Teve, por Unidade mobilizadora, o Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa. Constituído por três Companhias operacionais e uma de comando e serviços - C.ART 738, C.ART 739, C.ART 740 e CCS - desembarcou em Luanda no dia 18 de Janeiro de 1965. Regressou à Metrópole em 1967, aportando ao cais da Rocha do Conde de Óbidos a 9 de Março.

Mostrar mensagens com a etiqueta Salazar Leite. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Salazar Leite. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Auto Das Passas

Em Lucunga, apesar de todos termos ocupações diárias, tinhamos, naturalmente, tempos livres, que eram ocupados de várias maneiras. Ouvia-se rádio, liam-se livros ou jornais que iam chegando, jogava-se futebol ou andebol (menos), conversava-se e, principalmente, jogava-se às cartas.

Os jogos mais populares eram a sueca e a lerpa. Porém, uma minoria jogava o king, a 1 centavo o ponto, com o pretexto de que assim tinha mais interesse.

O king, não sendo um jogo popular, era jogado apenas por meia dúzia de furriéis-milicianos (quatro de cada vez, claro), aos quais se juntava, com assiduidade, o alferes-miliciano médico, dr. Salazar Leite, já que nenhum dos outros oficiais era aficionado deste jogo. Penso mesmo que nenhum deles o sabia jogar.

Já mencionei em texto anterior como, em questões de disciplina militar, o nosso comandante de Companhia era rigoroso. Ora, ao sentar-se à mesa de jogo com os furriéis, o dr. Leite estava a infringir a norma do Regulamento de Disciplina Militar que proibia expressamente o convívio entre militares de diferentes classes.

Um dia, ao chegar para mais uma sessão de jogo, o dr. Leite informou-nos que o comandante de Companhia o tinha chamado para o repreender, ao mesmo tempo que lhe comunicava que, se persistisse naquele comportamento, lhe seria levantado um auto, em consequência do qual “apanharia uma passa”.

Tendo, de certo modo, um estatuto especial na orgânica da companhia – acho que ele próprio não se considerava bem um militar, detestando mesmo que o tratassem pelo posto, preferindo o “dr.” em vez de “alferes” – não se preocupou com a ameaça e continuou a jogar connosco até sairmos de Lucunga, sem que a ameaça se tivesse concretizado.

Porém, o episódio virou divertimento (com algum “gozo” à mistura). De cada vez que se sentava para jogar, dizia: “é desta que vou levar com o auto das passas”! Com o passar do tempo a expressão ganhou vida própria. A propósito (ou a despropósito) de qualquer coisa que parecesse sair das normas, logo algum de nós soltava o que já era um jargão, dirigido ao autor da “argolada”: “Põe-te a pau, se não ainda levas com o auto das passas”!

Da esquerda para a direita
Em pé: Soldado ???, Furriel Fonseca, Alferes Pereira, Furriel Mourão
Em baixo: Furriel Miranda Dias, Dr. Salazar Leite e Alferes Fagundes

Carlos Fonseca

CArt 738


terça-feira, 2 de junho de 2009

Dr. António Terrinha - Dois Episódios

Episódio nº 1

No decorrer de um jogo de futebol que, como acontecia quase todas as tardes, teve lugar em Lucunga, num dos últimos dias de Julho de 1965, fui rasteirado e caí violentamente sobre o meu braço direito.

Queixando-me de fortes dores, desloquei-me ao posto médico, onde o Dr. Salazar Leite, me examinou o pulso, onde a dor era maior, tendo concluído que não havia fractura, mas apenas uma contusão, que seria debelada rapidamente.

Todavia, a dor persistia e eu não conseguia fazer qualquer esforço com a mão direita. O Dr. Leite insistia que não havia fractura, e parecia que estávamos num impasse. A situação estava a complicar-se, porque – eu sabia como “funcionavam” as coisas nestas circunstâncias – não tardariam as insinuações de que estaria a “baldar-me” a ir para o mato.

Entretanto, no princípio de Agosto – creio que no domingo, 8 – deslocou-se a Lucunga uma delegação da CART 739, para uma jornada de confraternização. Como era hábito, houve futebol, de manhã, seguido de farto almoço (cozido à portuguesa, nas messes).

Ora, da comitiva fazia parte o Dr. António Terrinha, que a pedido do Dr. Leite, viu o meu pulso. E, à segunda apalpadela, declarou que eu tinha uma fractura, e que, na sua opinião, deveria seguir para o Hospital Militar de Luanda para tratamento.

Assim se fez, e a radiografia feita no Hospital confirmou o diagnóstico de fractura, tendo acabado por ficar em Luanda quase cinco semanas em tratamento.

Por vezes, ainda me questiono sobre o que teria acontecido se não fosse a providencial visita do pessoal da 739.


Episódio nº 2

Tenho ainda outra estória em que fui interveniente, e na qual o Dr. Terrinha teve, de novo, um papel relevante.

Em Agosto de 1966, já colocado na Gabela, fui a uma consulta de Oftalmologia, a Luanda.

Da Gabela para Luanda consegui boleia, evitando assim ter de fazer a desconfortável viagem no machimbombo da carreira, que levava o dia inteiro para fazer o percurso.

Porém, apesar de todas as diligências nos poisos habituais, não consegui encontrar quem fosse para os lados da Gabela ou, ao menos, quem me desse boleia até à Quibala. Daí para a Gabela já era mais fácil.

Desanimado perante o cenário de um dia inteiro de incómoda viagem, entrei na Cervejaria Amazonas para ao menos me reconfortar com um lauto jantar. Aí sentado a uma mesa encontrava -se o Dr. António Terrinha, com a esposa e filhos (que, se a memória não me atraiçoa , eram dois). A seu convite tomei lugar à mesa e falei-lhe na minha “desdita”.

Não me recordo, naturalmente, dos termos exactos. Mas, mais palavra, menos palavra, o que ele me respondeu, foi:

  • Ó Fonseca, eu vou amanhã para o Calulo onde, como sabe, está um pelotão da 738. Logo, você vai comigo e, para todos os efeitos, está apresentado na sua unidade. O Casimiro (era o alferes comandante do pelotão) manda um rádio para a Gabela a dar conta da sua apresentação. E depois, como todas as semanas há viaturas a a circular uma ou duas vezes entre a Gabela e o Calulo, você em menos de dois dias está na Gabela.

Aquilo não me pareceu muito regular (ainda por cima o comandante de companhia era o Cap. Carvalho, que não morria de amores por mim), mas eu não queria mesmo ir no machimbombo, e não foi muito difícil deixar-me convencer. E lá fui no dia seguinte para o Calulo, que não conhecia.

E tudo bateu certo. As coisa passaram-se exactamente como o Dr. Terrinha previra. E ainda não foi desta que senti o peso do RDM.

Ao contar estes dois episódios presto também a minha homenagem a um homem bom e generoso. Um ser humano com qualidades que o distinguiam entre os seus pares.

Carlos Fonseca

CArt 738

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Batalhão - Álbum de Fotos - C.Art 738

«Clique nas fotos para ampliar»

Cap Art Rubi José Alfredo Mourão Marques
Alf Mil Med Pedro Manuel Monteiro Salazar Leite

Alf Mil Inf José Fernando Figueiredo Pereira
Alf Mil Inf Francisco Cabral da Silva Morgado

Alf Mil Inf Victor Manuel Melancia Casimiro
Alf Mil Inf Sebastião José Terra Fagundes