Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Soldado Manuel Sousa Pinto! PRESENTE!


Faz hoje 47 anos que faleceu, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

Manuel Sousa Pinto

 que fazia parte do 4º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Confraternização de 2012 - Notas à Margem

FÁTIMA
A Casa São Nuno, onde se realizou a confraternização deste ano

A Confraternização de 2012 realizou-se no pretérito Sábado, na Casa São Nuno, em Fátima
A concentração estava prevista para o meio-dia, altura em que foram servidas as Entradas. Por volta da uma hora da tarde iniciou-se o Almoço, que reuniu cerca de 300 pessoas
Um aspecto da sala (foto roubada DAQUI)
Procuramos sempre que o convívio de realize numa localidade situada sensivelmente a meio do País, minimizando, deste modo, o esforço derivado das grandes distâncias a percorrer, quer por quem vem do Alto Minho ou Trás-os-Montes, quer, também, por quem se desloca do Algarve
Fátima foi, este ano, escolhida pela primeira vez. Alguns Camaradas viajaram, propositadamente do Canadá e faziam gosto em deslocarem-se a Fátima. Com a escolha, proporcionou-se um "dois-em-um"
A passagem por Fátima era quase um hábito para muitos Camaradas, geralmente a pedido dos seus familiares, quando os convívios se realizavam mais pelo Sul. Também aqui o "dois-em-um" veio a calhar
A CArt 738 e a CArt 739 distinguiram-se, este ano, pelo elevado número de participantes. As outras duas Companhias, apesar de um maior número de presenças, estão ainda um pouco longe de as alcançarem.
A Cart 738 reuniu, este ano, os seus quatro comandantes de Pelotão (Pereira, Morgado, Casimiro e Fagundes), o que não acontecia há já muitos anos (sem querer arriscar, talvez há mais de 20 anos)
Os quatro Comandantes de Pelotão da CArt 738
Francisco Morgado, Sebastião Fagundes, Vitor Casimiro e José Pereira
(Em pé, Carlos Cristóvão da CCaç 715) . Foto roubada DAQUI

O reencontro do ex-Furriel Morais Soares - CArt 738 - com os seus Camaradas que já não via há 45 anos foi um dos momentos emocionantes do dia.
  José Pereira, Morais Soares e Mário Abreu, todos da CArt 738
(Foto roubada ao blogue SPM8146)

Do ex-Alferes Palaio - da CArt 739 e que não pôde comparecer - recebemos um "mail" que prometemos ler durante o convívio. Um pequeno problema surgido na altura da partilha do bolo comemorativo exigiu a nossa presença e o momento passou. Com o nosso pedido de desculpa, aqui o reproduzimos:
Caríssimos camaradas de armas, bons amigos do peito lusitano (oba!)
Com os 70 anos estou, garanto-vos cada vez mais "que es adof"!
Certamente vos lembrareis de que na vossa meninice pessoas de cinquenta e tal anos eram velhas. Na altura éramos capazes de pedir a Deus (e esta heim?) para que nos deixasse chegar aos 60 ou talvez sessenta e doisinhos.
Estamos a maioria de nós quase nos 70, mesmo o capitão Morna e o nosso Mira, pai-nosso (que me perdõe), o discreto e gentil Amaro e do british Rubi Marques, impecável, nem se fala!... e então vamos queixar-nos de quê? O Almeida ainda dança com a rodopiante e simpática mulher, o Oliveira gaba-se de fazer outras coisas horizontalizadas... O Albino e o Luís ainda sorriem bondosamente, o alferes Barreira ainda tem energia para compôr discursos patrióticos, o alferes Augusto está cada vez mais rezingão e obstinadamente crente (ó defeito!), o Catuna engorda como um homem bom e o Cortes está como sempre, o Armando está magro como um homem bom casado com uma mulher bem disposta. O Silva Pereira é eterno! Queixar-mo-nos de quê?!
A morte sorri a todos, saibamos devolver-lhe o sorriso. O que está para vir (surgir) do chão da picada, do verde húmido da mata... olha camarada: "que es adof"!.
Um abraço para todos da 739, do Batalhão inteiro e em especial para os que um dia serviram no meu afilhado "que es adof";
ou então, já que estão em Fátima, encomendem-se a Maria, que nos séculos da nossa glória (XV e XVI) era a "Nossa Senhora dos Navegantes", sempre rezada, a bordo, na hora canónica das Trindades.
Palaiué
PS - Já está na editora a nossa história para os nossos netos lerem. Vamos a ver se sai este ano. 

VETERANO

PS - Este postal irá sendo actualizado, ao longo dos próximos dias, com notas várias, à medida das nossas lembranças. Paralelamente, aguardo o envio de várias fotografias que publicarei mal cheguem ao meu poder.
PPS - Mandem-me as vossas "notas à margem" que serão publicadas com a indicação da origem.


Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Soldado João Grilo Moreira! PRESENTE!


Faz hoje 47 anos que faleceu em combate, algures no Norte de Angola, o Soldado Atirador de Infantaria 

João Grilo Moreira

 que fazia parte do 1º. Grupo de Combate da CArt 739.
"Em verdade, só morremos verdadeiramente quando já ninguém nos recorda"

"In Memoriam"
Uma velha canção militar alemã "Ich hatt' einen Kameraden" (Eu tinha um camarada...)

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Confraternização de 2012




BART 741

ALMOÇO-CONVÍVIO

Caro amigo:
                               No próximo dia 10 de Março (Sábado), pelas 13 horas, realizar-se-á, como vem sendo habitual todos os anos, mais um almoço-convívio, desta vez o 26º., em comemoração do 45º. aniversário do regresso do BATALHÃO 741.

LOCAL :
CASA SÃO NUNO
Av. Beato Nuno, 271 – FÁTIMA – Telf.: 249530230

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

A Cólera das Legiões


Tinham-nos dito, no momento em que deixámos a terra natal, que partíamos em defesa dos direitos sagrados que nos são conferidos por tantos cidadãos instalados lá longe, tantos anos de presença, tantos benefícios concedidos às populações que têm necessidade do nosso auxílio e da nossa civilização”. “Pudemos verificar que tudo isso era verdade e, visto que era verdade, não hesitámos em derramar o imposto de sangue, em sacrificar a nossa juventude, as nossas esperanças. Não lamentamos nada, mas enquanto aqui este estado de espírito nos anima, dizem-me que em Roma se sucedem as intrigas e as conspirações, se desenvolve a traição e que muitos, hesitantes, perturbados, cedem com facilidade às tentações do abandono e aviltam a nossa acção”. “Suplico-te, tranquiliza-me o mais breve possível e diz-me que os nossos concidadãos nos compreendem, nos defendem, nos protegem como nós próprios protegemos a grandeza do império”. “Se tudo fosse diferente, se tivéssemos de deixar em vão os nossos ossos embranquecidos sobre as pistas do deserto, então, cuidado com a cólera das Legiões.”
Marcus Flavinius,
Centurião da 2ª Coorte da Legião Augusta, a seu primo Tertulius
"Roubado" do blogue O Adamastor

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Como É?

COMO É POSSÍVEL UMA PROPOSTA DESTAS?
O complemente especial de pensão pode ter pouco valor monetário, mas tem, quanto a mim, um enorme valor simbólico. Na realidade, é o reconhecimento do sacrifício que, pela Nação, os seus filhos fizeram. Parafraseando Maurice Bardèche: Quando uma Nação deixa de honrar os seus heróis, deixa de ser uma nação e não será mais do que um aglomerado de interesses, uma sociedade por acções!

VETERANO  

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Norte - Nomadização na AIL - Água e Sede


Troço de floresta, junto a um curso de água
Como já tenho referido noutras oportunidades, cheguei ao Tôto em Março de 1965, cerca de dois meses após a chegada da minha CArt 739. Uma das consequências deste atraso foi o facto de não ter feito sobreposição com a tropa que lá rendemos.
Era chamado de "sobreposição" o curto espaço de tempo que demorava a rendição de uma unidade militar por outra, durante o qual, se entregava à recém-chegada diverso material - armamento pesado, viaturas, equipamento sanitário, e de alojamento, etc. - e, em teoria, se procuraria transmitir a experiência adquirida de modo a evitar a repetição de alguns erros, nomeadamente, aqueles mais funestos. Efectuavam-se algumas operações ao nível de dois Pelotões, um "velho" e outro "maçarico".  
Rio Kuango - Enchendo cantis
Da Esq para Dir: SoldAt Varandas, 1º.CabMecArmLig "o Braga", SoldAt Freitas(enchendo o cantil), SoldAt Mendes "o Queijo", FurMilInf Mouga, 1º.CabApMet "?", SoldAt Horta, SoldAt Teixeira "o Arouca", SoldApMet Manuel M Santos "o Bombeiro", o autor do blogue e SoldAt Leite.  
Chegado, como disse, mais tarde, não passei por esta fase e, tanto quanto eu sei, o meu próprio Pelotão, em virtude da minha ausência, não acompanhou, também, essa actividade, sendo, antes, encarregado de tarefas menos operacionais, digamos assim, tais como a recolha da água e da lenha. Com a minha chegada, e integrando quase imediatamente a escala de operações, tive que aprender, por minha conta, não podendo, sequer, contar com grande experiência pela parte dos meus comandados.
Noutros postais venho já referindo essa progressiva aquisição de conhecimentos. Um, dos mais importantes, era, inequivocamente, a obtenção da percepção de existência de água corrente capaz de ser bebida, num terreno completamente desconhecido como era a AIL(1) que acabáramos de receber. Com o tempo, acabei por constatar que nos vales florestados existia quase sempre um curso de água, mais ou menos abundante, embora, às vezes, pudesse não passar de um charco que nos obrigava ao ritual das pastilhas e da espera. Deste modo, sempre que nomadizávamos, saíamos, volta e meia, do trilho que percorríamos e descíamos ao vale mais próximo em busca do precioso líquido. Raras vez me enganei.
Rio Kuango - Descanso junto ao curso de água
2º.SargArt Fernando Santa e o autor do blogue. Não identifico o militar que está de costas.
Mas, uma vez enganei-me mesmo e, chegados ao fundo do vale nada encontrámos. Voltámos ao trilho, começando já a sentir as dificuldades da sêde, e dirigímo-nos para um outro vale. E, como se aproximava a noite, ordenei à Secção que seguia à frente que apressasse o passo de maneira a chegarmos, com luz diurna bastante, àquele destino. Atingimos o cimo da colina já próximo do lusco-fusco. O pessoal estava sedento, valendo, aos mais aflitos, o enfermeiro Manuel que era o único com um bom cantil de água(2), Uma das Secções nem sequer parou, limitando-se a recolher os cantis de toda a gente e a seguir, encosta abaixo, a toda a brida, enquanto as restantes montavam o "quadrado"(3) que adoptara como forma de bivacar em pontos altos.
Foi com grande ansiedade que aguardámos o regresso dos camaradas da água. Aquele tempo de espera pareceu-nos uma eternidade! A páginas tantas, já noite feita, ouvimos o barulho característico dos passos que só podiam ser da Secção a regressar, logo renascendo toda a vivacidade daquela tropa até então entorpecida pelo cansaço e pela sêde.
Rio Kuango - FurMilInf João Mouga
Foi, porém, muito grande a desilusão! Comunicou-me o comandante da Secção que não existia água naquele vale! Num mesmo dia, enganára-me duas vezes relativamente ao mesmo assunto!
Perante a resposta, tivemos que nos submeter a uma noite de sêde verdadeiramente horrivel - um dos que se descontrolou foi, precisamente, o comandante da Secção que tinha partido em busca da água - contando, apenas com o cantil do Manuel que, quase à força, pouco mais permitia do que molhar os lábios.
Ainda antes da aurora acordei toda a gente - poucos tinham sido os que dormiram, com a boca seca e a língua meio-inchada - de modo a arrancar mal houvesse alguma visibilidade. Qualquer coisa me dizia que deveria haver água naquele local e ordenei a descida pelo caminho aberto pela Secção que se deslocara no dia anterior. Qual não foi a nossa surpresa quanto, bem lá no funfo, deparámos com um pequeno curso de água que corria, quase diria alegre e cristalino, depois de se ter despenhado de uma pequena cascata. 
Depois de saciada a sede e enchidos os cantis, não me furtei a dizer ao comandante da Secção tudo o que pensava da sua atitude de renúncia na procura da tão necessária água. Tudo levava a crer ter desistido ainda a meio da descida. Pela primeira vez - e julgo que pela última - dei uma descompostura a um graduado na frente do pessoal, mas não pude resistir. Não estou arrependido e hoje, fá-lo-ia de novo.   
VETERANO

(1) Área de Intervenção Livre.
(2) Constava que o Manuel aguentava muito bem a sede por ter sido pastor na vida civil. Desde que regressámos, nunca mais soube dele.
(3) Uma Secção e Comando, em cada "canto" de um quadrado imaginário.

NOTAS: As fotos que ilustram este postal não estão relacionadas com a situação descrita. Por sinal, estão datadas: dias 17 e 18 de Agosto de 1965.

VALE A PENA LER O COMENTÁRIO REMETIDO PELO CAMARADA SÉRGIO O. SÁ. (aditado às 23H35 de 15.01.2012)

Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Votos de Ano Bom

Apesar da Esperança ser pouca, mesmo assim, ela é a última a morrer!

Votos de um Bom Ano de 2012

a todos quantos visitam este blogue

VETERANO

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Boas Festas!


Um Santo Natal

São os meus sinceros votos a todos quantos me honram com as suas visitas!

Saudações natalícias aos autores das "Outras Odisseias", aqui ao lado!

E, finalmente, um especial abraço para os meus Camaradas do Batalhão de Artilharia 741.

Sábado, 17 de Dezembro de 2011

A Leste Algo de Novo...Parte 5 - A Última Operação

Posto Administrativo
As fotografias deste postal foram tiradas no decurso da última operação que realizei na Zona de Intervenção Leste. Não tenho a menor lembrança da missão atribuída nem me recordo dos objectivos que me foram fixados. Olhando as fotos, revejo, em memória, as pessoas, o local, mas muito poucos factos.

À medida que o tempo de comissão se aproximava do fim eram cada vez mais evidentes o cansaço e a saturação. O entusiasmo havia decrescido ao longo de todos aqueles meses. Dissera, uma vez, o Dr. Terrinha que estava já provado, serem os primeiros dois meses e os últimos três os mais "stressantes" das comissões, mesmo que a parte final fosse em zona de paz. Mas, ali no Leste, naquela imensidão quase deserta, era como se vivêssemos numa espécie de sonolência, em que a percepção da realidade envolvente se esbatia fortemente.
Um aspecto da localidade
Por qualquer razão que desconheço, o nome do local que me vem à memória é Alto Kuito. Procurei no Google Earth a localidade, mas não encontrei este nome. Recordo-me, apenas, que ficava para os lados de Nriquinha, bem lá nos confins do Leste angolano. Hoje, nem sequer posso garantir a certeza do nome.

Recebi, pois, uma ordem de operações, para fazer não sei já o quê. A ténue lembrança que tenho era de me deslocar àquela localidade e, a partir daí, irradiar. Com algum objectivo, certamente, mas, como disse, não recordo qual. Sei que partiram dois Grupos de Combate que, a avaliar pelo número de viaturas utilizadas (julgo que, somente, três Unimogs, um dos quais com atrelado e um Jeep), estariam bastante incompletos ( o meu, o 4º. GC e o 2º. GC, do AlfMilInf Palaio). O Alf Palaio não participou e o único graduado que me acompanhou terá sido o FurMilInf Pontes, que era do 2º. GC.
A prisão
Era suposto, tanto quanto ainda me recordo, interrogar uns presumíveis "turras" presos naquela localidade e explorar, seguidamente, as informações conseguidas.
Até à localidade nada sucedeu. Passámos por algumas povoações - a população não abandonara os quimbos, mesmo após o deflagrar das operações no Leste - sem nada acontecer de especial, salvo o constante atascamento, até aos eixos das viaturas, naquelas estradas de areia  e atingimos a localidade onde ainda se encontrava um Chefe de Posto Administrativo, com quatro ou cinco sipaios. Não me lembro do nome do Chefe de Posto que, como se pode ver nas fotos, tocava muito bem viola, tendo animado, desta forma, algumas daquelas noites em que, por lá, permanecemos.
O Chefe de Posto, tocando viola
Identifico: "Mano", Pinheiro, ?, Mendes (que cantava muito bem fados de Coimbra), ?, Martins, David, ? e Sequeira
Sentado, ostentando as famosas e alentejanas suíças, o FurMilInf Pontes 
"Mano", Pinheiro, Mendes  - a seguir 3 caras de que não recordo os nomes - David, Sequeira, Leite, Almeida e um último, que também não identifico.
Leite, Varandas, ?, Agostinho,?, e o SoldCondAuto "Sarilhos", quando cantava um fado
Não sei o que sucedeu depois, embora possa presumir ter recolhido a possível informação e desencadeado qualquer tipo de actividade. Não me lembro qual.

Apenas me recordo de ter sido avisado pelos condutores-auto da inexistência de gasolina na localidade - havia um posto que já não era abastecido há bastante tempo - os camiões-tanques da gasolineira não se atreviam a ir  ao local - restando-nos, a determinada altura, a gasolina estritamente necessária para o regresso (deixei alguma ao Chefe de Posto, recordo-me, para a única viatura que lá existia). A localidade havia sido praticamente abandonada pela população, quer de origem europeia, quer de origem africana, mas o Chefe de Posto, manteve-se nela, apesar do risco.
Coluna em ordem de marcha
Dadas as circunstâncias relativas ao combustível decidi terminar as operações que desencadeara - não me  recordo se com qualquer êxito - e regressar ao aquartelamento do Lucusse.

Quando cheguei ao quartel tive a curiosidade de verificar o número de quilómetros percorridos e registados no conta-quilómetros: foram cerca de 2000 Km o que, à primeira vista pode parecer excessivo, mas não é. Eram dias inteiros a andar de viatura por aquelas terras onde se não via vivalma.
Uma saída (ou, talvez, o regresso)
Com grande surpresa, mas com enorme alegria(1), verificámos já lá se encontrar a Companhia que nos viera render, encontrando-se já transferido todo o material com excepção daquele que vinha comigo. A minha tarimba já tinha outro ocupante e os meus objectos pessoais encontravam-se arrumadas num canto, graças aos cuidados dos dois soldados que ajudavam na Messe (o Horácio e o "Viana"). Assim, e tal como os meus soldados, dormi, mais uma noite, no chão. Feita a transferência em falta, salvo erro no dia seguinte partimos para o Luso - onde chegámos no Dia de Natal de 1966 e onde tomámos conhecimento do ataque à Vila de Teixeira de Sousa - para embarcar num comboio do Caminho de Ferro de Benguela, que, numa viagem de cerca dois dias e meio (se bem me lembro) nos levou até Benguela onde rendemos a tropa local.

Pouco tempo depois, fui destacado para a Vila do Cubal. 
VETERANO
(1) - Devo fazer uma confissão: recordo bem um estranho e dificilmente definível sentimento, misto de antecipada saudade e, também, de alguma pena, ao ver chegado o dia da partida. Deixava, para sempre, um lugar que, apesar de inóspito, havia ajudado a construir e onde, num pequeno obelisco, ficara a memória do "Palhaço".
V.