pude contactar.

Depois da Missa de Corpo Presente, a urna, coberta com a Bandeira Nacional, seguiu para o Cemitério do Luso, onde foi inumado em jazigo de família. As honras militares foram prestadas por um Pelotão de Para-quedistas. Baixou à terra vestido com a farda que sempre honrou!

Deus tenha a sua alma em paz!

J. Silva Pereira

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cel.Art. Fernando José de Almeida Mira

O CapArt Fernando Mira
no dia em que deixou o comando da CArt739.
Da esq para a dir: o autor do blogue, AlfMilInf Augusto, CapArt Fernando Mira, Dr. António Terrinha e AlfMilInf Eduardo Palaio

É com profundíssima tristeza que deixo aqui a notícia: hoje, de manhã, faleceu o CelArt Fernando Mira que comandou, entre 1965 e 1966 a CArt 739, do BArt 741.
O seu funeral, que terá honras militares, realiza-se, amanhã, pelas 17 horas, sendo inumado em jazigo de família na sua terra natal: o Luso.

VETERANO

sábado, 21 de julho de 2012

Boinas Vermelhas


O Centro de Tropas Comando comemorou, no pretérito dia 29 de Junho o seu 50º. Aniversário.

Não pode, este modesto blogue, cujo autor e o seu Grupo de Combate, pelo menos por duas vezes, tiveram a honra de entrar em operações militares de razoável envergadura conjuntamente com Unidades de "Comandos" - uma, no Norte de Angola, em 1965 e outra, na Zona de Intervenção Leste, em 1966 - deixar de fazer, aqui, esta breve referência e, deste modo, associarem-se à efeméride.

A imagem que se reproduz - a de um excelente artigo publicado no Jornal "O Diabo" pelo Dr. Humberto Nuno de Oliveira, foi "roubada" deste blogue, de que, também, é o autor.

Ver AQUI um outro artigo,. sobre o mesmo assunto, da autoria do TenCelPilAv João José Brandão Ferreira.

VETERANO
(Para ler o artigo, clique na ligação acima referida e, uma vez lá, sobre a imagem)

sábado, 30 de junho de 2012

Regresso ao Tôto - A Esplanada

Vista do Quartel do Tôto.
Junto ao monumento, em primeiro plano, rendia-se a parada, hasteando a Bandeira Portuguesa, pelas 8 horas da manhã. Pelas 5 da tarde, formava-se, novamente, para a recolher.
Ao fundo, o edifício da messe, sobre o qual se vê a esplanada. À direita, o refeitório das praças.

Em 23 de Novembro de 1965, o CapArt Fernando Mira deixou o comando da Companhia 739, por ter sido promovido e, consequentemente, colocado noutra Unidade, em Nova Lisboa. Foi substituido pelo CapInf Ramiro Morna do Nascimento que chegou ao Tôto, pouco tempo depois.
O novo Comandante era (e é, ainda, felizmente) um madeirense, de personalidade muito humana e simpática e despertou, rapidamente, amizades. Para além de dar continuidade, com grande empenho, à construção da Sanzala Nova, enveredou por um programa de obras no aquartelamento que tinha em vista a manutenção de um bom moral, entre a tropa. Destaco, dentre outras, a construção de um campo de futebol - onde muitas jogos se realizaram, não só entre os vários Pelotões mas também com equipas do Destacamento de Intendência e do Pelotão de Apoio Directo - e, para deleite dos oficiais da CArt - e julgo que, também, dos Sargentos - uma esplanada, de características rústicas, na placa de cobertura da messe.
Ao fundo, o SoldAtInf Horácio, o 1ºCabEnfº Vicente e o SoldAtInf, "o Viana". O primeiro e o terceiro tinham funções na messe de Oficiais e já AQUI, a eles me referi.
De frente para a câmara, o AlfMilInf Guilherme Barreira, o AlfMilInf António Augusto, seguindo-se três Oficiais, de quem não recordo os nomes (sem alguém souber, agradeço a informação) e, escondido, o Comandante José Francisco Soares.
De costas, estão o autor do blogue, o Dr. Terrinha, médico da CArt 739, o AlfMilInf Eduardo Palaio e um Padre Capelão da Força Aérea que, todos os Domingos, rezava Missa na capelinha do Tôto.   

Num dos recentes convívios realizados pelo Batalhão - salvo erro em 2011 - o CapInf Morna (actualmente Coronel, mas refomado ou na Reserva, não sei bem) facultou-me o seu álbum de fotografias, as quais digitalizei e arquivei juntamente com as que possuo. Ao efectuar a digitalização, vieram-me à memória vários epísódios que, tendo tempo e saúde, irei contando. As fotografias que ilustram este postal foram tiradas na esplanada aqui referida, não me recordando a que propósito, mas, tudo leva a crer, para registar a presença, num almoço, do nosso Comandante José Francisco Soares, numa visita que fez ao Tôto.
Todos os já referidos.
De costas, à cabeceira da mesa, o AlfSerInt, Emanuel Fronteira, Comandante do Destacamento de Intendência.
Todos os já referidos
Ao fundo, à cabeceira da mesa, o CapInf Ramiro Morna do Nascimento
VETERANO

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mussende Revisitado - Histórias de Caça - O Primeiro Tiro

Uma das equipas de caça
SoldCondAut Alonso Varudo, "o Compadre", SoldApMet Dias, "o Palhaço Grande", o autor do blogue, SoldAtInf  Santos, "o Porto", um dos nossos cozinheiros, de cujo nome não me recordo. Agachado, FurMilInf João Mouga

Uma das formas de se obter carne para a alimentação da tropa era caçando. Localmente, os recursos eram parcos, tornando a alimentação demasiadamente repetitiva. Em muitos casos, limitavam-se ao suino e a aves de capoeira compradas à população local, mas quem quisesse mudar de "dieta" tinha, obrigatoriamente, de caçar.
A caça, embora formalmente proibida, era tolerada. Quanto mais não fosse, porque as autoridades não tinham possibilidade de intervir. Aliás, quando existiam, elas próprias caçavam. De qualquer modo, em nada a fauna era prejudicada, já que era extraordinariamente abundante. Por todos os locais por onde andei, sempre vi herbívoros selvagens em quantidade tal que os abates efectuados pela tropa em nada afectavam a sobrevivência das manadas, que se reproduziam a ritmo superior ao do abate. A tropa de quadrícula tinha enormes áreas de actuação e a fauna existente, para além dos predadores naturais, era apenas caçada pela dúzia de soldados que cuidavam da alimentação da Unidade. Não era necessário, muitas vezes, sair para muito longe do aquartelamento para trazer duas ou três boas peças de caça, capazes de alimentarem todo o pessoal.
O acampamento
SoldCondAut José Martins, "o Zé de Braga", o civil aqui referido e SoldApMet Manuel Santos, "o Bombeiro"
No Mussende foi-me indicado, por um civil de cujo nome não me lembro já mas que julgo tratar-se do referido AQUI, um excelente local de caça, para o qual se ia, saindo da localidade, pela estrada do Calulo. Era uma soberba paisagem tipicamente africana, à qual não faltava, sequer, uma enorme lagoa, onde, habitualmente, todos os animais iam beber.
Quando, pela primeira vez, lá nos deslocámos, seguiram dois jeeps, um para lá ficar e um outro para regressar, trazendo o civil de volta ao Mussende. Simpaticamente, o civil trouxera consigo alguns petiscos para um lanche ajantarado, pois saíramos próximo do fim do dia com a intenção de iniciarmos a caçada na manhã seguinte. Coincidiu, a nossa chegada, com o pôr do Sol. Como se sabe, as noites, nos trópicos, caiem muito rapidamente, pelo que, enquanto se preparavam as tendas para dormir e o civil dispunha, sobre o capot do jeep o que tinha trazido para petiscar, caiu a noite. Acenderam-se os farois, para dar um pouco de luz ao local. Eis senão quando se repara que, encadeados pela luz, a cerca de 100 metros, dois magnificos veados estavam como que petrificados. Peguei na mauser, apontei a um deles - estava de lado e fiz-lhe pontaria ao pescoço - e disparei. Rapidamente quiz fazer o segundo tiro, mas enquanto manobrava a culatra deu para ver pelo menos um dos veados correndo para longe, parando de quando em vez e fixando as luzes que os encadearam. Disparei a segunda vez, falhei, com a precipitação, e o animal correu até desaparecer no escuro.
Uma refeição
O autor do blogue, o cozinheiro já referido e o SoldCondAut José Martins "o Zé de Braga"
Fiquei um pouco aborrecido com o falhanço - nem a sorte do principiante tivera - mas, por descargo de consciência, resolvemos ir até ao local onde os veados se encontravam quando os avistámos. Foi com alguma surpresa, mas com enorme satisfação que, constatámos que o veado a que primeiro atirara tinha caído, redondo, no local onde se encontrava. O tiro acertara exactamente no ponto para onde apontara, a meio do pescoço. Acabada a leve refeição que o civil trouxera, regressou ao quartel o jeep de apoio levando já, para a alimentação dos dias seguintes, aquele magnifíco animal.
Recolhemos às tendas, para dormir, pois queríamos iniciar a nossa tarefa, logo pelo amanhecer.
Outro aspecto da refeição
Para além do autor do blogue e do cozinheiro, vê-se o 1º.CabAtInf Sequeira
VETERANO