Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

domingo, 11 de abril de 2010

Mussende Revisitado - Parte 1

Após um ano de acção no Norte de Angola, o Batalhão de Artilharia 741 foi deslocado para a Zona Centro. Coube à CArt 739, na altura sob o comando do Cap Inf Ramiro Morna do Nascimento, ocupar o aquartelamento do Calulo, tendo, no próprio dia da chegada, deslocado um Pelotão (4º. Pelotão, comandado pelo autor do blogue) para o Mussende.

O Quartel

O Mussende era uma pequena localidade num cruzamento de estradas, a principal das quais ligava Nova Lisboa (actual Huambo) a Malange. Ao longo dos tempos, a tropa que por lá passara, adaptara a quartel uma casa civil, sem proceder a grandes modificações, salvo a construção, no logradouro, de um coberto de chapa zincada para uma meia dúzia de mesas e que servia de refeitório. Ao longo desse espaço corria um pequeno regato (que desaguava num rio próximo) cuja água se usava na lavagem da roupa e em limpezas gerais. Para beber e cozinhar, o recurso era o atrelado-tanque, que saía com a frequência que se justificava, intervalando com as necessidades de recolha de lenha. O problema maior era a ausência de electricidade que nos obrigava a utilizar uns quantos “petromax” espalhados pelas divisões do “quartel”.

Em dia de carreira

Procurou-se gozar o repouso que se julgava merecido. Para além das obrigações – água e lenha, deslocações para reabastecimento e um patrulhamento diário num itinerário previamente escolhido na enorme área atribuída – jogava-se à bola, passeava-se, bebiam-se umas cervejas no café do Leitão (onde se jogava às “damas” e ao “gamão”) ou no do Escudeiro As obras que se executavam eram, apenas, as imprescindíveis à conservação do quartel. E, sempre que possível, saí-se para caçar, melhorando-se desta maneira a qualidade da alimentação.

Salvo erro, duas vezes por semana, a localidade animava-se com a paragem das camionetas de carreira. Os viajantes saíam para desentorpecer as penas e refrescarem-se nos cafés já referidos, aliás, os únicos existentes. Era uma das possibilidades de negócio dos comerciantes locais, que nos outros dias, pouco mais faziam do que trocar – era mesmo isso, trocar – fazendas e utensílios variados importados da Metrópole, pelos produtos locais que a população lhes levava.

No café do Leitão
Furriel Mouga, Furriel Ventura e Sargento Santa
Por detrás do balcão, o proprietário

Os padeiros
"Bombeiro" e Albino
Os nossos cozinheiros
Pois claro! Dávamo-nos a estes luxos!!!

Um jeep em patrulhamento
O "Compadre" repõe a água no radiador. Ao fundo, o Martins está na conversa.
Festas em honra de Santo António, orago do Mussende
O Furriel João Mouga, em primeiro plano, ao lado o civil Costa e, à sua esquerda, mas um pouco atrás, o "Maçarico" (à civil)

O 4º. Pelotão da CArt 739 passou, aqui, cerca de 4 meses, pois, em Junho, recebeu ordem de se juntar à sua Companhia – em deslocação para Nova Lisboa – a fim de, naquela cidade, embarcar nos Caminhos de Ferro de Benguela, com destino ao Lucusse, no Leste angolano.

VETERANO


«clique nas fotos, para ampliar»

6 comentários:

C. Fonseca disse...

Também na Gabela "herdámos" o cozinheiro local da Companhia que fomos render. E o pessoal gostou.

De vez em quando fazia uns petiscos para um pequeno grupo de privilegiados, que eram de comer e chorar por mais. Como escreve o Veterano eram pequenos luxos que, apesar de tudo, não compensavam a falta de coisas (água canalizada, gás, electricidade, etc.)que ao cidadão comum parecem triviais.

E por aqui me fico, para não falar de outras carências, porventura mais importantes.

P.S. - Quem foi substituir o 4º Pelotão em Mussende?

Para o Calulo foi o 3º Pelotão da CArt 738, mas com pouco mais de 3 dezenas de efectivos - contando com pessoal das especialidades (cozinheiros, condutores, enfermeiro, etc.), não dava para guarnecer as duas localidades.

VETERANO disse...

Quando recebi a ordem de me meter a caminho de Nova Lisboa (brevemente farei um postal sobre isso)não havia ninguém para me substituir. Arranquei com duas Secções (Santa e Ventura) e deixei lá o João Mouga, até que chegou um Pelotão de uma Companhia de um outro Batalhão, que não sei qual era)
O João Mouga andou cheio de sorte. Porque foi mesmo tirada à sorte a Secção que permaneceria. Por causa disso, o Santa ficou muito aborrecido comigo. Mas decidi assim, tanto mais que, quando dei a notícia e lhes sugeri que escolhessem entre si aquele que ficaria,todos arranjaram argumentos para não partirem e não se entenderam. Três pauzinhos, um dos quais mais pequeno, e já está!!!
O Mouga chegou ao Lucusse algum tempo depois. e... ainda teve tempo para andar aos tiros.

Allmcn disse...

Caros veteranos

Ao visualizar vosso Blogue fiquei emocionado com as fotos antigas retratando aquilo que foi não só o Mussende nos anos 60 mas também vossa jornada.
Não sou veterano mas sim nascido em Mussende em 1975.
Gostaria que pudessem publicar mais fotos destas paragens para conhecermos melhor sobre o passado dessas terras.
Estive em Mussende no passado dia 11 de Novembro. Se me permitem farei upload de algumas fotos do Mussende hoje.

VETERANO disse...

Caro Allmcn

Tenho muito gosto em receber as fotos a que se refere, as quais, desde já, lhe agradeço, reconhecido.

Quanto às fotos daquele tempo, tenho de facto, algumas, embora não muitas, infelizmente. É que, por aquela altura, a fotografia ficava cara. Ao custo do rolo, acrescia o da revelação.

É minha intenção publicar todas as que tenho, todavia à medida da colocação dos postais relativos ao Mussende.

dmartelo disse...

Caro Allmcn Eu Trabalhei No Mussende Na Construção Da Estrada

dmartelo disse...

E Com Muita Satisfação Que Leio Coisas Sobre O Mussende