Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

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domingo, 24 de fevereiro de 2019

In Memoriam --- 19 - SEBASTIÃO JOSÉ TERRA FAGUNDES

No decurso da organização da Confraternização do corrente ano, fomos confrontados com a triste notícia do falecimento, no passado dia 22 de Novembro de 2018, do nosso Camarada Sebastião Fagundes.

O infausto acontecimento foi-nos comunicado pela Viúva, no seguimento da carta-convite da confraternização que, oportunamente, havíamos remetido. O autor do blogue  deu imediato conhecimento do triste facto a alguns camaradas mais íntimos, nomeadamente aos camaradas da CART 738 à qual o Fagundes pertenceu.

Conheci o Sebastião Fagundes, se a memória me não trai, no Centro Militar de Educação Física e Desportos (CMEFD), anexo à Escola Prática de Infantaria, de Mafra, onde um numeroso grupo de Aspirantes Milicianos prestava provas de selecção para os cursos de Minas e Armadilhas ou de Operações Especiais. Ambos previlegiámos as provas do Curso de Minas e Armadilhas, acabando por irmos frequentá-lo em Tancos, na Escola Prática de Engenharia, seguindo-se, no fim do Curso, a apresentação no RAL 1, por alturas de Setembro de 1964 e, obviamente, a colocação em CART's diferentes.

O relacionamento, quer no RAL 1, quer. mais tarde, em Angola foi diminuto, devido à dispersão das Companhias. Verdadeiramente, só após o início das Confraternizações é que nos fomos conhecendo melhor - acabei por saber, até que, o Fagundes, tal como o subscritor, era funcionário bancário e, ao que penso, até do mesmo Banco, trabalhando ele, em Lisboa e o subscritor no Porto.

Um camarada que o conheceu muito melhor do que o autor do blogue, escreveu AQUI, uma breve nota sobre o Sebastião Fagundes, realçando o seu entusiasmo pelo seu desporto de  eleição.

Descansa em Paz, Caríssimo Fagundes!  

VETERANO    

quinta-feira, 14 de março de 2013

Confraternização do Batalhão de Artilharia 741

Conforme estava anunciado, realizou-se, no passado dia 9 do corrente - dia em que, exactamente, perfazíamos 46 anos que aportámos a Lisboa - o 27º. Convívio dos elementos que constituíram o Batalhão de Artilharia 741.
A Confraternização realizou-se na Quinta dos Loridos (Budha Eden Park), nas proximidades do Bombarral e contou com a presença de 104 ex-combatentes, muitos dos quais acompanhados de familiares. Procurou-se proporcionar um dia agradável a todos quantos se deslocaram, alguns vindos mesmo de bastante longe. 
Graças à colaboração do Armindo Matias, residente nas Caldas da Rainha, conseguimos, à última da hora, que fosse rezada Missa por alma dos Camaradas falecidos no Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal, pelas 11 horas da manhã.
Voltámos a lembrar os Camaradas falecidos, a meio da tarde, com alguns segundos de silêncio antes de, em coro mais ou menos "desafinado", cantarmos os "Parabéns" por mais este aniversário.

Para memória futura, aqui ficam as fotos dos "indefectiveis" das quatro Companhias que constituíam o Batalhão (como é hábito, em "desorganizações" como esta, alguns camaradas não se "apresentaram à chamada" para as fotos de grupo, pelo que, para além dos aqui documentados, outros mais havia) 
CArt 738
CArt 739
CArt 740
CCS
VETERANO

PS 1 - Não posso deixar de referir os magníficos postais (este, este e ainda este e mais este) colocados pelo meu excelente camarada Carlos Fonseca, no seu blogue, a propósito desta confraternização. 

PS 2 - A título de curiosidade, apresento um gráfico relativo às presenças de ex-combatentes, nos últimos 5 convívios:

V.

sábado, 9 de abril de 2011

A "Terapeuta" - Uma Nova Visão Sobre a Controvérsia

Grupo de Oficiais da CArt 738 e da CArt 739 presentes no AM 2, do Tôto, na despedida dos CapArt Ruby Marques e Mira

Este postal do camarada e Amigo Carlos Fonseca suscitou controvérsia, não pelo conteúdo em si (velhos combatentes não são, propriamente, frades), mas pela discordância quanto à data em que os factos ocorreram. Alguns comentários apontam como referência a presença ou a ausência do CapArt (actualmente Coronel na reforma) Ruby Marques.

A verdade, e por mim falo, é que o relato dos acontecimentos se baseia, essencialmente, na memória que temos deles e, a quarenta e quatro anos de distância, há sempre elevada probabilidade de errarmos, sobretudo se, involuntariamente, os associarmos - a memória é muito traiçoeira - a outros acontecimentos que, aparentemente, lhes estão ligados mas que não ocorreram ao mesmo tempo.

Tenho porém a possibilidade de contribuir com alguma ajuda para a “resolução” da questão. Estou em posição de garantir o exacto dia em que o CapArt Ruby Marques deixou a CArt 738: foi no dia 23 de Novembro de 1965. Nesta data, quer o CapArt Ruby Marques, quer o CapArt Fernando Mira, embarcaram para as suas novas Unidades, no AM2, do Tôto, como documentam as fotos que acompanham este postal. Acresce que, por mera sorte, tenho em meu poder a Ordem de Serviço da CArt 739 referente ao dia anterior, dela constando a mensagem de despedida do seu Comandante.

Nestas circunstâncias, ou as “sessões de terapia” – ironia magistralmente utilizada pelo Carlos Fonseca – ocorreram numa ausência menor do CapArt Ruby Marques, eventualmente em Maio, como é referido, dando assim azo às “descomposturas” aos seus oficiais ou, então, somente após a data acima referida (mas aí não haveria reprimendas!). Acresce que o Fonseca, embora tivesse gozado férias em Novembro, escoltou, naquele mesmo mês (e não em Janeiro de 1966), mais precisamente no referido dia 23, o seu Comandante ao AM 2, do Tôto.

O Fagundes e o Fonseca, com o tempo, chegarão, com certeza, a um consenso.

VETERANO

CapArt Fernando Mira e Ruby Marques

PS – Parabéns, Carlos Fonseca! O texto está, o que se diz, uma maravilha!!

V.

domingo, 20 de março de 2011

CONFRATERNIZAÇÃO 2011

O Cel Ruby Marques proferindo o seu discurso
Da esq. para a dir.: CelArt. Ruby Marques (CArt 738), ex- AlfMilSap. Relvas (CCS), o autor do blogue, CelArt. Fernando Mira - um pouco escondido - (CArt 739), CelArt. João Manuel Amaro (CArt 740) e CelInf.Ramiro Morna do Nascimento (CArt 739).
(Segue-se um camarada cujo nome não recordo, de momento) 

ORGULHAMO-NOS DE TER CUMPRIDO O NOSSO DEVER!

        Poderá não ter sido por, exactamente, estas palavras que o Cel. Rubi Marques iniciou o seu discurso no convívio comemorativo do 44º. Aniversário do regresso do BATALHÃO DE ARTILHARIA 741. Mas foi isso o que as suas palavras, se diferentes, pretenderam dizer.
        No dia 9 de Março do já longínquo ano de 1967 desembarcámos no Cais da Rocha do Conde de Óbidos, concluindo-se, naquele dia, o que tinha sido a nossa comissão de serviço na defesa do Ultramar Português. A data foi comemorada logo no ano seguinte por um pequeno grupo de camaradas de Lisboa – da CArt 739 - e, com o tempo, vários outros grupos iniciaram almoços ou jantares de confraternização – no Porto, igualmente da CArt 739 - e em Santarém, de âmbito mais alargado.
        Como, nestas coisas, contacto atrai contacto, os camaradas de Santarém acabaram por conseguir uma já relativamente extensa lista de nomes, abalançando-se na organização de um convívio a “nível nacional”. Cabe aqui referir os nomes de dois dos entusiastas iniciais: o Vardasca (infelizmente, já desaparecido) e o Bragança Mendes que mantiveram viva, por alguns anos, a chama dos reencontros.
        Um pouco mais tarde um outro camarada – o Armando Sobreiro – “agarrou” o assunto e manteve, por algum tempo também, a realização do evento. Até que um dia tocou em sorte ao subscritor assumir a responsabilidade da organização do convívio anual. Assumiu e…continua a assumi-la, se não com as forças do princípio, pelo menos com o mesmo entusiasmo e idêntica satisfação.
        Regressámos, este ano, ao Salão Milénio, nas Caldas da Rainha, agora com gerência diferente da que nos recebera em 2009. Como em todos os convívios anteriores, coisas houve que correram bem e outras que correram…menos bem! Muitas delas escapam ao nosso controlo, e, por muito que queiramos, torna-se impossível corrigir localmente pequenos detalhes, menos conseguidos. Procuramos aprender com os erros e, de ano para ano, tentamos corrigir o que, no ano anterior, esteve mal.
     Entendemos que a satisfação maior é o convívio entre velhos camaradas. Convívio que se traduz na possibilidade de uma conversa recordando os bons e os maus momentos passados juntos, . Porque somente quem esteve, é efectivamente capaz de compreender os laços de amizade e de camaradagem que nos ligam hoje e nos ligarão até ao fim da nossa vida. Laços forjados no perigo do dia a dia vivido.
     Como sempre, comoventes são os momentos de silêncio à memória dos nossos mortos. Os que morreram mas também todos aqueles que, ao longos de estes anos, foram falecendo, alguns bem recentemente, como o Cel José Soares, nosso Comandante, o Babo da CArt 738, o “Setúbal” da CArt 739, o Fernandes e o Pereira da CArt 740…
     Quarenta e quatro anos volvidos ORGULHAMO-NOS DE TER CUMPRIDO O NOSSO DEVER!   
CART 738
CART 739
CART 740
CCS
PS Quero agradecer ao Carlos Cristóvão - do BCaç 715, mas que confraterniza connosco -  a oferta de umas quantas fotografias que, ele próprio, tirou. Passarão a fazer parte do Álbum do BART 741. Dar-lhes-ei publicidade no próximo postal; 
PPS Entretanto, outro grupo de fotografias pertença do Carlos Fonseca, da CArt 738, poderão ser apreciadas NO BLOGUE DAQUELA CART. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Companhia de Artilharia 738

Hoje, dia em que o BArt 741 comemora o 46º. aniversário do seu embarque para Angola, o camarada Carlos Fonseca inaugurou o seu blogue - http://spm8146.blogspot.com/ - especialmente dedicado à Companhia de Artilharia 738.
Aqui deixamos ficar os nossos sinceros parabéns pela iniciativa e ficamos a aguardar aquelas pequenas histórias que o C.Fonseca tão bem sabe contar.

VETERANO

quarta-feira, 30 de junho de 2010

In Memoriam --- 09 - João Francisco Miranda Dias


Conheci o Miranda Dias em 1958. Tínhamos 16 anos e disputávamos, representando clubes diferentes, o Campeonato de Lisboa de Andebol, na categoria de Juniores. Fomo-nos encontrando nos anos seguintes, quando os nossos clubes jogavam entre si, sem no entanto termos estabelecido um relacionamento especial, para além dos cumprimentos habituais no final de cada jogo.
Quis o acaso que voltássemos a encontrar-nos em Setembro de 1964, no RAL 1 (Regimento de Artilharia Ligeira nº 1), em Lisboa, aquando da formação do Batalhão que dá título a este blogue, acabando por integrar a CArt 738. Ele no quarto pelotão, eu no primeiro.
Começava aí uma amizade que, apesar de termos estado muitos anos sem nos encontrarmos, durou até à sua morte em 1994 (se a memória não me atraiçoa).
Em Lucunga ficámos alojados na mesma pequena moradia de três quartos, ocupada por sete furriéis-milicianos, tendo os serões de conversa na varanda conduzido a um conhecimento mais aprofundado e à revelação de vários gostos em comum.
Um deles o Andebol, que levou a que, conjuntamente com o alferes-miliciano Fagundes, também ele praticante da modalidade, viéssemos a “construir” um campo de Andebol, onde disputávamos partidas com outros camaradas a quem pegámos o gosto.
Tínhamos uma outra afinidade, que envolve uma “estória” de malandrice, que vou tentar resumir.
Três dos moradores da nossa casa – eu, o Miranda e o Mourão, a que se juntavam habitualmente os furriéis Vaz, Morais Soares e Almeida – quando íamos em serviço (ou em passeio se estávamos de folga e nos apetecia um almoço diferente, no hotel do Adão, no Toto), comprávamos camarão no Bembe, que depois comíamos, acompanhado por cerveja ou vinho verde.
Acontecia que só eu e o Miranda Dias gostávamos das cabeças do camarão. Os outros tiravam a cabeça que ia para o recipiente das cascas e só comiam o rabo. Depois da primeira experiência, chegámos à conclusão de que, enquanto comíamos a cabeça, os outros comiam um ou dois camarões a mais. Resolvemos, então, alterar o procedimento. Íamos comendo os camarões e colocávamos as cabeças num prato para as comermos no fim. A malandrice consistia no facto de deixarmos um bocado da carne do rabo agarrado à cabeça, acabando nós por comer mais camarão.

Depois do regresso nenhum de nós voltou a jogar Andebol, e estivemos mais de 20 anos sem notícias um do outro.
Até ao dia em que, num dos almoços realizados na Ponte da Asseca, numa daquelas conversas em que falamos dos camaradas de quem não temos notícias, veio à baila o Miranda Dias, e alguém disse que tinha ouvido dizer que ele estava doente, mas que não sabia pormenores, e que ninguém sabia onde morava.
Foi fácil encontrá-lo: bastou ir à lista telefónica de Lisboa. Liguei-lhe e ele confirmou que se encontrava doente há alguns anos. Uma doença degenerativa - esclerose de placas - tinha-o debilitado progressivamente, “atirando-o” para uma cadeira de rodas.
A partir dessa altura e até a morte o levar, três anos depois, passei a visitá-lo pelo menos dois sábados por mês. No ano seguinte ao nosso reencontro acompanhou-me ao almoço de confraternização do Batalhão, onde foi acarinhado por todos, tendo-me dito mais tarde que tinha sido das maiores alegrias que tinha tido nos últimos anos.
Nas conversas desses últimos anos lamentámos o tempo que, sem qualquer explicação, deixámos ir passando sem contactos. Como ele costumava dizer, éramos novos e pensávamos que o Mundo era nosso e que tínhamos uma vida inteira à nossa frente.
Afinal, nem éramos donos do Mundo, nem a “vida inteira” era assim tão longa.
Infelizmente, no seu caso, não só não foi longa, mas foi, também, injustamente cruel.
Carlos Fonseca
CArt 738

quarta-feira, 31 de março de 2010

In Memoriam --- 06 - Fernando Babo


Dois camaradas, dois bons amigos

Fernando Babo e Carlos Fonseca

"O criador deste blogue comunicou-me há quatro dias que o meu antigo camarada Babo falecera em Setembro de 2009, conforme informação de sua filha Sandra.
Não o sabia doente e a informação teve o efeito de um inesperado murro no estômago. Decidi, então, alinhavar estas linhas evocativas da nossa vivência conjunta em Angola, e pedir o habitual e generoso acolhimento do “Veterano”.
Conheci o Fernando Babo – Fernando Pinto da Rocha Babo, de seu nome completo – quando, em Setembro de 1964, me apresentei no RAL 1, para integrar o BART 741, em formação.
Acabámos por ficar na mesma Companhia (a CArt 738) e fomos cimentando uma camaradagem ao longo do tempo que acabou por nos tornar amigos. De resto, não era difícil ser amigo do Babo. Creio que não havia um único militar da Companhia que não sentisse simpatia por aquele furriel-miliciano equilibrado e sensato.
A estas qualidades acresciam uma esmerada educação e uma apurada sensibilidade. Vou referir duas “histórias”a título de exemplo.
É do conhecimento geral que nos quartéis era normal o uso de uma linguagem que não primava pela elegância, sendo vulgar o uso do palavrão. A excepção na nossa Companhia era o Babo. Quando achava que alguma brincadeira estava a passar das marcas, utilizava uma expressão que nunca mais esqueci: olhava para o “abusador” e dizia-lhe com a sua pronúncia muito característica: “ Vai morder o S. João na pila!”. Note-se que não estou a adoçar a frase, usando um termo diferente; era mesmo assim, com delicadeza, que se expressava.
A sensibilidade manifestou-se, por exemplo, na comemoração do seu primeiro aniversário, em Lucunga.
Cada oficial e cada sargento tinha criado o hábito de, no dia do aniversário, oferecer um jantar com ementa melhorada – normalmente frango de churrasco - a todos os outros oficiais e sargentos.
Era uma ocasião em que o comandante da Companhia, capitão Rubi Marques, quebrava a rigidez do RDM (Regulamento de Disciplina Militar) e, excepcionalmente, autorizava o convívio entre aquelas duas classes, honrando-nos também com a sua presença. Habitualmente, cabia-lhe a tarefa de, em nome de todos, fazer um pequeno discurso de parabéns, que também fez nesse dia.
Depois, foi a vez de o Babo tomar a palavra para agradecer. Ao referir o significado que aquela reunião tinha para ele, frisou que, para todos os efeitos, naquele dia nós éramos a família que substituía a família verdadeira, forçadamente ausente, acentuando que, dadas as circunstâncias, o cap. Rubi Marques era uma espécie de segundo pai.
Foi então que, comovido, o nosso comandante – com fama (e proveito) de militar puro e duro – mostrou a sua faceta mais humanista. Comovido pela sensibilidade natural que o Fernando Babo pusera no discurso que acabava de ouvir, e para não chorar diante de todos nós, levantou-se inopinadamente, abandonou a sala, saltou para uma bicicleta que estava encostada à parede e, a pedalar vigorosamente, saiu do quartel – e da protecção do arame farpado - pela estrada (picada) fora, perante a surpresa de todos.
Acabámos por ir buscar uma viatura e recolhê-lo, por uma questão de segurança.
Era assim o efeito que a delicadeza tocante do Babo produzia nos outros.
Convivi com ele quase diariamente de Setembro de 1964 até Fevereiro de 1966, altura em que o BART 741 foi transferido para o Quanza-Sul. A CArt 738 ficou aquartelada na Gabela, mas o 4º pelotão, a que pertencia a secção que o Babo comandava, foi colocada em Porto Amboim.
Nesse último ano de comissão, apenas convivíamos algumas horas, quando lhe calhava comandar a “coluna” que vinha à Gabela. A excepção foi um mês em que, por troca com o furriel Miranda Dias, estive em Porto Amboim. Voltámos a ter muitas horas de conversa, normalmente sentados em frente ao mar. Era então que falávamos dos dias que custavam a passar e, já casado, ele se queixava das saudades da sua Fernanda.
Terminada a comissão, não voltou connosco. A chamada de familiares, foi para Moçambique com a esposa que, entretanto, se lhe tinha juntado em Luanda.
Embora tivéssemos falado algumas vezes ao telefone, só voltamos a encontrar-nos em Fafe, em 1994, no decorrer de um almoço com outros ex-militares da Cart 738, onde compareceu acompanhado pela esposa.
Esta é a minha homenagem a um amigo. A um Homem bom.


Confraternização de elementos da CCaç 715 (aquartelada na Missão, do Bembe) e da CArt 738
Fernando Babo, ao fundo, com uma garrafa na mão
Carlos Fonseca
CArt 738
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quinta-feira, 11 de março de 2010

CONFRATERNIZAÇÃO 2010 - A Juventude dos Indefectíveis...

CArt 738
CArt 739
CArt 740
CCS
Fotografias cedidas por Foto Arestal - Sever do Vouga

PS
Poderá perguntar-se o que motiva tanta gente a reunir-se 43 anos depois! Só quem lá combateu é capaz de responder!
Mas, quem não esteve, veja aqui a última parte do filme K-19 e, talvez, possa compreender!
V.
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sábado, 9 de janeiro de 2010

Um Bom Ano Novo de 2010

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Vera Cruz

Partida

Resolvemos encimar este postal com a foto do navio que nos transportou para (e de, também) Angola: o paquete Vera Cruz. Cumpre-se hoje o 45º. aniversário da nossa partida e comemoraremos, dentro de dias, idêntico aniversário relativamente ao desembarque em Luanda. Temos preparado, para esse dia, um postal que nos foi remetido pelo camarada Carlos Fonseca, da CArt738.

Propósito

Terminado o período das festas natalícias, eis-nos regressados à nossa rotina diária. Para já, o blogue, compromisso que assumimos há um ano e que queremos manter enquanto pudermos. Ao mesmo tempo, iniciam-se as preocupações da próxima confraternização, com a selecção do local. Ainda não decidimos. Vamos falar com uns quantos camaradas, residentes por perto, e escolher, depois. Se alguém quiser mandar sugestões, que não hesite.

Emanuel Fronteira

Nos últimos dias de 2009 fomos agradavelmente surpreendidos pelo contacto de um camarada que, não sendo do nosso Bart 741, conviveu, porém, connosco no Tôto. Trata-se do ex-Alferes Emanuel Fronteira, a viver no Canadá desde 1977 e que foi comandante do Destacamento de Intendência. Publicamos, aqui, uma fotografia, que o próprio nos enviou. É o de óculos escuros, que está sentado à esquerda do Dr. Terrinha. Prometemos voltar a referi-lo neste local.

VETERANO

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

As Promoções ou...o Carisma do Capitão Rubi Marques

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O adeus aos que partem!

Lisboa - Cais da Rocha do Conde de Óbidos
Janeiro de 1965


AS PROMOÇÔES

Ainda antes de amanhecer já vivíamos uma azáfama nervosa no quartel de Porto Brandão. Estávamos a 9 de Janeiro de 1965, um sábado em que o Sol brilhava, e dentro de poucas horas embarcaríamos no navio “Vera Cruz”, rumo a Angola.

Do Porto Brandão até ao cais da Rocha Conde de Óbidos, onde estava ancorado aquele navio, a viagem fez-se a bordo de um ferry-boat especialmente fretado para o efeito.

E se evoco hoje a data do embarque é, sobretudo, para relembrar uma breve cerimónia que teve lugar durante a curta viagem entre as duas margens do Tejo.

De acordo com a legislação então vigente, na data do embarque para as comissões de serviço no Ultramar, os aspirantes a oficiais milicianos, os cabos milicianos e alguns soldados eram promovidos a alferes, furriéis e cabos, respectivamente. A maior parte dos militares abrangidos por estas promoções limitou-se a colocar os galões ou as divisas do novo posto nas respectivas platinas nessa manhã (é certo que alguns já as haviam exibido na véspera à noite, durante a despedida de Lisboa). A excepção verificou-se com os militares da Companhia de Artilharia (CART) 738.

O capitão Rubi Marques, comandante da referida Companhia, determinara que o "cerimonial" das promoções teria lugar a bordo do ferry-boat, obedecendo a um ritual próprio.

(Permito-me abrir aqui um parêntese para tentar dar pistas para as motivações daquela determinação.

Dos quatro comandantes que a CART 738 teve não foi com o capitão Rubi Marques que tive uma relação de proximidade pessoal. Aliás, creio que ninguém na Companhia a teve; cada um sabia o seu lugar na hierarquia e lá se mantinha. Todavia, e sem prejuízo dos méritos dos comandantes que lhe sucederam, com os quais tive, à excepção do último, um excelente relacionamento, foi ele o comandante por quem tive o maior respeito e admiração, não só pela forma como ele soube organizar a Companhia, mas também pelo modo como impôs e fez cumprir regras comportamentais a todos, sem excepção. Por outro lado, ao temperar o cumprimento dessas regras com um acentuado sentido humanista, conseguiu obter uma sã convivência entre os 163 militares da unidade, sem a ocorrência de atritos relevantes.

Uma das peculiaridades do capitão Rubi Marques era a sua propensão para o cumprimento de certas formalidades - que em Lucunga incluíam um dia-a-dia com algumas normas raramente observadas noutras unidades.)

LUCUNGA

Posto este interregno, recomeço a narrativa.

Iniciou-se então a "cerimónia" das promoções com uma formatura geral da Companhia no amplo espaço do ferry-boat habitualmente reservado ao transporte de automóveis.

Perante os (sor)risos trocistas dos restantes militares do Batalhão, o capitão Rubi Marques colocou nas platinas da farda dos, até então, aspirantes a oficial os galões correspondentes ao posto de alferes; por sua vez, os novos alferes colocaram, aos cabos milicianos dos respectivos pelotões, as divisas de furriel; a estes coube a imposição das divisas aos novos primeiros-cabos.

Não nego que, na altura, sentimos algum desconforto. Não pelo "cerimonial" em si, mas sobretudo pelas piadas de que sabíamos ir ser alvo (e fomos) a seguir.

Mais tarde percebi que estes rituais, eram também uma forma de nos unir e de nos fazer sentir diferentes. E a troça e o gozo já há muito que tinham passado para trás das costas.

Quando, em Janeiro de 1966, o capitão Rubi Marques deixou o comando da Companhia, por ter sido promovido ao posto de major, coube-me comandar a secção que o escoltou até ao Aeródromo do Tôto. E aí, em plena pista, também não escapei ao ritual: mandei formar e soltar o grito que constituía a divisa da Companhia, em sua honra.

Acho que no último abraço lhe vi um brilhozinho especial nos olhos.

Carlos Fonseca

CART 738"

Capitães Mira e Rubi Marques
Os comandantes das Cart 739 e Cart 738 deixaram as companhias no mesmo dia.
Aqui, à data do embarque, no aeródromo de manobra do Tôto

sábado, 10 de outubro de 2009

Uma Partida de Futebol Que Se Não Realizou...

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Gabela - Campo de Aricanga - Equipa da CArt 738

Em baixo, da esquerda para a direita: ?, 1ºCabo Resende, 1ºCabo Brandão Pacheco, ?, FurMil Vaz;
Em cima: FurMil Fonseca, Peixoto, Rebelo, AlfMil Pereira, TenCel Soares, Ten Simões da Silva, 1ºCabo Oliveira, 1ºCabo ?, Custódio

CART 739 – UMA MÁ NOTÍCIA

Os fins de semana de Maio e Junho de 1966, foram ocupados na Gabela com a realização de um torneio de futebol, com jogos disputados entre as Companhias do Batalhão. Os jogos efectuavam-se um por fim de semana - no campo da Aricanga, propriedade da ARA-Associação Recreativa do Amboim.

Aos espectadores era solicitada uma contribuição monetária, revertendo as receitas obtidas para a Casa do Soldado que, por iniciativa do Movimento Nacional Feminino, estava a ser construída no quartel, com recurso à mão de obra do pessoal da CART 738 (excepto em trabalhos que exigiam maior especialização).

Além do objectivo principal, estes encontros serviam também para uma sã confraternização dos militares que, embora pertencendo ao mesmo Batalhão, apenas tinham contactos esporádicos, atendendo às distâncias das localidades onde se encontravam instaladas as respectivas unidades.

Para um dos domingos de Junho, estava programado o encontro entre a equipa da CART 739, aquartelada no Calulo, e a da CCS, que vinha de Novo Redondo.

Lá para o meio da manhã, com a chegada das delegações visitantes, instalou-se a animação no quartel, com grupos em entusiasmadas conversas, que continuaram durante o almoço, até que, a meio da refeição, surgiu a mensagem que, de súbito, transformou o alegre convívio num triste e pesado silêncio. A delegação da CART 739 deveria regressar de imediato ao Calulo porque a Companhia tinha recebido ordem de transferência para o Leste de Angola.

Quarenta e três anos depois, ao escrever este relato, ainda sinto um arrepio na pele, como se estivesse, de novo, a viver a situação. Parecia-nos a todos – independentemente da Companhia a que pertencíamos - que estávamos a viver um pesadelo.

O almoço acabou rapidamente e os militares da CART 739, partiram de regresso à sua unidade, num ambiente de grande consternação, partilhado pelos que ficavam, sem chegarem a disputar a partida de futebol.

A fim de não defraudar os espectadores que se deslocaram ao campo, jogou em sua substituição uma equipa mais ou menos improvisada (e desmotivada) da CART 738.

Este foi um dos episódios da minha comissão de serviço em Angola que me marcou mais negativamente. E, até hoje, não consigo compreender a razão da escolha daquela Companhia, que já tinha mais de um ano de comissão no Norte, onde, de resto, tinha sido a única unidade do Batalhão a sofrer um morto em combate.

Infelizmente tal como no Norte de Angola, também no Leste aquela unidade voltaria a ser flagelada pela morte de um dos seus melhores: o Artur Santos (Palhaço), a quem o criador deste blogue já aqui homenageou num texto comovedor.

Homenagem a que me associo hoje, com um sentimento de saudade e de respeito.

Carlos Fonseca

Cart 738