Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

sábado, 9 de abril de 2011

A "Terapeuta" - Uma Nova Visão Sobre a Controvérsia

Grupo de Oficiais da CArt 738 e da CArt 739 presentes no AM 2, do Tôto, na despedida dos CapArt Ruby Marques e Mira

Este postal do camarada e Amigo Carlos Fonseca suscitou controvérsia, não pelo conteúdo em si (velhos combatentes não são, propriamente, frades), mas pela discordância quanto à data em que os factos ocorreram. Alguns comentários apontam como referência a presença ou a ausência do CapArt (actualmente Coronel na reforma) Ruby Marques.

A verdade, e por mim falo, é que o relato dos acontecimentos se baseia, essencialmente, na memória que temos deles e, a quarenta e quatro anos de distância, há sempre elevada probabilidade de errarmos, sobretudo se, involuntariamente, os associarmos - a memória é muito traiçoeira - a outros acontecimentos que, aparentemente, lhes estão ligados mas que não ocorreram ao mesmo tempo.

Tenho porém a possibilidade de contribuir com alguma ajuda para a “resolução” da questão. Estou em posição de garantir o exacto dia em que o CapArt Ruby Marques deixou a CArt 738: foi no dia 23 de Novembro de 1965. Nesta data, quer o CapArt Ruby Marques, quer o CapArt Fernando Mira, embarcaram para as suas novas Unidades, no AM2, do Tôto, como documentam as fotos que acompanham este postal. Acresce que, por mera sorte, tenho em meu poder a Ordem de Serviço da CArt 739 referente ao dia anterior, dela constando a mensagem de despedida do seu Comandante.

Nestas circunstâncias, ou as “sessões de terapia” – ironia magistralmente utilizada pelo Carlos Fonseca – ocorreram numa ausência menor do CapArt Ruby Marques, eventualmente em Maio, como é referido, dando assim azo às “descomposturas” aos seus oficiais ou, então, somente após a data acima referida (mas aí não haveria reprimendas!). Acresce que o Fonseca, embora tivesse gozado férias em Novembro, escoltou, naquele mesmo mês (e não em Janeiro de 1966), mais precisamente no referido dia 23, o seu Comandante ao AM 2, do Tôto.

O Fagundes e o Fonseca, com o tempo, chegarão, com certeza, a um consenso.

VETERANO

CapArt Fernando Mira e Ruby Marques

PS – Parabéns, Carlos Fonseca! O texto está, o que se diz, uma maravilha!!

V.

5 comentários:

Anónimo disse...

Caro Veterano,

De uma coisa fiquei esclarecido depois de ler o seu texto. A saber, a data da partida do capitão Rubi Marques.

Não tenho dúvida de que fui eu o responsável pela escolta da coluna de reabastecimento, em que ele viajou de Lucunga para o Toto.

De facto, estive de férias em Portugal até 14 de Novembro. Cheguei a Luanda a 15, e viajei na DTA para o Toto a 16, data em que cheguei também a Lucunga.

Continuo, porém, convicto de que quando teve lugar o episódio que relato, o Cap. Rubi Marques, ainda era o nosso comandante. Por outro lado, essa convicção entra em contradição com o testemunho do Fagundes.

Como tenho escrito não tenho registos escritos do nosso dia-a-dia em Angola, salvo algumas notas no verso das fotos, o que neste caso é irrelevante.

Apesar da minha convicção, sei que a memória nos atraiçoa a todos com o passar do tempo, e admito, por isso, estar errado quanto à data. Já o escrevi na resposta que dei ao Fagundes, e repito, que talvez tenha sido imprudente ao criar um blogue para escrever sobre uma época tão longínqua, sem ter como apoio um diário desses tempos.

Uma coisa posso garantir: excepto nalguns dos nomes citados,que alterei intencionalmente, os factos aconteceram. E, de vez em quando, em conversas com alguns camaradas, a história vem a lume.

C. Fonseca

P.S. - Resta-me agradecer a gratificante referência que fez.

VETERANO disse...

O Caro Carlos Fonseca desculpará ter eu metido foice em seara alheia. Parti do princípio de que, a ter havido descompostura aos oficiais da CArt pelo Cap Rubi Marques, tal só poderia ter sucedido após o regresso de alguma sua ausência e, obviamente, nunca após a sua colocação noutra Unidade. Tendo podido determinar com precisão a data em que ele deixou a CArt contribuí para a exclusão de qualquer outra posterior. Daí eu entender serem pouco fiáveis as datas apontadas pelo Fagundes.
Tal como o Fonseca, recorro quase exclusivamente à memória pois não tenho, também, quaisquer registos.
Renovo os parabéns (francamente, gostei da história!)

VETERANO

Anónimo disse...

Meus caros Fonseca e Silva Pereira!

Muitas vezes tenho dúvidas e também me engano... Neste caso concreto, não tive dúvidas e o apontamento do Silva Pereira vem confirmar a minha convicção e reduzir o espaço de tempo em que se passou o facto, real, tão bem narrado pelo Fonseca.
Ao precisar a data do seu regresso de férias, o Fonseca "diz-me" que o acontecimento teve lugar na primeira quinzena de Novembro de 1975. Isto porque, como já comentei no SPM 8146, eu estava de férias quando a "terapeuta" passou por Lucunga e gozei-as em Novembro/Dezembro de 1965.(Não as pude gozar antes por ser arguido num auto de corpo de delito devido a um acidente com arma de fogo na carreira de tiro do RI 5 - Caldas da Rainha - onde tinha sido oficial de tiro. Só após uma exposição feita pelo Comandante do Batalhão ao Ministério fui autorizado a gozá-las). É claro que é este facto que me ajuda, decisivamente, a localizar, temporalmente, o episódio.
Quanto à ausência do Capitão Rubi Marques, obviamente que desconheço o motivo visto que eu não estava em Lucunga e quando para lá voltei já ele tinha embarcado para o seu novo destino.
Como já disse ao Fonseca, acho que o SPM 8146 é uma óptima iniciativa e deve continuar.
Abraços.

Sebastião Fagundes

VETERANO disse...

Caríssimos Amigos Fagundes e Fonseca,

Faço minha a última frase do Fagundes: o SPM 8146 é uma óptima iniciativa e deve continuar.
Parabéns, Fonseca e continue a brindar-nos com as suas excelentes histórias

VETERANO

Anónimo disse...

Caros Silva Pereira e Fonseca!

Felizmente comecei por afirmar que sou dos que também se enganam. Escusava de o ter feito nesta baralhada de datas, mas aconteceu. Cá vai a correcção: como é óbvio, o caso não podia ter acontecido na ausência do Fonseca. Ele decorreu, de facto, na segunda quinzena de Novembro de 1965 ou primeira semana de Dezembro do mesmo ano, entre o regresso de férias do Fonseca e o meu.
Desculpem a maçada e o engano. O importante é a narração do episódio.

Sebastião Fagundes